7 de fev de 2014

Classic - 03


 - Eu vou matá-lo. – deslizei sob a mesa do refeitório.
- Matar quem, baby? – Jas perguntou me oferecendo um donut.
- O Bieber. Ou Justin. Não importa. – peguei o donut e mordi um pedaço. – Ele é simplesmente o garoto mais insuportável do mundo.
- Você quer dizer Justin Bieber? – ela quase engasgou.
Assenti.
- O que tem ele? – arqueei as sombracelhas.
- Em todas as classes que eu freqüentei, as meninas só falam sobre ele.
- Isso é porque elas não sabem como ele é extremamente chato. – declarei.
- Parece que o garoto é simplesmente o mais desejado de toda a universidade. – ela comentou.
- Essas garotas têm merda na cabeça. – eu disse. - Falo sério. Não tem como alguém gostar daquele garoto..
Jas deu de ombros.
- E então, o que aconteceu entre você e ele?
- Não aconteceu nada.  – falei – Ele me tira do sério
- Você o conheceu na aula de anatomia?
- Sim, ele é o meu parceiro. – bufei. – E foi ele quem eu soquei ontem.
Jasmine me encarou perplexa.
- Parece que você tem um problema, Morg.
- E eu tenho. – fiz uma pausa. – Ele é o problema.
- Relaxe, Morg. – ela sorriu. – As coisas vão se resolver com o tempo.
Era incrível como a Jas conseguia achar que tudo sempre se resolvia. Ela nunca gritava, xingava ou até mesmo brigava com alguém. Eu nunca a vi exaltada. Ela conseguia achar uma solução para tudo sem se estressar, e eu a invejava nisso.
- Estou com fome. – eu disse. – Vou comprar alguma coisa.
- Certo. - ela assentiu e voltou a comer os donuts.
- Me dê um suco natural e um muffin, por favor. – pedi à mulher que trabalhava na lanchonete.
- Ei, Hon. – Justin me cumprimentou.
- O que é?
- Como está sendo o seu dia?
- Estava sendo ótimo até você chegar. – me virei para ele.
- Eu também adoro a sua companhia, Hon.
- Por favor, larga do meu pé.
- Eu não posso fazer nada se você fica me seduzindo, Hon. – ele disse e eu revirei os olhos.
- Eu odeio você. Odeio. Odeio. Odeio. – eu disse e ele riu.
- Aqui está, senhorita. – a moça apareceu com o meu pedido. – Ah, oi, Justin. – ela sorriu para Justin.
Até a moça da lanchonete? Meu Deus! Parecia que toda a universidade tinha problemas mentais.
Deixei o dinheiro em cima do balcão e saí dali no mesmo instante.
Aquilo estava me irritando.
Não. Aquele garoto estava me irritando.
                     
Deslizei sob o sofá e comecei a fazer algumas anotações.
Era sexta feira à noite e não havia quase ninguém em toda a faculdade. Parecia que todo mundo costumava ir pra casa nos fins de semana. Jas estava no apartamento do Luke desde quarta feira e eu estava começando a achar que ela não ia voltar tão cedo, já que o apartamento dele era ótimo e ficava bem perto.
Parei de escrever assim que ouvi um barulho vindo da porta. Ela se abriu e Justin entrou.
- Sabia que existe uma coisa chamada ‘ bater antes de entrar ‘ ? – perguntei e larguei as anotações de lado.
- O que você estava fazendo, Hon? – ele perguntou.
Revirei os olhos.
Que pergunta mais idiota!
- Eu estava fazendo anotações, você não está vendo?
- Anotações sobre o quê?
- Não te interessa.
Ele se sentou ao meu lado.
- Mais um trabalho, Hon?
- É, porque ao contrário de você, eu tenho responsabilidades.
- Eu também tenho responsabilidades.
- E quais são? Pegar toda a faculdade?
Justin sorriu, mas não era um sorriso alegre.
- Eu faço muito mais coisa do que isso.
- Não é o que as pessoas dizem.
- Nem tudo o que as pessoas dizem são verdade.
- Mas quando elas dizem que você é um imbecil, então elas dizem a verdade.
- Você não deve acreditar no que falam sobre mim, Hon.– ele grunhiu, vi sua mão se fechar em punho.
- Tanto faz, agora dá o fora. – disse o mais firme possível e fui em direção ao banheiro.
Suspirei.
Apoiei as mãos sob a pia e encarei meu reflexo no espelho.
- Urgh. Mas que droga está acontecendo? – sussurrei para mim mesma.
Eu nunca havia visto um garoto tão irritante em toda minha vida.
Saí do banheiro furiosa e fiquei mais estressada ainda quando vi que Justin estava sentado no sofá e assistia à TV.
- Cacete! – gritei. – Eu não disse que era pra você ir embora?
- Ah, oi, Hon. – ele se virou para mim e sorriu. Tão normal.
 Santo Deus! Eu devia ter jogado chiclete na cruz pra merecer aquilo.
- O que você quer aqui?
- Eu vim ver você, Hon.
- Ótimo. – revirei os olhos. – Agora que você já me viu, já pode dar o fora.
- O que você tem nos olhos, Hon? – ele desligou a TV e se levantou para me encarar.
- O quê?
- Sabe, essa sua mania de revirar os olhos.
- Qual o seu problema com isso? – cruzei os braços contra o peito. – Os olhos são meus e eu os reviro quando eu quiser.
- Vamos comer alguma coisa?
- Não.
- Ótimo. Eu cozinho. – Justin sorriu e foi em direção à cozinha.                                                
- Que diabos você está fazendo? – gritei.
- Estou indo fazer tacos. – ele começou a abrir os armários para procurar os ingredientes.
- Eu não quero que você fique aqui, será que dá pra entender?
- Certo, Hon. Eu dou conta de cozinhar, mas a louça é com você. – ele me encarou.
- Que seja. – revirei os olhos e me dei por vencida. Eu estava com fome, eu realmente estava com fome e, se ele quisesse cozinhar, então que cozinhasse.

30 minutos mais tarde, eu havia acabado de sair do banheiro após tomar um longo e demorado banho e Justin ainda estava na cozinha. Pentei os cabelos molhados e suspirei longa e pesadamente.
Eu não queria um garoto na minha vida, nem mesmo como amigo. Mas Justin não era meu amigo e estava longe de se tornar um. A questão é que eu não conseguia fazer mais nada para evitá-lo. Eu já havia o socado bem no meio do rosto, lhe tratado com ignorância e havia deixado bem claro que eu não queria ele por perto, mas parecia que tudo isso o atraia mais.
E isso era ruim, bem ruim.
- Acabei, Hon. – a voz de Justin soou atrás da porta após algumas batidas.
Decidi acabar com aquilo logo. Talvez, se eu fizesse isso, então ele iria embora.
Abri a porta e soltei o ar dos pulmões. Caminhei lentamente até a cozinha e me deparei com um cena um tanto estranha: Justin colocava a mesa com o maior cuidado do mundo.
- Eu não sabia que você gostava de cozinhar. – disse.
- Você não sabe muita coisa sobre mim, Hon. – ele sorriu galanteador.
- E prefiro não ficar sabendo. – comentei baixinho.
- Queijo ou carne picada?
- Carne picada. – me sentei.
Justin recheou meu taco e um cheiro delicioso invadiu minhas narinas.
 Depois de me servir, ele se serviu e, quando eu ia dar a primeira mordida, Justin levantou um dedo.
- Um momentinho. – ele se levantou e abriu a geladeira.
- Onde você arrumou isso? – perguntei, indignada quando Justin me serviu com um pouco de vinho.
- A sua vizinha me deu. – ele respondeu casualmente.
- Hum. – falei por fim.
Beberiquei o vinho e depois mordi um pedaço do taco. Justin observava cada ação minha com delicadeza.
- E então?
- Está bom. – dei de ombros.
Um sorriso alegre se formou no rosto de Justin.
O que eu queria mesmo dizer era que aquele era o melhor taco que eu já havia comido em toda a minha vida e, não, eu não estava exagerando. O garoto realmente mandava bem na cozinha.
- Onde você aprendeu a cozinhar assim?
- Meus pais tem uma rede de restaurantes por toda a costa leste do Canadá e eu meio que cresci no mundo da culinária.
 Certo. O pai dele era rico e ele podia ter tudo o que quisesse. Parecia uma vida perfeita.
- Meu Deus. O que mais você está escondendo de mim? Será que seu pai também é o presidente dos Estados Unidos? – fiz um drama básico.
Bieber riu.
- Não. – ele disse. – Mas se bem que não seria uma má ideia ele se candidatar.
- Então quer dizer que você é carinhoso com as suas peguetes e sempre cozinha para elas? – arqueei as sombracelhas, sem acreditar
- Não, Hon. – ele balançou a cabeça. – Eu nunca cozinhei para uma garota antes. Você é a primeira.
- Hum. – eu disse. Se ele estava achando que conseguia me enganar tão facilmente, então ele estava completamente errado. – E cadê os seus pais?
- Eles não moram aqui. – ele comprimiu os lábios. Por um momento, pensei ter visto uma pontada de dor em sua voz, mas talvez fosse coisa da minha imaginação.
Matei a minha curiosidade de perguntar: ‘’Onde seus pais moram?‘’ e continuei comendo.
Santo Deus! Aquilo estava dos deuses.
- O que é? – perguntei vendo o olhar de Bieber sob mim.
- Está sujinho aqui, Hon. – ele disse e esticou a mão para me limpar, mas eu virei o rosto.
- Eu posso me limpar sozinha. – peguei um guardanapo e limpei o canto da boca.
- Você é muita teimosa, Hon.
- Que bom, mas eu não te perguntei nada. – bebi um gole do vinho.
- E então, Hon, por que você decidiu vir para Montreal? – Bieber disse. – Eu sei que você acabou de se mudar.
- Problemas. – eu disse.
- Que tipo de problemas? – Justin insistiu.
- Não é da sua conta. – Eu me senti ameaçada, ele estava tocando justamente na minha ferida.
- Uh, essa doeu. – ele colocou a mão no peito.
Me levantei e coloquei meu prato na pia.
Justin acabou me ajudando a lavar a louça e depois eu o mandei embora.
O problema não era com ele, o problema era comigo mesma. Eu era um completo problema. E a primeira coisa que eu havia prometido a mim mesma desde que me mudara para cá, foi que eu não ficaria com nenhum garoto. Garotos são ruins, eles te dizem mil maravilhas e depois te partem o coração ou fazem coisas piores ainda.
Não que eu estivesse interessada nele. Eca.
A questão é que Justin conseguia me tirar do sério. Ele era do tipo de cara que falava abertamente sobre sexo, mas que parecia ter um cérebro e isso me irritava muito.
Ele me irritava muito.
Tudo o que eu queria fazer era manter o máximo de distância dele, mas parecia que quanto mais eu tentava me afastar, mais ele vinha atrás de mim.
 Caras assim são encrenca e encrenca é tudo o que eu não preciso.

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Primeiramente, não me matem. 
Minhas aulas começaram essa semana e está sendo meio difícil conciliar as coisas. Enfim, espero que entendam. Comentem aí o que vocês estão achando e tudo o mais.
OBRIGADA PELOS COMENTÁRIOS, VOCÊS SÃO DEMAIS!
Meu instagram é @victst
Beijinhos da Vic!

+10 comentários

11 comentários:

  1. AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH MEU DEUS CONTINUA PELO BIEBER AMADOOOO!

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  2. OMG, TA PEERFEITO CONTINUUUUUA TO AMANDO *----* '

    - Victória Marques

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  3. Estou ansiosa para que continue ! :)

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  4. Para de divar, Vic.
    Grata,
    Audrey.
    (aliás, estava brincando sobre parar de divar. Preciso que sua fic ainda seja diva)

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  5. Sua fic é perfeita! A ortografia, o enredo, tudo. No entanto, ela me lembra um livro que eu li "My Favorite Mistake" você já leu ? Beijos.

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  6. Esta muito perfeito. Continua

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