Projeto Paralelo (AKA L.O.A.P)



Prólogo 

O relógio marcava exatas duas horas e quarenta e cinco minutos da manhã quando eu acordei. 
Cansada, olhei para o lado e vi minha colega de quarto, Beatrice, dormindo profundamente. 
Que inveja dela. 
Pudera eu dormir assim tão tranquilamente. 
Nas últimas duas semanas, o professores resolveram cair em cima dos alunos como um bando de urubus. Seminários, provas, trabalhos... Talvez, quando terminar esse período na Universidade, eu provavelmente pegue minhas coisas e use como dormitório uma das sessões reservadas da biblioteca. 
Eu estou quase morando lá mesmo. 
Então nada melhor que um pouco de conforto. Embora, eu ache que a Sra. Johnson não aprovaria minha ideia de destruir a biblioteca dela. 
Fitei o teto branco por alguns minutos tentando criar um pouco de coragem para levantar da cama. 
Não conseguia dormir de novo. 
Como se isso fosse uma novidade. 
Desde que começou essa semana de provas eu não consigo dormir direito. 
Estresse? Talvez. 
Ansiedade? Com certeza. 
Por que professores não fazem notas normais ao invés de fazerem mil e uma diferentes? 
Talvez seja porque eles são uns carrascos. 
Olho novamente para Bea e vejo que ela nem sequer se mexeu. Porque mesmo eu não segui o conselho dela e estudar Moda ao invés de Direito? 
Eu sou criativa. 
Bem, um pouco. 
Quem sabe não teria sido mais fácil cortar e costurar do que ler esses livros com leis enormes, muitas vezes chatos, de Direito... 
— Só mais um dia. Só mais um dia, Liz. — falo para mim mesma, tentando me livrar das preocupações, enquanto olho para o relógio novamente. São quase três da manhã e eu percebo que não conseguirei dormir nem cinco horas direito. É sempre assim desde quando comecei a acordar de madrugada, de repente. 
Há exatamente quatro dias. 
Levanto e calço os chinelos a fim de ir beber um copo de água na cozinha, abro a porta e sou recebida por uma brisa fria quando saio do quarto, fazendo com que me arrepie. 
Caminho até o final do corredor e viro à esquerda em outro corredor menor até que chego á porta da cozinha, do lado de uma enorme janela de vidro. 
Percebo aqui, pela quarta vez, que talvez eu seja a única que fica perambulando pelos corredores sem conseguir dormir. 
Observo a lua crescente, refletindo sua luz na janela de modo que metade do corredor fique iluminada enquanto uma pequena parte permanece escura. 
Talvez tenha alguém preocupado com as provas, mas que seja uma pessoa mais normal do que eu e consiga ficar quieta no seu quarto ao invés de sair por aí andando como uma sonâmbula. 
Empurro a porta e caminho até a geladeira. Pego uma garrafa de água e abro para em seguida beber, aliviando minha garganta seca. 
Quando acabo e estou quase virando o corredor para voltar ao quarto, ouço um barulho. 
Estranho e irritante. 
Como se alguém arranhasse algo. 
Olho para trás e vejo a silhueta de um rapaz de costas, olhando pela janela. 
Imediatamente tento imaginar, em vão, como ele apareceu ali sem que eu o notasse. 
Resolvo ignorar, e começo a caminhar novamente até que escuto de novo o barulho, mas dessa vez uma voz seguido de uma voz rouca que diz: 
— Olá, Elizabeth. 
— Quem está aí? — pergunto calma, embora sinta o coração acelerar. 
O estranho então sai das sombras e caminha lentamente até onde estou. Tento reconhecê-lo, mas não consigo. 
Noto que ele é um pouco mais alto do que eu e tem o cabelo curto e loiro. 
Mas não consigo ver os olhos até ele dar mais um passo e ficar frente a frente comigo. 
Então percebo que o rapaz que falara comigo é extremamente bonito. 
Ele se aproxima mais, mas não reclamo embora me sinta um pouco desconfortável. 
Tudo o que eu consigo fazer é olhar aqueles olhos cor de mel, incríveis e hipnotizantes. Sem me dar conta, encaro-os. Os olhos e o dono deles, que sorri malicioso. 
Ele é tão bonito que quero tocá-lo. 
Levanto o braço e aproximo a mão de seu rosto, mas quando estou prestes a tocá-lo o estranho agarra meu pulso com força, me tirando daquele transe. Pisco e olho do meu pulso para o estranho que ainda sorri pra mim. 
Mas dessa vez seus olhos não são mais cor de mel e hipnotizantes. 
São tão escuros como uma noite sem estrelas. 
E antes que eu possa dizer algo, ou gritar, ele solta meu pulso e agarra meu cabelo empurrando minha cabeça para trás. Eu estou com medo e quero gritar, mas por algum motivo não consigo. 
E então percebo uma pequena adaga em sua mão esquerda. Ele a aproxima de mim e, num rápido movimento, passa a faca em meu pescoço, cortando-o. 
Sinto minhas pernas enfraquecerem e logo estou caída no chão, com aquela dor agonizante, mas logo sendo levada pela escuridão daqueles olhos assustadores. 

Um

Abri meus olhos e encontrei o teto do quarto. Instintivamente, levei uma mão ao pescoço lembrando do corte, mas não não encontrei nada. 
Um sonho. 
Que óbvio. 
E que alívio. 
Olhei para o lado e encontrei Bea amarrando o cabelo longo e loiro em um coque simples e, em seguida, pegar seu caderno de desenho em cima da escrivaninha. Então, avistei meu despertador e... 
— Droga! — me levantei em um pulo da cama. 
Três horas de atraso. Eram quase dez horas, eu já tinha perdido a metade das provas. 
— Ei, bela adormecida. — murmurou Bea enquanto calçava os sapatos, sentada na cama. 
— Eu perdi minhas provas. Droga, a Sra. Hamilton vai me comer viva e eu vou ter que implorar pra ela me deixar fazer a prova. Por que não me acordou, Beatrice? Você sabia das minhas provas e eu estudei tanto... 
— Ai, Liz! Pare de ser dura consigo mesma. — falou enquanto se levantava e sentava ao meu lado. — As provas foram canceladas, esqueceu? Devido às palestras e os alunos novos que estão chegando. Os professores resolveram deixar de lado e usarem as outras notas que já fizemos. Mas você já sabe disso. 
— Sei? — murmurei lembrando algumas poucas coisas. O período havia acabado e os professores decidiram de parar de dar uma de Malévola e nos deixar em paz. Sim, agora me lembrei. 
Quando estava prestes a dizer que lembrava, uma Srta. Beatrice Lewis me interrompeu: 
— Sim, Helene te disse ontem. Acho que esses livros de direito estão afetando sua sanidade, amiga. Vou falar com o Ryan e perguntar se ele pode ter uma conversinha com você. — disse enquanto colocava o caderno de desenho dentro da bolsa. — Eu sei que você odeia, mas talvez seja melhor. — e saiu antes que eu pudesse protestar. 
Eram quase onze horas da manhã, e eu me encontrava na cama pela primeira vez em meses, olhando para o nada e tentando descobrir o que fazer durante o recesso que iríamos ter. 
Bea provavelmente iria voar para a Nova York a fim de visitar os pais, e eu provavelmente faria o mesmo se eu ainda os tivesse, ou qualquer parente. 
Também não tenho um namorado psicólogo que nem ela, nem qualquer outro. 
E todos os poucos amigos que tenho estudam aqui. 
Duas semanas sem aula e eu não tenho nada de interessante para fazer. 
Levanto da cama e caminho em direção ao banheiro para tomar um banho. Ao voltar, olho para a escrivaninha pensando em ler algo e me deparo com um antigo exemplar de contos de Edgar Allan Poe, debaixo de alguns livros. Calço meus tênis enquanto penso em ler algum conto do Sr. Poe. 
Pego o livro e meu celular colocando-os dentro de minha bolsa e saio do quarto decidindo ir em direção da lanchonete, querendo comer algo antes de me isolar do resto do mundo novamente. Saio do meu prédio e estou caminhando ao ar livre, vendo que realmente tem muitos alunos novos chegando. Um grande grupo entra e eu chego a avistar dentre muitos um cara de boné preto, vestindo uma camisa branca juntamente com jeans escuros e tênis também brancos. Ele está de costas, mas por algum motivo me chama atenção. Tenho a impressão de que o conheço, mas logo sou distraída dos meus pensamentos pelo meu estômago que resolve reclamar. 
Chego na lanchonete, procurando uma mesa antes de comprar um sanduíche natural e uma garrafa de suco de laranja. Me dirijo à uma mesa mais afastada, embora perceba que não tem muitas pessoas por ali. Devem estar assistindo alguma palestra de boas vindas idiota que todo semestre tem. 
Coloco minha bolsa em uma cadeira do meu lado e como meu lanche sem pressa. 
O que é raro. 
Ao acabar, caminho em direção a uma árvore que avisto quando aceno para Helene e Nicholas enquanto eles se afastam para o carro de Nick, depois de terem vindo falar comigo e dito que iriam visitar a mãe de Helene, que mora em outra cidade. 
Chego ao local, me sento no gramado e, enconstada à arvore, pego o livro dentro da bolsa e o abro aleatoriamente, tentando achar algum conto interessante. 
“A queda da casa de Usher” é o sorteado. 
Começo a ler. 
Como sempre, começo a ler e de repente é como se o resto do mundo desaparece e é como se eu vivenciasse a estória. O conto é pequeno e logo estou acabando de ler. 

“...além da porta estava de fato a figura alta e amortalhada de Lady Madeline de Usher. Havia sangue em suas vestes brancas e sinais de violenta luta por todo o seu corpo emagrecido. Por um momento ela permaneceu trêmula e vacilante no umbral. Depois, com um gemido baixo e queixoso, caiu pesadamente sobre o irmão, e em sua violenta e agora final agonia. Arrastou-o consigo para o chão, já morto, vítima dos terrores que tinha previsto.” 

Quando acabo fecho o livro e encosto a cabeça na árvore, olhando para frente e refletindo sobre o que acabei de ler. E chego a uma conlusão. 
Sr. Poe é fodástico. 
Observo que não tem muitas pessoas ali, e as poucas que tem vão desaparecendo aos poucos. Logo descubro o motivo. 
— Por favor, todos os alunos compareçam no campo de futebol para avisos. — diz a voz da Sra. Johnson ao microfone. 
Imediatamente penso que meu sôssego foi substituído e tenho que voltar para o mundo real. 
O que será dessa vez? 
Guardo o livro dentro da bolsa e checo meu celular em busca de alguma mensagem ou coisa parecida, mas não encontro nada de novo. 
Coloco o celular dentro da bolsa enquanto levanto e começo a caminhar até o campo. Quando chego, noto que como de costume nesse tipo de palestra, e há um palanque bem no meio do campo enquanto os alunos assistem à palestra sentados na grama ou em pé. 
Tento avistar alguém conhecido, mas minha procura é em vão. 
Então me sento em um lugar qualquer na grama, olho para o palco e vejo que o reitor acabou de pegar o microfone para dar os “avisos”. 
Depois de muita falação chata sobre novos alunos e etc., ele resolveu chegar ao ponto principal e crucial do discurso. 
— Fizemos um reunião para fazer decisões em relação aos dormitórios, e resolvemos que devido à quantidade de alunos, alguns quartos irão ser mistos e ocorrerá algumas mudanças quanto aos parceiros. Alguns de vocês irão, ou mudar de quarto, ou ganhar o novo colega. Resolvemos que será melhor assim, mas... — deu uma pausa — é óbvio que irão existir regras, embora seríamos tolos de achar que vocês as seguiriam ao pé da letra. — os alunos quiseram protestar, entretanto foram interrompidos — Silêncio! Não protestem, será melhor para vocês. — e deu de respirar fundo, prosseguiu. — Serão divulgadas listas contendo o nome de vocês e seus novos, ou não, colegas de quarto. 
Então entregou o microfone de volta para a Sra. Johnson que logo falou coisas como “isso é tudo, estão liberados”. 

***
Quatro dias depois saíram as listas. 
Eu ainda estava indignada com aquela mudança absurda. Onde já se viu? Quartos mistos em uma Universidade! 
Como assim? 
Muitas pessoas estavam em cima do mural querendo ver quem eram seus novos colegas. Resolvi esperar um pouco, sentada em um dos bancos de madeira que haviam por ali, até diminuir a quantidade de gente. 
Quando tinha apenas um pequeno grupo, me levantei, caminhei até o mural e procurei o número de meu quarto. 
“Quarto 297. Elizabeth Edwards & Justin Bieber.”
Justin Bieber. 
E se ele for um psicopata? 
Meu Deus, o que esse conselho pensou na hora de decidir isso? Estava tão bom com Bea, eu já tinha me acostumado. E agora isso. Esse tal de... 
Justin.
Por que tenho a impressão de que não foi uma boa ideia? Tirando o fato que ele é homem, claro. Mas também pode ser gay. 
O que seria legal. 
Olho novamente para a lista e vejo uma outra ao lado dela. Entretanto, no lugar de nomes de alunos, há regras. Começando com um prazo que diz que eles têm dois dias para se instalarem. 
Penso em Bea e imediatamente pocuro o nome dela. 
“Quarto 189. Beatrice Lewis & Alison Grey.” 
Alison? Tudo bem mas… Homem ou mulher? 
Odeio nomes unissex. 
Faço uma careta olhando a folha junto com o resto das regras sobre relacionamentos e tudo o mais, devido aos quartos mistos. 
Leio, mas não deixo de pensar que o que eles estão querendo dizer é: Se engravidarem, serão expulsos do dormitório. 
Justo. 
Olho envolta e ninguém, exceto eu, parece estar chateado com as mudanças. Alguns parecem até mais aliviados de terem novos colegas ou novos quartos depois de anos. 
Maldita Universidade. 
Maldito Reitor também. 
E maldita eu que nunca consigo encarar uma mudança simples e boba como qualquer ser humano normal. 
Definitivamente, eu tenho um problema. 
Instantes depois, sinto o celular vibrando no bolso da calça. É uma mensagem de Bea.
“Já viu a lista?” 
Respondo que sim e envio. Antes que eu coloque o celular de volta no bolso, ele vibra novamente. 
“Estou indo para o quarto arrumar minha coisas. Me encontra lá?” 
Respondo e sigo caminhando até o quarto. Quando chego, a encontro colocando roupas dentro de uma de suas malas cor de rosa que estão em cima da cama. 
— Oi. — digo, chamando sua atenção enquanto fecho a porta. 
— Olá. — responde com um sorriso. — Se você viu meu nome na lista, o que eu acho que sim, e se eu te conheço bem você deve estar se perguntando... 
— Homem ou mulher? — falamos ao mesmo tempo, rindo em seguida. 
— É por isso que está com tanta pressa para me deixar sozinha com um desconhecido? 
— Liz... — diz tentando se segurar para não rir do meu falso drama. Mas eu a ignoro e continuo. — Se esse cara for um psicopata e quiser me matar? — ela ri. 
— Ele não é nenhum psicopata, ele estava olhando a lista na hora que eu fui ver. — diz arqueando uma sobrancelha numa expressão sugestiva. 
— Ele é gay? 
— Gay? Por que a pergunta? 
— Sei lá. Talvez, se ele for, eu me sinta mais segura de estar recebendo um homem no meu quarto! 
— Querida, não sei como você vai se sentir, mas... Ele é um gato! Se eu não fosse comprometida, eu iria ficar com uma profunda inveja de você por dividir um quarto com aquele homem. 
— Então, ele é bonito? Mas tem certeza que não é gay? 
— Absoluta. 
— E se ele for um psicopata? Tem certeza disso também? 
— Elizabeth Edwards, pare de ser tão neurótica! Tem mais uma coisa que eu descobri. 
— Ele foi transferido de Nova York e... — fez uma pausa — ele cursa Direito. Tem vinte e dois anos e provavelmente vai ser seu colega em classe. Ah, e ele é solteiro! — sorriu. 
— Tem certeza que não flertou com ele? — perguntei, estreitando os olhos. 
— Não me olhe assim! Sou fiel a Ryan e você sabe. Mas nem por isso eu deixei de ser curiosa... Fui apenas amigável. 
— Amigável? 
— Sim! E por isso, estou arrumando minhas coisas, hoje à noite o Justin vem pra cá. Acho até que vai ser legal você ter um colega de Direito com você... Podem estudar e se conhecerem melhor. Huh? — sorriu maliciosa. 
— Ai, era só o que me faltava! 
Beatrice Lewis dando uma de cupido pra cima de mim. 
Que ela fique bem longe de Justin Bieber, pensei enquanto caía de bruços na cama. 

***
Depois que Beatrice acabou de arrumar as suas coisas nas malas, eu ajudei a levar as coisas para seu novo quarto, mas a pessoa que ainda não sabemos se é homem ou mulher ainda não tinha chegado. Fiquei continuando ajudar Bea enquanto esperávamos pelo ser desconhecido. 
— Eu acho que Ryan é o mais empolgado para saber se essa pessoa é homem ou mulher. — disse ela rindo. 
Ryan é muito ciumento, mas com razão, é claro. 
Beatrice é uma pessoa linda tanto por dentro quanto por fora. 
E eu acho que estou meio deprimida de perder minha colega de quarto. 
— Então, se for homem, que ele seja feio... 

Mas com sorte, era uma mulher. Loira de cabelo curto, baixinha e simpática. 
Ficamos jogando conversa fora enquanto o tempo passava e Bea terminava de arrumar o quarto. Já era noite quando acabamos e eu achei Alison Grey uma pessoa bacana. 
Só espero que o tal Justin Bieber também seja. 
Vou à lanchonete e como um sanduíche antes de voltar ao meu quarto. 
Se estou adiando conhecer o tal Justin? Pois é. 
Olho para o relógio enquanto subo as escadas e noto que são quase oito e meia da noite. Caminho pelo corredor e paro em frente á porta. Abro, mas as luzes estão apagadas, o que significa que ele ainda não chegou. Entro no quarto acendendo as luzes e percebo uma pilha de livros de Direito idênticos aos meus em cima da escrivaninha. Entre outros mais. Bem, chegar ele chegou, só não está aqui. 
Caminho até o armário e, ao abrir, encontro várias roupas e calçados masculinos. 
Assim como vários bonés e um mini baú trancado com um cadeado. 
Vou ao banheiro e encontro instrumentos de barbear, e mais coisas de homem. 
É, pelo visto ele já arrumou tudo e depois resolveu sair. 
Volto para o quarto e pego meu notebook. Dou uma olhada no que tenho que estudar a partir da próxima semana e depois fico navegando na internet aleatoriamente. Após algum tempo, desligo o computador e pego novamente meu exemplar de Edgar Allan Poe para ler. 
Quando acabo de ler e olho para o relógio ao lado da cama, noto que já passa das dez horas e eu me sinto cansada e com sono. Mas antes de me deitar, pego meu pijama e vou ao banheiro tomar banho. 
Quando acabo, escovo os dentes e em seguida volto para o quarto, me deito, mas ainda não consigo dormir. Provavelmente meu corpo e mente ficaram acostumados com o pouco descanso que tive nas últimas semanas e talvez seja por isso que não consigo adormecer, mesmo que tenha sono. 
Encaro o teto por alguns minutos, depois mudo de posição várias vezes, tentando ficar confortável. Viro de lado e me aconchego na cama, e penso que talvez seja melhor olhar para a parede ao invés do teto, pra variar. 
Sarcasmo à parte, eu meio que pareço uma morta-viva olhando para o teto de madrugada. 
Enfim... 
Quando estou quase adormecendo escuto a porta sendo aberta e sei que Justin Bieber finalmente chegou. Ouço-o caminhar pelo quarto e pegar algo no armário e em seguida escuto a porta do banheiro sendo fechada. Quando escuto o chuveiro ser aberto, me viro e olho ao redor do quarto percebendo uma mochila preta ao pé da escrivaninha. 
Minutos depois, ouço o chuveiro sendo desligado e imediatamente volto para a mesma posição que me encontrava quando ele chegou, fingindo dormir. Quando escuto ele se deitar na cama, espero um pouco e mudo de posição ainda fingindo dormir. 
Vagarosamente, abro os olhos torcendo para ele não estar acordado. Então eu noto que ele está virado de bruços, com o rosto virado para a parede. Não sei se dorme ou não, mas está imóvel na cama. 
Abro os olhos e percebo que ele está sem camisa de modo e o lençol está cobrindo-o apenas da cintura para baixo, expondo todos os músculos de suas costas e eu não tenho certeza se ele usa alguma roupa por baixo. 
Ai. Meu. Deus. 
Tenho um cara pelado no meu quarto? 
Passo alguns minutos tentando tirar pensamentos impuros da minha cabeça, até que finalmente consigo adormecer. 

Quando acordei na manhã seguinte, Justin Bieber já havia saído do quarto. 
Caminhei até o banheiro e fiz minha higiene matinal, para depois arrumar minha cama, pegar minha bolsa, colocar um livro dentro dela junto com meu celular e, por fim, sair do quarto para tomar café da manhã na lanchonete. 
Pedi novamente um sanduíche natural e um suco e após comer o sanduíche, peguei meu exemplar de “Formatura Infernais” de dentro da bolsa. 
Comecei a ler e estou entretida, terminado o conto “O ramo de flores” de Lauren Myracle, enquanto brinco com o canudo na garrafa de suco, terminando de beber aos poucos. 

Com um estrondo, a fechadura se abriu.
— Sim. —Will vociferou.
A porta assobiou em cima do gasto tapete no exato instante em que meus dedos se fecharam no ramo de flore sem desintegração.
—Frankie? Por que está tão escuro? E por que você não está...
Eu fechei meus olhos e pronunciei meu pedido final. Todos os sons pararam, salvo pelo farfalhar do vento nas folhas. A porta, continuando sua lenta trajetória, bateu com força contra a ombreira da porta. Eu permaneci onde estava no chão. Chorei, pois meu coração estava partindo. Não, o meu coração estava partido.
Após vários instantes, as cigarras novamente retomaram seu coro nostálgico.
Levantei-me, tropecei pela sala e fiquei, tremendo, na entrada aberta. Lá fora, um raio pálido da luz do luar brilhou na estrada vazia. 


E...Fim. 
Nunca entendi direito esse conto, mas sinto vontade de chorar em determinadas partes, como quando Frankie se desespera pela morte de Will e quer trazê-lo de volta. 
Suspiro. 
Mas, oi? O cara já estava em decomposição há duas semanas. Sério que você não estava esperando um zumbi, querida? 
Fizesse o pedido direito, então. 
Termino de beber o suco, enquanto folheio algumas páginas do livro, distraída. 
— Posso me sentar aqui? — diz uma voz. Levanto o olhar para seja-lá-quem-for o dono dela parado ali na minha frente e mal acredito no que vejo à minha frente. 
Ai. Meu. Deus. 

Dois

O cara à minha frente é o mesmo cara do meu pesadelo e eu estou paralisada, mordendo o canudinho da caixinha de suco enquanto ele sorri pra mim e ele é tão lindo que apenas depois eu percebo que ele ainda está falando. 
— Você está bem? — ele pergunta, tocando meu braço e antes de pensar, eu já estou afastada e ele não está mais sorrindo. 
— Sim. — respondo. — Eu já acabei, e estou indo. Pode ficar. — digo e pego minha bolsa. 
Dou as costas, pronta para ir embora, mas paro quando o escuto falar novamente. 
— A propósito, desculpe não ter me apresentado ontem... 
Espera... Viro-me para ele e pergunto: 
— Do que está falando? 
E ele sorri um pouco antes de dar os ombros e perguntar: 
— Você é Elizabeth Edwards, certo? — eu afirmo com a cabeça e já sei o que ele vai falar, mas não tenho certeza se eu quero... — Sou Justin Bieber, seu novo colega de quarto. —... Ouvir. — Você estava dormindo, então... 
— Ah... Você... — é só que eu consigo dizer e ele se esforça para conter um sorriso. Claro, eu devo estar parecendo uma louca parada aqui olhando pra ele sem fazer ou dizer nada. 
Quando estou prestes a fugir dali, Bea aparece e nos cumprimenta. 
Claro que, para depois nos encher de perguntas irrelevantes. 
— Na verdade, acabamos de nos conhecer. Ontem eu cheguei tarde e Elizabeth estava dormindo. E quando eu fui arrumar minhas coisas durante a tarde ela também não estava lá. 
— Quase como se ela estivesse fugindo. — Bea disse e os dois riram. — Mas não se preocupe, Justin. Logo vocês irão se entender melhor. — E olhou para mim com aquele olhar de eu-disse-que-ele-era-um-gato. 
— Bea, será que eu posso conversar com você? 
— Claro. Com licença, Sr. Bieber. 
— À vontade, senhoritas. — sorriu. 
Caminhamos um pouco e quando estava suficientemente longe para ninguém escutar, eu resolvi falar. 
— Tudo bem, eu sei que vai parecer estranho, mas eu tive um sonho, ou melhor, um pesadelo. Onde um cara muito bonito cortava a minha garganta, e Bea, eu não estou louca. O cara do meu pesadelo era Justin Bieber. 
— Liz, você está imaginando coisas. É o estresse que está fazendo isso, amiga. Você tem estudado muito e isso está te sobrecarregando. 
— Bea, eu não estou louca. Eu tive esse pesadelo e foi antes de conhecer esse cara. 
— Tudo bem, me escuta. Você precisa aproveitar esses dias de folga e relaxar um pouco. Aproveita e conversa com o Justin, se diverte um pouco... Descontrair, entende? Você anda muito tensa ultimamente, amiga. Logo você vai perceber que foi tudo produto da sua imaginação, se quiser eu até posso chamar o Ryan pra conversar um pouco com você. Você está parecendo uma pomba doida perto daquele colega de quarto sexy. 
Eu suspiro quando ela termina de falar. 
— Tudo bem, Bea. Vou tentar fazer isso. 

***


Cheguei ao quarto, depois de voltar de passar um tempo com Beatrice e Alison e encontrei Justin Bieber deitado à cama com um livro de filosofia em mãos. 
— Olá. — saudou-me. 
— Ei, Justin. — respondi. 
— Como vai, Elizabeth? 
— Bem e você? 
— Bem. Ei, eu vi que você tinha uns livros legais, mas não queria mexer sem sua permissão. Posso? — perguntou apontando para a pilha de livros de leitura que eu mantinha numa prateleira acima da minha cama. 
Assenti com a cabeça e ele caminhou em direção até que parou ao meu lado, a uma distância considerável e esticou os braços para pegar alguns livros. 
— Você lê muito? — quis saber. 
— De fato, não tenho mais tanto tempo quanto antes... Mas sempre que eu posso, eu leio algo. 
— Eu conversei com Bea ontem e ela mencionou que você estuda muito. — ele disse. 
— Tenho tido um pouco de dificuldade com a disciplina da Sra. Hamilton. 
— Bem, eu soube que ela tem um temperamento e tanto. Mas, se quiser, eu posso tentar te ajudar, podemos estudar juntos. — sugeriu. 
— Não sei... 
— Vamos lá, Liz. Não acha que seria estupidez não estudarmos juntos? A não ser que você se importe ou fique incomodada... 
— Você me chamou de Liz. 
— É o seu apelido, não é? Você se ofendeu? Se quiser, eu posso... 
— Não, não... Tudo bem. Elizabeth é um nome grande demais. 
— Eu acho um nome lindo. — falou. — Sendo assim, chame-me de Jus. 
— Você é de Nova York? — perguntei. 
— É. — ele respondeu depois de um tempo. — Você gosta de Edgar Allan Poe? 
— Pois é. E você? 
— Está brincando?! Ele era tipo um mestre do terror! Mas eu também gosto de algumas obras de Shakespeare, esse sim era o mestre das tragédias. — disse e rimos. 

De alguma forma inexplicável eu comecei a ficar á vontade na presença dele, claro que eu ainda estava nervosa. Tipo, “Ei, tem um cara lindo falando comigo e eu não quero parecer mais atrapalhada do que já sou”., embora ache que não seja a única pessoa da face da Terra que fique intimidada com pessoas mais bonitas. 
E carismáticas. 
E que têm um sorriso de derreter corações, do tipo que é quase impossível não sorrir junto. 
Aaaah. Se eu fosse um personagem de algum anime, provavelmente eu estaria com corações no lugar de olhos, toda vez que Justin sorrisse. 
Agora estávamos em uma conversa sobre filmes clássicos, e Jus imitava Norman Bates, do filme Psicose. Segurando uma faca imaginaria e cantarolando a famosa música que antecede a morte das vítimas. 
— Juro que fiquei esperando a música quando ele entrou no banheiro, mas só apareceu depois que a mulher estava gritando. E quando o detetive morreu, não pude deixar de rir. Dava pra ver os “efeitos especiais”. 
De repente, ríamos que nem crianças, sentados na minha cama, um em frente ao outro. Justin sorria bobo enquanto me olhava e eu tinha vontade de morder aquele sorriso. 
No dia seguinte, Justin me convidou para tomar café da manhã com ele. 
Dessa vez, eu pedi um pedaço de torta de limão — é, nada natural, eu sei —, mais um copo de suco de maçã. 
Mas isso não é interessante. A parte legal era que o Justin era lindo, e eu não falo só da aparência. Passamos horas conversando ontem sobre livros, filmes, entre outras coisas. 
E eu descobri que não, o Justin não dorme pelado, ele dorme de cueca, “em respeito a você, Liz”, foram as palavras dele. 
Faltavam ainda alguns dias para as aulas voltarem, mas nós já havíamos praticamente estabelecido um horário de estudos, e Justin disse que vai me ajudar com Sociologia Jurídica; ótimo, quem sabe assim, com um pouco de ajuda, a Sra. Hamilton não me esfole viva. 
Quando acabamos o café da manhã, eu me despedi brevemente de Justin e fui encontrar Bea e Alison na biblioteca, não sei nem porque elas marcaram lá; folga mais corte e costura. Isso definitivamente são coisas que não se ligam à biblioteca, Bea deve estar tramando algo e possivelmente tenha persuadido Alison a ajudá-la. 
E o pior: Temo que eu seja a vítima do plano seja-lá-qual-for maléfico dela. 

Bea me recebeu com um sorriso ao abrir a porta, me puxar para dentro e depois fechar — e trancar — a porta de uma das sessões reservadas da biblioteca. Agora estou aqui encarando ela e Alison, enquanto as duas têm um olhar predador em cima de mim e a única coisa diferente que eu vejo na salinha é um quadro branco pequeno.Droga.
Sou mesmo a vítima. 
— Realmente? — murmuro para Bea enquanto olho para o quadro branco ao lado de Alison. — Aposto que o Ryan deve estar trabalhando ou sei lá o que, e você está entediada e persuadiu a Alison a isso daqui. Tudo bem, Bea, o que é dessa vez? Quer que eu seja seu manequim de novo? 
— Quase isso, Liz. E o Ryan está coma mãe dele, mas nos chamou para sair hoje à noite. E não adianta negar porque foi vai e fim de papo. 
— É isso aí. E agora Bea e eu vamos nos divertir um pouco arrumando você. — Alison falou. 
Suspiro e Bea já entende que esse é meu sinal de rendição. Ela sorri e se vira para Alison. Essas duas realmente se merecem. 
— Alison, já podemos começar. — ela diz e Alison vira o quadro que contém alguns desenhos e anotações. — Então, para hoje nós pensamos que talvez você goste de usar um... 


***


Um sapato vermelho de veludo mais alto que o Ryan, uma saia de couro preta com uma blusa que eu ainda não sei se é azul ou verde, com o tecido cheio de pequenos brilhinhos. Pelo menos é confortável. 
Menos o sapato, porque eu não sei se vou conseguir aguentar ficar muito tempo com ele, mas levando em consideração que eu quase não danço e vou provavelmente ficar a maior parte do tempo na mesa enquanto meus amigos dançam... 
Olho novamente para o espelho e vejo meu rosto maquiado, estou em óculos e com meus olhos escuros cheios de delineador e um batom vermelho vibrante na boca. 
Oh, claro. E uma trança folgada no cabelo. 
Levando em consideração que é meu último final de semana de folga até o fim do ano, talvez seja bom eu aproveitar ao menos uma vez. Bea está terminando a maquiagem enquanto Alison já está se vestindo. Resolvo ir ao meu quarto novamente para pegar meu celular que deixei lá antes de sair para ser cobaia delas duas. Quando eu chego, a porta está trancada, então abro com minha chave. Penso que por isso talvez não tenha ninguém, mas logo escuto o barulho do chuveiro no banheiro, e sei que Justin está lá. 
Pego meu celular e vou em direção ao armário para procurar uma bolsa. Olho para minha bagunça e, em seguida,para o relógio acima da escrivaninha e desisto, resolvendo pedir uma a Bea. Quando me viro, pronta para sair dali acabo tropeçando na escrivaninha, derrubando meu celular no tapete. Fico de joelhos para pegá-lo e até agora eu não tinha percebido que o chuveiro havia sido desligado e a porta havia sido aberta, até um Justin Bieber irritado falar: 
— Como entrou aqui? Quem é... — Oh, ótimo. Levanto meu rosto com uma expressão irônica que se desfaz quando vejo que ele só tem uma toalha branca enrolada na cintura, e o corpo ainda está molhado com pingos de água escorrendo pelo seu peito. — ...você...? 
Então percebo que eu não sou a única constrangida ali. 
Rapidamente me levanto, e olho novamente para Justin, tentando ignorar a tentação infernal que está seu corpo molhado, junto com meus pensamentos impróprios. 
— Liz... 
— Oi, Justin. 
— Me desculpe, eu pensei que fosse outra pessoa. É que você está tão... Diferente. 
— Por que geralmente eu sou sem graça, não é? 
— Sim... Quero dizer, Não! Não é isso. Claro que não, é só que... 
— Você não esperava me encontrar de saia, saltos e maquiada... 
— Não esperava te encontrar aqui. Se não eu teria levado roupa pra me trocar no banheiro. Você nem avisou, nem fez barulho quando entrou e eu te encontro assim toda arrumada... Pensei que alguém tinha invadido ou sei lá. E... Espera aí... — Então ele olha novamente para mim de cima a baixo e seus olhos se estreitam e ele tem uma expressão bem estranha quando pergunta: 
— Aonde você vai assim toda arrumada e com quem?
— Tudo bem, Justin. Vou deixar você sozinho para se trocar e vou fingir que não escutei essa pergunta idiota que saiu da sua boca. O que você acha? Esse é o nosso último final de semana de folga e eu resolvi aproveitar. Agora você já pode parar de me olhar como eu se fosse um E.T, só porque eu quis me arrumar pra sair e me divertir com minhas amigas. Não que isso seja da sua conta. Então, tchau para você e até qualquer hora. — falei e então, saí. 
Quem ele pensa que é pra me olhar daquele jeito? Aposto que ele pensou que eu fosse alguma nerd que não sabia nem o que era um brilho labial. 
Idiota. 

Três

— Tem certeza que não quer beber nada? — perguntou logo depois que Bea e Ryan forma para a pista de dança. 
— Não, Alison. E você pode ir dançar, se quiser. Aquele cara — sinalizei com a cabeça para um rapaz que estava perto do bar com uma cerveja na mão —, não pára de olhar pra cá e eu sei que você já percebeu. Vai lá falar com ele. 
— Mas... 
— Vai logo. Eu vou ficar bem, e você sabe que eu só vim porque Beatrice me obrigou. Caso contrário, eu estaria sozinha no meu quarto... 
— Sozinha com Justin Bieber... 
— O quê? Não mesmo. Ele é um babaca. 
— Por quê? Pensei que estivessem se dando bem. 
— Bom, ele é como todos. Só porque hoje estou arrumada e maquiada, ele me olhou como se eu fosse um E.T, e eu me senti meio que um tipo Betty quando ele fez isso. Não sei por que a surpresa. De verdade. 
— Bem, talvez seja porque você o pegou de surpresa. 
— Ele pensou que eu fosse uma intrusa no nosso quarto. Depois ficou com uma cara de paisagem, sem falar nada. 
— Ainda acho que foi apenas surpresa. — falou rindo. — Talvez agora ele perceba como a colega de quarto dele é bonita. 
— Quem disse que eu quero isso? 
— E não quer? Ele é o tipo Senhor Sexy & Educado. — disse ela enquanto me jogava um olhar “Capiche” junto com uma piscadela. 
Sério. Alison às vezes pode ser pior que Beatrice no quesito esquisitice. Eu mal a conheço e já percebi isso. 
— Não estou interessada, mas acho que você sim. — falei sorrindo. 
— Bieber? Não mesmo. — disse e revirei os olhos. 
— Não ele, mas o cara ali no bar... 
— Oh. Ele... 
— Vai logo, antes que eu te arraste até lá. Ou pior, que eu o chame. 
Após um suspiro, ela concordou e se levantou indo até o rapaz que agora sorria vendo-a se aproximar. 

Alguns minutos se passaram desde que Alison saiu. Bea e Ryan sumiram e eu ainda estou sentada neste sofá de estofado vermelho escuro, suspirando de tédio, com um cherry cola pela metade e quente na mão. 
Sinto alguém sentar no sofá, mas estou distraída observando nada até que sinto alguém tirando a lata de refrigerante da minha mão para colocar na mesinha de centro em frente ao sofá. Viro-me e dou de cara com um ser até então desconhecido pra mim, sorrindo como um lagarto após murmurar um “e aí, gata?”; abro a boca pra responder, mas sou interrompida com um “quer dançar?”. 
— Não, obrigada. — respondo, mas ele insiste. — Eu não danço. — digo seca e pausadamente esperando que ele entenda dessa vez. 
— Vamos lá, só uma música. — e se aproxima de mim, puxando-me pelo braço. 
— Já disse que não. — me liberto dele e levanto pronta pra sair dali, mas ele me puxa pelo braço e eu perco a paciência. 
Sinto uma raiva repentina, fechando minhas mãos em punhos e sem pensar duas vezes, viro-me socando sua face direita. 
Só depois de escutar um “vadia”, é que percebo o que acabo de fazer. Antes que eu possa falar ele prende meus braços junto a seu corpo. 
— Me larga, imbecil. 
— Ou você vai fazer o quê? Não pode mais usar as mãos, gatinha. 
— Tem razão, mas eu ainda tenho pés. — falo sorrindo e chuto a canela dele, e ele se afasta rapidamente, mas estou com tanta raiva que agarro em seus ombros e levo meu joelho a barriga dele, fazendo perder o fôlego e curvar-se enquanto me xinga. — Isso é pra você aprender a não se meter mais comigo. Au revoir, idiota. — digo sacudindo os dedos e me viro para sair dali, mas me choco contra um corpo, fazendo com que eu perca o equilíbrio, mas a pessoa me segura e me impede de cair. 
Olho para cima e reconheço o dono daqueles olhos cor de mel magníficos, que me olha meio espantado. 
Ele volta seu olhar para o cara do sofá que ainda tenta recuperar o fôlego e depois fala pra mim: 
— E eu achando que você precisava de ajuda até ver você socar ele. — E ainda com os olhos meio arregalados, ele sorri pra mim antes de dizer: 
— Brilhante. — E de repente, por um milésimo de segundo, eu esqueço que estou com raiva dele. 
— Obrigada. Agora se me der licença... — gesticulo com as mãos para mostrar que ele me impede de sair do local. 
— Escute, Liz... Eu preciso falar com você. Você não me entendeu naquela hora no nosso quarto. Sinto muito se você se chateou. E você tem razão, você não tem obrigação nenhuma de dizer para onde vai ou com quem... 
Ele me olha apreensivo e eu penso por um instante e chego à conclusão de que não faz sentido ficar com raiva dele por uma besteira. Afinal, ele não foi que nem o cara do sofá ou outros no pub quando me viu. 
E eu detesto admitir, mas Alison estava certa. 
— Tudo bem, Justin. — falo e ele sorri. 
— Ótimo, agora dança comigo? — pergunta estendendo a mão. 
— Desculpe, mas eu não danço. Sério. 
— Para tudo tem uma primeira vez... — apela, e eu o olho, indecisa. — Prometo ser um cavalheiro. — diz e eu rio. 
Seguro sua mão e digo: 
— Mas só uma. Depois eu vou embora. 
— Sim, senhorita. — responde me guiando pela a mão até a pista de dança. 

Uma música lenta começa a tocar e eu reconheço como “You and me” do Lifehouse. Justin delicadamente me puxa pela cintura e me abraça começando a dançar. Eu não sei o que fazer com minhas mãos e acho que ele adivinha, porque coloca meus braços em torno do meu pescoço. 
De repente não estamos mais sorrindo, mas apenas encarando um ao outro. E parece ser uma eternidade até que a música acaba e paramos de dançar aos poucos. Justin aproxima seu rosto do meu e eu começo a sentir um frio na barriga, eu sei o que ele pretende, mas estou nervosa então, de repente, eu falo: 
— Preciso ir agora. — ele volta seu olhar de minha boca para meus olhos e vejo a sombra de um sorriso em seus lábios, mas ele não se afasta. Em vez disso ele aproxima mais, me olhando nos olhos e, bem devagar, deposita um beijo em minha bochecha direita. 
— Vou com você. — ele diz e se afasta. Tento dizer que posso pegar um táxi, mas ele ignora e entrelaça sua mão a minha, me puxando em direção à saída. 

Olho para meu reflexo no pequeno no espelho do banheiro. Já não estou mais maquiada nem arrumada. Acabei de tomar banho e estou usando um pijama que constitui em uma regata branca e uma calça folgada azul com desenhos de nuvens brancas. Voltei a ser a velha eu, a garota que tenho quase certeza de que Justin Bieber não olharia como fez enquanto dançávamos. 
Justin disse que esperava eu tomar banho primeiro e que tomaria o dele assim que eu acabasse. Pego minhas roupas e respiro fundo antes de abrir a porta, mas quando abro o quarto está vazio. 
Não sei de foi uma onda de alívio ou mágoa que me atingiu por me encontrar sozinha aqui. Despejo minhas roupas no cesto de roupas sujas e começo a pensar que talvezJustin tenha mudado de ideia e voltado para se divertir com alguma garota de verdade. Mas logo sou interrompida por um barulho na porta. 
De repente as luzes se apagam, e eu me sinto fraca e caio no chão. Tudo que consigo ver na escuridão é um vulto de uma pessoa em pé, junto ao meu corpo caído. 
Depois disso, não vejo mais nada. 


***


Acordo com dor de cabeça. Mas não uma simples dor de cabeça, e sim daquelas como se tivessem batido, pisado e dançado em cima pra depois tocar fogo nos restos. Em resumo, dói pra caralho. Sento na cama e me sinto tonta, fecho os olhos e respiro fundo com as duas mãos na cabeça, suplicando para todos os deuses possíveis que façam parar aquela dor. 
Sinto vontade de chorar; olho o quarto e não tem ninguém. Com um pouco de dificuldade eu me levanto, e uso a escrivaninha como apoio, depois o armário... Até chegar ao banheiro. Faço minha higiene matinal e resolvo tomar um banho para tentar aliviar o mal-estar. Quando estou saindo do banheiro, acidentalmente tropeço na barra do tapete e caio no chão. Tento me levantar e não consigo e estou prestes a chorar com minha impotência quando a porta do quarto de abre. 
— Liz? — reconheço a voz de Justin e logo ele está ao meu lado; Suplico com o olhar por ajuda, enquanto ainda tenho minhas mãos sobre a cabeça. Sinto meus olhos arderem e já não sou mais capaz de segurar as lágrimas. Mal percebo que Justin me pegou no colo e acaba de me colocar na cama. De repente, começo a escutar o que ele diz. 
— Liz, o que está sentindo? Diga-me, por favor. — ele pede. Estou encolhida na cama, com as mãos na cabeça. 
Não sei de onde eu tiro forças, mas murmuro agonizada de dor: 
— Dor. — e levanto meu olhar para encontrar um Justin Bieber meio desesperado. 
Tento parar de chorar, porque sei eu só vai piorar, mas não consigo. E inda tem a claridade incomodando minha visão. — Por favor, feche as cortinas. — peço e rapidamente ele me atende e o quarto está escuro. 
Após isso, ele caminha até o banheiro e instantes depois chega ao meu lado com dois analgésicos e um copo de água. 
— Aqui, querida. Eu te ajudar a sentar — ele diz, enquanto tento me levantar. — Agora abra a boca. — pede e eu obedeço, fraca demais pra discutir. Bebo a metade da água do copo e depois me deito novamente e Justin me ajuda a entrar debaixo do edredom. — Calma, vai passar. — sussurra com a voz suave, enquanto acaricia meus cabelos. Tento agradecer, mas ele rapidamente me interrompe. — Não precisa agradecer. — Abro os olhos e encontro seu olhar que está angustiado por algum motivo que não conheço. — Durma agora. 
E então, quase imediatamente, eu caio no sono. 
Quando acordo novamente, eu olho para o relógio e é quase meio-dia. Já estou bem melhor, olho para o quarto antes de me levantar e encontro com Justin em sua cama. Quando ele nota que acordei, vem e se ajoelha à minha frente. 
— Oi, você está melhor? — pergunta, enquanto segura meu rosto entre as mãos. Balanço a cabeça em sinal positivo. 
— Por que você faz direito? Daria um ótimo médico. — eu falo e ele sorri, mas percebo que ele ainda está assustado. — Obrigada por cuidar de mim, você não precisava fazer isso. 
— Sério? E pode me dizer como você ia se virar sem mim? 
— Eu provavelmente teria ligado para Bea, pedindo ajuda. — falo, mesmo sendo mentira porque eu estava fraca até pra segurar uma folha de papel quanto mais conseguir fazer uma ligação. 
Tudo bem, a folha de papel eu agüentaria. Possivelmente. 
— Antes ou depois de desmaiar? — indaga com um olhar incrédulo no rosto e um sorriso de lado. 
— Se você for ficar arrogante, eu retiro meus agradecimentos. — resmungo, fazendo-o rir. — O que aconteceu? Ontem faltou luz? Por que é só disso que eu me lembro. 
Ele me encara sério, antes de dizer: 
— Você provavelmente teve um sonho
— É mesmo? Agora vai dizer que não saiu do quarto enquanto eu estava no banheiro? 
— Saí, mas voltei quando você estava colocando suas roupas no cesto. — ele diz e eu o encaro nos olhos. — Você falou que estava com muito sono, e logo depois se deitou para dormir e eu fui tomar banho e me deitei em seguida. Saí de manhã para comprar algo pra gente comer quando acordasse e quando voltei te encontrei no chão. 
— Ah... — murmuro, ainda confusa e sem lembrar de nada. 
— Bea ligou enquanto você estava dormindo, queria saber como você tinha voltado pra cá ontem e eu falei que nos encontramos e viemos juntos, e também falei que você estava dormindo porque tinha se sentido mal de manhã. Ela desejou melhoras e deixou um recado. 
— Ah, é? Que recado? — perguntei apreensiva. 
— Que você nem pense em ficar doente o resto da semana. Por que, doente ou não, você vai servir de manequim pra ela na quinta à noite, para aquela roupa que ela disse que você sabe qual é. 
— Droga. Espero que não tenha brilho demais. 


***


Duas semanas se passaram desde o dia em que passei mal e Justin cuidou de mim. No dia seguinte, depois que eu melhorei consideravelmente, começamos a estudar juntos. 
Também foi o dia em que nossas aulas começaram e que eu descobri que Justin e eu tínhamos praticamente todas as aulas juntos. 
Agora estamos aqui, revisando a aula de sociologia jurídica que tivemos hoje com a Sra. Lucy Carrasco Hamilton. 
Justin está lendo um texto que recomendaram para os estudos e eu estou, (juro que sim), tentando prestar atenção. Admiro-o enquanto lê e mantém seus olhos concentrados na folha a sua frente e tenho quase certeza de que se eu saísse agora mesmo do quarto, ele não notaria tamanha a sua concentração. 
Repentinamente, sou tirada de meus pensamentos quanto noto que ele está calado, me encarando. Tento ler sua expressão, mas é impossível, assim como estão os seus olhos, mas estes com um brilho diferente. Ainda olhando nos meus olhos, ele pergunta se eu entendi o texto e apenas balanço a cabeça, mesmo que não tenha prestado atenção, eu já tinha lido na sala de aula. 
Ele assente com a cabeça, mas não afasta seu olhar de mim. Logo é como se estivéssemos em uma bolha e ficamos apenas olhando um ao outro. Seus olhos parecem mais claros do que nunca, de um jeito tão bonito que a única coisa que eu quero fazer é olhar para eles e aquele rosto bonito que os contém. Abro minha boca para falar e digo antes que possa pensar: 
— Você é tão bonito. 
Coloco uma mão em seu rosto e acaricio. Ele fecha os olhos sentindo o carinho e murmura: 
— Beleza não é tudo. 
— Não falo apenas de sua aparência. — digo e é verdade. Já vi muitos rapazes bonitos na faculdade, mas nenhum de meu interesse. 
Ele abre os olhos. Em seguida, se aproxima de mim e eu sinto um frio na barriga novamente, mas não quero afastá-lo. Não ainda. 
— Você também. — sussurra antes de colar seus lábios aos meus em um beijo suave e delicado. Ele tenta aprofundar o beijo e de repente eu me afasto. 
— É melhor não. Desculpe. — digo e ele olha para mim, confuso. — Eu... Eu preciso... Preciso ir. — falo, afobada. Pego minha mochila, e caminho até a porta. 
— Liz... — ele chama, mas eu finjo que não escuto e saio de lá. 
Então caminho sem rumo, tentando espairecer e entender o que diabos aconteceu, ou quase aconteceu. Caminho até o lugar onde eu costumo ler, debaixo de uma árvore e retiro um pequeno caderno de capa preta de dentro da minha mochila. Nele é onde escrevo meus pensamentos e idéias para estórias fictícias, roteiro etc., para me distrair. Ás vezes também é como um diário, para desabafar, falar de meus sentimentos. E, pensando nisso, eu tiro um lápis grafite de dentro da bolsa e começo a escrever em uma folha qualquer. 

O que Justin Bieber diria se eu contasse que ele foi o único cara que eu deixei se aproximar de mim, por livre e espontânea vontade, sem qualquer pressão de amigos ou sei lá mais quem?
Se eu dissesse que nunca namorei, ou até mesmo fiquei de verdade com alguém?
Pois essa é a verdade, não porque nenhum cara nunca tenha se aproximado de mim, mas sim porque os que se aproximavam não eram suficientemente interessantes para eu querer ter algo além de amizade.
Eu nunca quis. Nunca me interessei. E fora que eu morava em uma cidade pequena, onde todos se conheciam e sempre havia fofocas. Era mais o tipo que sempre ficava em casa, não tinha muitos amigos, e gastava o tempo livre lendo, escrevendo, navegando na internet ou vendo televisão. Quando até meus familiares reclamavam que eu passava mais tempo em casa que fora?
Irônico, não? Ainda mais quando tem milhares de garotas que saem escondidas para festas ou coisas assim. E eu era justamente o contrário.
Até ele aparecer.


Fecho o caderno e fico encostada na árvore, apenas deixando meus pensamentos fluírem. Depois de um tempo, percebo que já começa a escurecer e olho as horas pelo celular. Resolvo então voltar para o quarto, depois de passar na lanchonete da universidade e comprar algo para comer. 
Estou há alguns metros perto da porta do meu quarto e observo o corredor quase vazio. Chego à porta do meu quarto, mas quando estou prestes a abrir escuto alguns ruídos vindos de dentro. Giro a maçaneta e a porta está aberta. 
Fico sem reação a ver uma garota — linda, por sinal —, com os braços presos à parede. Presos pelas mãos de Justin. Ela olha de soslaio e ao ver-me, sorri e não sei exatamente como, mas se desprende das mãos de Justin e o agarra pelo pescoço, beijando-o. É quando Justin a empurra. Ela sorri para mim fazendo com que ele vire rapidamente e seu olhar encontra o meu. Apenas encaro seu olhar confuso e eu não sei exatamente por quanto tempo, mas uma raiva se apossa de mim, e antes que perceba estou gritando: 
— Fora daqui! — e olho para a garota que me olha ainda sorrindo cínica, o que me irrita mais e eu estou me segurando para não ir até ela e arrancar cada fio daquele cabelo oxigenado. — Agora, sua cadela imunda.
Ela revira os olhos e caminha até a porta sem dizer nada. Quando ela sai, empurro a porta com força, fazendo com que bata. E eu estou com muita raiva, do tipo quero-quebrar-algo ou preciso-matar-já. Mas embora eu me sinta assim, tento me controlar contando de dez a zero e respirando fundo. 
— Liz... — Justin chama e eu viro e apenas o encaro como se estivesse prestes a matá-lo com a mente, se fosse possível. — Eu posso explicar. 
— Vou pedir mudança de quarto. — falo com uma calma surpreendente. 
— Liz... Por favor. — ele pede e eu perco a paciência. 
— Por favor, o quê, Justin? O que você vai me dizer agora, hein? — pergunto, cansada desses vai-e-vem idiotas. — Você me beija, eu saio um instante e quando volto eu te encontro aqui com uma vadia qualquer. Eu devo ter magoado muito seu ego pra você sair correndo pra primeira que aparecer. — cuspo, fazendo com que ele me olhe zangado. 
Perfeito. Estou mesmo querendo brigar. 
— Eu não fui atrás de ninguém. 
— Eu sabia desde o início que esse lance de “quartos mistos” ia dar merda. Mas só pra te lembrar, esse quarto também é meu. E eu não vou tolerar você trazendo garotas pra cá. Você é livre pra dormir com quem quiser, mas não aqui
— Liz, você não entendeu... 
— Eu quero respeito de você enquanto eu estiver aqui. Depois que eu sair... — digo e ele me interrompe. 
— Está louca se pensa que vou deixar você sair daqui. — diz com raiva. 
Rio sarcasticamente, antes de falar: 
— Como é que é? Você não manda em mim, e não tem nenhum, nenhum, direito sobre mim, entendeu? 
— Mesmo assim, você não vai. Não pode sair daqui. Não me importa o que você pense você fica nem que seja amarrada. — ele diz e eu quase explodo de raiva. 
— Ah, é? Então me assista ir até o reitor, idiota. — e vou até a porta. Mas quando estou prestes a sair, ele me puxa pela mão, fazendo com que eu me vire e colida meu corpo ao seu. 
— Você não vai. 
— Me. Larga. — falo pausadamente. 
— Não. 
— Vá atrás de sua namorada e me deixe em paz. — falo e me arrependo em seguida, ao ver seus olhos brilharem divertidos e uma sombra de um sorriso em sua boca. 
— Ela não é minha namorada, e eu não a quero. 
— Então, o que você quer? Infernizar minha vida? 
— Não. — diz enquanto me segura com uma mão na cintura, impedindo que me afaste. — Eu quero você. — sussurra no meu ouvido. 
E de repente, sou empurrada contra a porta e seus lábios estão nos meus, mas não tão delicados quanto à última vez. Ele faz pressão contra minha boca para aprofundar o beijo, e eu não tenho escolha a não ser abrir. 
Dessa vez não sinto frio na barriga, e sim como as tão famosas borboletas, ou filhotes de pterodátilos, quem sabe. Fico sem saber o que fazer, e acho que Justin nota porque ele diminui a velocidade do beijo e continua devagar, fazendo com que eu me acalme e relaxe. 
De repente, é como se eu não tivesse mais controle sobre meu corpo e eu encontro um ritmo com ele e minhas mãos estão divididas entre seu pescoço e peito. Então, não estou mais com raiva e é como se estivéssemos novamente em uma bolha, em um mundo só nosso. Afastamos-nos ofegantes e Justin continua a dar beijinhos em meu rosto e boca. Ele encosta sua testa à minha e me abraça forte. Ficamos assim até que nossa respiração normalize e é então que eu abro meus olhos para encontrar os dele. 
Afasto-me de seu abraço e caminho até a minha cama, e fico de costas pra ele tentando raciocinar um pouco. 
— Liz... — ele chama e eu automaticamente me viro para ele, enquanto abraço a mim mesma. — Precisamos conversar. — ele pede e eu apenas posso assento com a cabeça enquanto deixo minhas pernas cederem, fazendo com que eu caia sentada na minha cama. 

Quatro

— Não é o que você está pensando. — ele começa e eu perco a paciência.
— Eu posso não ter uma vasta experiência com relacionamentos como a que você parece ter, mas eu já li muito e adivinha só: Nesse tipo de cena, toda vez que isso acontece os homens da estória sempre, e eu quero dizer sempre — enfatizo — dizem a mesma coisa. “Não é o que você está pensando.” — repito, imitando-o. Com uma voz tosca, obviamente. 
— Estou falando sério. 
— Então só prova que os livros estão certos. Por mais clichês que pareçam. — sorrio docemente e vejo que ele cerra os punhos ao mesmo tempo que olha para algum ponto no teto do quarto como se estivesse pensando na próxima desculpa. 
— Liz... — respira fundo — Eu nem conheço aquela menina. 
— Bem, ela parecia te conhecer bem. Se é que me entende. — falo, apontando para ele e, pela sua expressão, tenho certeza que meus olhos estão cheios de acusação. 
— Eu não a conheço. — fala pausadamente, me encarando. 
— Pode jurar? — questiono e ele fica calado. — Foi o que pensei. — e me levanto, caminhando até a porta. 
— Tecnicamente. 
— Oh, claro. — Você só lembra de quando ela estava na horizontal em uma cama com você em cima dela. Sinto vontade de dizer isso, mas apenas digo: Não quero saber,Justin. Tudo bem se você quer namorar, ficar, transar ou sei lá com qualquer uma que aparecer —, digo levantando as mãos como em sinal de rendição. — Mas, eu não sou como essas garotas, portanto fique longe de mim. 
— Não pode estar falando sério. — murmura entredentes, se aproximando de mim. 
Eu estremeço com a aproximação mas ele não parece notar. Obrigada, Deus. 
— Então presta atenção agora, colega, porque eu vou falar muito sério agora: Fique longe de mim. — digo com o dedo indicador no peito dele, empurrando-o de leve. Ele agarra minha mão e eu meio que tenho um dejá vu, o que faz com que eu olhe para a mão esquerda dele, mas ela está vazia. Me acalmo um pouco. 
— Eu não sou quem você pensa que sou. — ele murmura meio zangado e, de repente, estou um pouco assustada, mas tento não demonstrar. Seus olhos, cerrados e um pouco mais escuros pela raiva, continuam a me encarar. 
— Estou começando a perceber. — e então já não estou falando sobre a garota no nosso quarto. — Por favor, me solte. — peço e fico surpresa com a calma que demonstro. 
Então, como se alguma coisa clareasse a mente dele, ele abre mais os olhos e me olha meio que com horror, como se a última coisa que eu tivesse dito houvesse sido um absurdo. 
Não digo nada, mas continuo encarando-o. Ele abaixa a cabeça por um instante e olha para o chão e, como se tivesse dado conta de algo, ele levanta a cabeça novamente. 
— Você está com medo de mim. — murmura, como se ele mesmo estivesse tentando acreditar no que acabou de falar. 
— Não estou com medo de você. — consigo dizer, mas não o convenço. 
— Está sim. — rebate ao mesmo tempo em que dá um passo na minha direção. Eu retrocedo um na mesma hora e ele pára. — Não precisa ter medo de mim, Liz. Eu nunca faria algo deliberadamente para te machucar. 
— Justin, por favor. Eu não quero continuar com isso. E eu sei que não é da minha conta com você sai ou deixa de sair, mas peço que respeite as minhas condições já que eu também moro aqui. É acho que é só isso o que eu tenho a dizer, saia se quiser, durma com quem quiser mas não aqui, está bem? Agora se não se importa, eu vou... — e sinalizo que para o celular na cama. 
— Eu odeio isso. — ele diz. — Olha só pra você! Com medo de andar pelo seu próprio quarto. — exclama e eu o olho espantada. — O quê? Vai dizer que é mentira? Eu não sou quem você pensa. E pare de me olhar como se eu fosse um E.T. 
— Eu... — tento pensar em algo para dizer, mas só consigo olhá-lo, meio parasilada pela súbita explosão. 
— Vou dar uma volta. — é o que ele diz antes de pegar uma jaqueta em cima da cama, e em seguida, sai do quarto quase levando a porta junto com ele. 

***


Seis dias se passaram desde a minha discurssão com Justin. E eu como sou muito, muito corajosa estou o evitando o máximo que posso. Lindo, não? Isso também inclui os estudos juntos que estávamos fazendo de vez em quando. 
Mas ele também não parece muito diferente de mim. Na verdade, acho que ele está fazendo o mesmo que eu ou que talvez até mesmo esteja indiferente. 
Como um grande “tanto faz” estivesse escrito na sua testa. 
Nos falamos apenas quando necessário, e na maioria das vezes são frases como: “Vai tomar banho agora?” ou “Que horas são?”. 
Tudo bem, a parte das horas é mentira. Afinal, é para isso que serve os celulares (na maior parte do tempo). 
Que seja. 
Agora passo mais tempo com minhas amigas. 
Ou talvez elas sejam só meu refúgio para evitar que eu olhe para Justin Bieber e lembre do que aconteceu (ou o fato de eu querer beijá-lo mesmo assim). 
Mas de qualquer forma, é sempre divertido passar um tempo com Bea e Alison. Inclusive agora que descobri que elas também utilizam a biblioteca. Pura ilusão minha, pensando que estudantes de estilismo viviam metidas apenas em ateliês para criar roupas. E, enquanto elas estudam alguma teoria — possivelmente mauluca — em relação ao mundo da moda, eu estou lendo tranquilamente. Ou melhor, relendo. 
Bea faz questão de me relembrar isso ao perguntar: 
— Por que vocês está lendo este livro de novo? Você leu no ano passado. 
— Por que ele é bom. — respondo, sem olhar para ela. 
— Oh la la! Olhem só quem acabou de chegar. — Bea fala, mas eu não presto atenção. 
— Olhem só se não é o Sr. Sexy. Porque mesmo que ele estuda Direito? — pergunta Alison. — Poderia muito bem ganhar uma grana louca sendo modelo. Cá entre nós, — falou mais baixo —, o cara parece um anjo de tão lindo. 
— A Liz tem sorte, Ali. — Bea disse e eu levantei a cabeça para olhar. 
— O que disse? Tenho sorte? 
— De ter um gostoso desse como colega de quarto. — respondeu Alison e eu meio que me irritei por elas estarem de novo falando de Justin Bieber. 
— Vocês não sabiam? Justin é gay. Mas ele não quer que ninguém saiba, por isso dá uma de machão. — falei e elas apenas riram mas pararam de repente por alguma razão.
— Quer dizer que eu sou gay? — Ora, que coincidência. Agora sei porque elas pararam de rir. 
Droga.
Olho para cima e vejo seu rosto de cabeça para baixo, ele está atrás de mim mas como não ligo para posturas, estou praticamente deitada na cadeira da biblioteca e consigo ver boa parte dele apenas assim. 
Mas isso não é interessante. 
Só o fato de ele estar emanando um perfume delicioso que eu não sei qual é, porque não ligo pra marcas nem nomes de perfumes, mas que talvez minhas queridas amigas saibam. Mas acho que elas estão ocupadas demais tentando não rir de mim para perceber isso. 
— Oi, Justin. — tento parecer natural, mas estou envergonhada e eu sei que ele notou porque vejo um meio sorriso arrogante em seu rosto. 
— Liz. — responde. — Será que podemos conversar por um instante? — pergunta e eu não sei o que dizer, porque é a primeira vez em quase uma semana em que ele fala mais que cinco palavras comigo. 
— Eu... 
— Vai, Liz. — Bea diz entredentes e sorri inocente. 
— Liz? — ele chama. 
— Tudo bem. 
Me levanto e ele me olha por um instante e é quase como se ele estivesse tentando acreditar que eu realmente concordei em conversar com ele. Faço um sinal com a cabeça meio que para alertá-lo de que estamos parados como dois idiotas. 
Então quando Justin finalmente resolve se mexer, ele segura minha mão e me leva até um canto onde não tem gente por perto. 
— Liz... eu não consigo. — ele diz e me olha, esperando uma reação. 
— Não consegue o quê? 
— Ficar longe, não posso mais te ignore eu não gosto que você me ignore, como se eu fosse um estranho. 
— Tecnicamente, você é um estranho. 
— Nós moramos juntos e tivemos tempo suficiente para nos conhecermos e fizemos isso. 
— Não, não fizemos. Eu sei tudo sobre você, até coisas que nem você mesma sabe. 
— Sério? O que, por exemplo? 
— Sei que você come sanduiches naturais no café da manhã apenas porque sua mãe acha mais saudável, mas na verdade você prefere besteiras como todo jovem adulto. Você adora pizza, ama ler e você não tem um livro favorito porque você gosta de vários. Também adora filmes de todos os tipos, exceto aqueles de ‘comédia americana forçada’, gosta de musicas em todos os estilos e até algumas mais antigas e que você geralmente não escuta, tipo Dean martin e Frank Sinatra. 
— Grande coisa, como você mesmo disse, nós moramos juntos. Qualquer um que conviva comigo pode perceber coisas banais como essas. 
— Não são só coisas banais e você sabe. E não é qualquer um, porque você é discreta. Às vezes, não gosta de conversar e é fria com qualquer um. Seu humor oscila mais que o pêndulo de um relógio quando você está na TPM. E você também tem um diário, você geralmente escreve nele em três situações: Um, quando está triste. Dois, quando está alegre. E três, quando está com raiva. E em algumas exceções, como quando você se sente insegura. Exatamente no dia em que brigamos, você tinha saído para espairecer e pensar nas coisas. Não é qualquer um que percebe isso. 
Ele acaba de falar e eu continuo impassível, mas olhando para um ponto qualquer que não seja os olhos dourados dele. 
— Não posso mais te ignorar. Nem mesmo quando você dorme, porque ás vezes você fala. Mas não pense que estou reclamando. — se apressou em dizer —, e eu sei daquele pijaminha que você gosta de vestir quando você sente calor durante a madrugada. — completa ele, em um quase sussurro e um sorriso arrogante na cara. 
E eu fico irritada. Abro a boca para falar algo, mas ele se aproxima e eu a fecho novamente. Dou um passo para trás e me encontro presa entre ele e uma parteleira enorme de livros. 
— Eu quero você, Liz. — diz e apoia os braços na prateleira atrás de mim. 
Eu não me mexo nem falo nada. Então ele chega mais perto e sussurra do meu ouvido: 
— E eu sei que você também me quer. 
E esse comentário prepotente faz com que eu fique rígida de raiva, e eu quero bater nele. Mas quando vou empurrá-lo ele agarra minha mãos com as dele, e entrelaça seus dedos no meu. 
Antes que eu posso dizer algo, ele cola sua boca à minha em um beijo suave ao mesmo tempo em que coloca meus braços em torno de seu pescoço. E o beijo dura alguns segundos. E eu quero ceder, mas não posso. Então, assim que ele solta minhas mãos e usa as suas para me abraçar pela cintura, eu quebro o contato de nossas bocas. 
Nos olhamos e sinto ele me apertar mais, como para que eu não fuja. 
— Por que fez isso? — pergunto, sem fôlego. 
— Você sabe porquê. 
— Não, eu não sei. 
— Porque eu quis, porque eu não posso ficar longe, porque eu não aguento ficar mais longe de você. — responde e se aproxima para me beijar novamente, mas eu viro o rosto. — Liz? 
Ele me olha sem entender. 
— Por favor, você pode me soltar agora? — peço e ele me encara por mais um minuto e então, atende ao meu pedido. 
Não digo mais nada, e nem ele. 
Apenas me afasto e volto para as mesa das meninas. 
E pelo visto elas vão me interrogar. 
— Ah. Meu. Deus. — Bea diz assim que me aproximo. — Você acabou de ser beijada. Você acabou de deixar um cara beijar você.
— Vocês estavam me espiando? — pergunto, e as duas parecem duas adolescentes empolgadas. 
— Querida, você estava usando batom quando saiu daqui, e voltou sem ele. Parece que o Sr. Sexy fez um belo trabalho aí. Sem falar nas suas bochechas vermelhas. — diz Ali. — Olha, tá um pouquinho borrado no canto da boca. — acrescenta e eu imediatamente passo a mão procurando tirar qualquer vestígio restante de batom. 
Mas quando elas começam a rir eu percebo que foi um truque. 
Vadias.


***


Brrr booom!
Maldito trovão. Tinha que chover logo hoje? E para começar esse barulho no banheiro. Como se algo estivesse batendo desde que começou a chover. 
Pensei que Justin tivesse ouvido também, mas desde que acordei com a chuva e olhei para a cama dele, percebi que ele permaneceu imóvel e coberto até a cabeça com cobertores. 
Quem mandou dormir quase pelado? Agora que aguente o frio. 
Vejo as horas no relógio da mesinha ao lado. Passam das quatro da manhã. Olho novamente para a cama de Justin e ele ainda está imóvel. 
O barulho aumenta. 
E muda. 
Agora é como se eu estivesse ouvindo algum metal sendo raspado contra alguma coisa. É irritante. 
Em seguida, a batida anterior começa novamente e eu penso que talvez seja um galho na janela do banheiro. 
— Justin. — Chamo. — Você está acordado? — pergunto. 
Silêncio. 
Me sento na cama e passo a mão pelo rosto. Estou sonolenta, porém não consigo dormir. Olho para cima e fito o teto branco por um instante, com preguiça de levantar e acabar com o que quer que seja esse barulho. 
Quando finalmente consigo, e estou no meio do quarto, a maçaneta da porta se mexe. Como se alguém estivesse prestes a abrir a porta. O que é estranho para caralho porque quando olho para a cama de Justin, ele ainda está metido debaixo das cobertas. 
A porta se abre. 
Em seguida, eu vejo uma silhueta entre as sombras e a única luminosidade são as dos relâmpagos que refletem na janela do banheiro, onde não colocamos cortinas porque a porta sempre fica fechada quando chove. 
A pessoa entre as sombras se aproxima, dá um passo à frente. Começo a me apavorar e puxo os cobertores da cama de Justin tentando a fim de acordá-lo porque minha garganta de fechou com o pânico e não consigo emitir qualquer som. 
Mas quando puxo os cobertores, não tem nada lá. 
Justin não está lá. 
Olho para minha frente, localizando a pessoa parada. Começo a andar para trás, quatro passos e a parte de trás de minhas pernas bate na minha cama fazendo com que eu caia sentada. 
A pessoa novamente se aproxima, e dessa vez para a dois passos de distância. 
— Justin, é você? — consigo perguntar, com a voz falha. 
Ouço uma risada. Mas a pessoa não diz nada. 
Então ele se aproxima mais um passo e eu consigo ver seu rosto perfeitamente, exceto seus olhos que estão de um preto brilhante. Ele sorri perversamente antes de levantar uma faca. 
— Olá, Elizabeth. Reconhece isto? — pergunta, passando a faca de uma mão para a outra, lentamente, como se quisesse fazer algum tipo de hipnose. — Linda, não é? 
Ri novamente. 
— O que é você? — pergunto, em um sussurro. Mas o quarto está tão silencioso que pode-se ouvir minha voz perfeitamente, enquanto a dele, quando fala, é como um trovão de tão forte e imponente que soa. 
— Acho que você sabe o quê. E também acho que você reconhece isto que estou segurando agora. Vocês duas não chegarama ter um encontro muito agradável da última vez, afinal, você está viva, não é? 
— Ah, meu Deus... — falo, apavorada. Ele ri novamente, dessa vez mais forte. Quase uma gargalhada. 
— Deus? — ele diz alto. — Deus não está aqui, Elizabeth! Eu estou. Vim consertar meu erro da última vez, dessa vez o seu encontro com a minha amiguinha aqui fazer razoavelmente... interessante. Para mim, é claro. E vai ser agora. — acrescenta, e cobre a distância restante entre nós. 
Tento fugir, mas ele é forte e consegue me deitar na cama, para em seguida, subir em cima de mim, me imobilizando. Em seguida, sorri, levanta a faca e... 
Sinto meu corpo sacudir. 
Em seguida uma voz conhecida, gritando: 
— Liz, acorde! Acorde! — E sinto batidas leves no meu rosto. 
Abro os olhos. 
Justin ainda está lá em cima de mim, mas não há faca nem olhos pretos. 
Apenas um par de dourados brilhantes que me encaram com preocupação. 
Volto a realidade. E começo a me remexer em baixo dele. Ele se levanta para me dar espaço. 
— Graças a Deus, Liz. — diz e se aproxima um pouco. 
Estou em pânico. 
Olho para ele assustada e ele parece não entender, ou finge não entender. Me encolho debaixo dos meus cobertores, e quase sinto vontade de rir. Como se isso fosse me salvar de alguma coisa. 
— Liz... — ele chama. 
— Não... — sussurro. Mas ele se paroxima e tenta me tocar. Felizmente consigo desvencilhar-me de seus braços e correr para a porta. Mas está trancada, e sem a chave. 
— Liz... 
— Por que trancou a porta? — pergunto, desesperada. 
— Você você quem trancou. — diz, com cuidado. Medindo as palavras. — Liz, você teve um pesadelo. — acrescenta, devagar e novamente tenta se aproximar, dando um passo em minha direção. 
— Fique longe de mim. — peço, com a voz falha. 
— Elizabeth, volte para mim e presta atenção: Você teve um pesadelo e eu te acordei. Você está segura agora. 
— Não! — grito — Fique longe de mim! — repito, mais alto ainda. 
Me encolho contra a parede, tentando ficar o máximo longe possível dele. 
— Liz, por favor... — pede, novamente. 
— Não... Você... — digo, com um nó na garganta — Você... 
— Eu não vou te machucar. 
Minha cabeça começa a doer, e eu me sinto tonta. Meu corpo começa a amolecer. 
Eu vou cair. 
Vou perder os sentidos. 
Mas quando penso que isso vai acontecer, me sinto amparada por dois braços fortes, e a última coisa que eu vejo antes que eu seja tomada pela escuridão novamente, é um par de olhar dourado, desesperado e brilhante de lágrimas acumuladas. 

n/a: Fic reescrita, conhecida agora como Living On A Prayer (L.O.A.P), que vocês podem ler interativa no FFOBS, pelo link que está na página aqui no blog. ^^ 
Continua? Quero comentários! by: @itsmykidrauhl

235 comentários:

  1. CLAROOOOOOOOO!!!!!!!!!

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  2. Meu Deus Ficou mega Perfeita eu amo suspense !!!!

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  3. AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA continua , e eu to pedindo alguem me ajuda a abrir o ziper da minha saia que arrebentou ?

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  4. OMG é o Justin?
    eu tenho 13 anos mas msm assim vou ler..gosto de suspeense ashaush
    ta beem legal amr continua vaai!

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  5. AAAAAAAAAAAAAAAA SENHOR O MEU JUS DE OLHOS COR DE MEL VIROU UMA COISA DEMONIACA E O NOME DO SER QUE A COLEGA DE QUARTO É DEMETRIA DEMETRIA EU VOU CHORAR É SERIO DEMETRIA EU AMO A MINHA DEMETRIA DEVONNE LOVATO *-* CONTINUA LOGO MENINA '-' XOXOXX(@MortaPeloBieber - Carol)

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  6. Nossaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa, amei maie amei amei amei amei amei !!! *-*
    CONTINUAA POR FAAVOR XD

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  7. AAAAH, amei amei amei *-----* OMB, Continua ><

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  8. aaaaaaaaaaaaaameeeeeeeeeeeiiiiiiiiiiiiiiiii continua

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  9. Continuaaaaaaaaa. O começa é impecavelmente impecavel, rsrsrs. Perfeitamente perfeito, rsrsrs². Maravilhosamente maravilhoso, rsrsrs³! Amei continuaaa rapido . =)=)=)=)=)

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  10. AAAAAAAAAAAH, muuuuuuuito fodãão! continuua ! *O*
    beeijos ;*

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  11. Haaa amei hihihi amo suspense mesmo tento medo haha
    Ai logo no começo a pessoa parecia ser o Justin mais depois credo haha
    Continuaaa..............

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  12. Continuaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
    Ta perfeito!!!!!!!

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  13. continua claro to muito curiosa!!!!!!!!!!!!

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  14. MUAHAHAHAHA SUSPENSE kk Bubi aqui (:

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  15. CONTINUUUUUA! POR FAVOR CARA, QUE LECAAAAAL *W*

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  16. OMB OMB ! CONTIIIIIINUA !!! AMANDO !

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  17. CONTINUAAAAAAAA TA AMEII

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  18. UIIIIIA ' tenho treze e faço niver três dias depois do natal(14 aninhos) e fiquei com mediinho UEOIUEOIUEOEUOEI' ta booom! continua :D

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  19. nosa que suspense, mais adorei continua

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  20. ai continua flor tá lindo perfeito (ansiosa!! U-U!!!!! :)
    by: Cinthya Andrade

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  21. vai ser muito assustador?????
    eu tenhi medo..hahaha
    se for me avisa que ai eu nao leio..ok?????????
    brigadin
    mas a principio ta maneiro..bjkk

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  22. eeeeeeeeeeeeeei baby eu aq de nvo cade o resto da historia to super anciosa pra saber oq vai acontecer...
    CONTINUA
    ~MORRENDO~

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  23. Continua amore, posta logo que to curiosa pra saber o resto ta história,ta ñ demora!!!!!!!!
    CONTINUA, MUITO CURIOSA!!!!!!!!!!!!
    BJS!!!!!!!!!!!!

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  24. Marih aqui tá?! cotinua, curiosa pra saber oq vai acontecer no proximo capitulo

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  25. Caralh* o que é isso?! Precisa postar a parte 2 logo luv! *---------*'
    Beijos'

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  26. AMEI AMEI AMEI AMEI a #IB já começou emocionante

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  27. CONTINUAAAAA AMEI AMEI. PARTE 2 LOGOOOOOO

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  28. Meu Deus é muito legal,e achei mais legal ainda a sua colega de quarto ser a Demi,amo ela demais,diva igual a ela não tem...
    Continuuaa

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  29. A continuação só vai ser aqui mesmo??
    E você ainda não postou a 3° parte,né?
    Por favor,me diz..
    To muito ansiosa..
    E leia a minha IB,por favor..
    http://imagineeebelieber.blogspot.com/
    Beijo Beijoo

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  30. Haaaaaaaaaaaaaaaa continuaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

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  31. continua claro que sim, ta MUITO LEGAL

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  32. que lindoooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo

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  33. OMBBBBBBBBBB CONTINUAAAAAAAAAAAAAA *-*

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  34. OMBBBBBBBBBBB PErfeito!!!!!
    Continua!!!!!

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  35. CONTINUAA
    ta perfeito mt perfeito!!

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  36. AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAh contiua,será se vvão se beijar? espero que sim haha

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  37. Continuuuuua ! muito Boooom !! continua por favoooor

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  38. Continua, amo suas histórias, amo vc sua linda!
    Vc é mto diva e eu to amando... como sempre!
    By: Gaby

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  39. Perfeito, the best s2
    ContinuÁ floor (:

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  40. aaaaaah q perfeito!
    continua amr!!!

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  41. aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa CONTINUA ta maravilhoso to apaixonadaaaa
    CONTINUAAAAAAA
    LOGOOOOO
    XOXO

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  42. Oi acabei de chegar no blog e já estou amando tudo!,Parabéns!
    Twitter?:@VavaBelieber

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  43. amei amei amei continua lego O.O
    amo suspense quero ver no q vai dar,q cabuloso
    esse negocio d sonhar com a pessoa e depois encontrar ela oO #meda

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  44. AI MEU DEUS VOCE TEM QUE CONTINUAR AAAAAAAAAAAAAAAAAAA

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  45. Continua amr,leio todas as historias,e adr....essa é uma das melhores ...

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  46. [parte 2] Pode continuar sim *-----* eu tou amando, completamente amando

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  47. Continuaaaaaa, ta perfeitoooooooooooooooooooooooooo!!!

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  48. CONTINUAAAAAAAAA LOGO VAIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII

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  49. lEITORA NOVA AKIE *----*
    divulga meu blog?entra nele?Lê ele? participa dele se gostar? e comenta please *--* é MUUUUITO importante pra mim !!!

    http://comodizernaoaoamor.blogspot.com/

    [aaa] ja ia eskecer de falar. continua logo please, tol muito curiosa
    Beijinhus, [aaa] seu blog tá lindo *----*

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  50. Continua!!
    To muuuuito anciosa pra saber o que acontece!!! *-*

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  51. ai continua querida pelo amor de Deus

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  52. Continuaaaaaaaaaaaa pleaseeeeeeeeee

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  53. Continua, ta super legal.

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  54. Caroline Bitencourt8 de dezembro de 2011 13:49

    Continuuua , taaah muuito perfeeito.

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  55. Amr por favor,continua,eu estou amando viu? Vc está de parabéns,flor..beijos,continuaaaa logo,to mt curiosa,todos os dias entro e nao saiu a parte 3 ta #Perfeito

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  56. UUUI AMEEEI , SUSPENSE , ROMANCE , MISTERIO ... O.O CONTINUAAAAA

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  57. ai meu Deus to super curiosa..por favoor continua
    to amando 08 de dezembro 2011 20:05

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  58. continua ja tem mas de 70 comentarios...agora faz um big..??????please.

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  59. Eii coloca (Seunome) fiica melhor amor!

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  60. CONTINUUA LOGO TA MUITO BOM. ETA CURIOSIDAF HAHA

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  61. tá muito bom continua

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  62. VAIIIIIIIII..continua bitch do meu coraçao kkk...

    ESTOU ESPERANDO AKIIII ~~>EUU<~~

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  63. Perfeição existe, é só ler suas IB'S

    Curiosidade, para que existe?


    kkk'

    Continua?


    By: B.

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  64. CONTINUA LOGO ESSA PORRA

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  65. awn amor,tá mt lindo e magnifico,serio,parabéns,mais por favor continua [/risos],por que serio eu to amando bê *-*

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  66. atraso é fodá querida (: continua logo porra

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  67. Esqueceu dessa #IB menina?
    Continua, pq as melhores histórias são de suspense!

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  68. continuaaa!!!!!!!!!!!!!!

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  69. ki lindoo, he is an angel, ameeeii, ally continua plis.

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  70. sem sentido,ficou ridículo (:

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  71. Tá perfeito, posta maaaaaaaaaaaaaais

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  72. lindo, lindo, perfeito, CONTINUA PELO AMOR DE DEUS

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  73. Continua por favor ,ta perfeitooooooooooo....amandooo

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  74. OMG q perfeitoo! ADORO suspense
    coontinuaa!!

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  75. CONTINUAAAAA... POR FAVOR, EU IMPLORO

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  76. aaaaaaaaaaaaaaaaaaa ñ me maaaaataaaaaa CLAROOOOO que deve continuar eu to amando
    THE ONE THAT GOT AWAY
    XOXO

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  77. Querida vc é incrivel, sua imaginasão inacreditavel te dou os paeabens pq ta incrivel linda contonua logo to super curiosa pra saber o que vai acontecer!
    BEIJOS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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  78. vaaaaaaai garota... continua

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  79. Está incrível,continuaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa !!!

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  80. Continua. Muito legal e diferente !! Amei. - nathy

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  81. AAAAAAAAAAAAAAAAH continuaa ta muitoo bomm

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  82. continuaaaa, ai que perfeito o erro dle fooi se apaixonar por ela, que linnndo <3. Ta mto perfeitoooo, continuaaaa

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  83. TÁ SIMPLESMENTE MARAVILHOSO. CONTINUAA AMOR

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  84. Perfeito amr,a melhor #IB do mundo,continuaaaaaaa por favor......to amando

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  85. Continuaaaaaa! MY GOSH' Tá muito bom!*-*
    Eu to HIPER curiosa agr!
    Bjs!

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  86. COOONTINUUUUA, POR FAVOOOOOOR, TO MORRENDO DE TANTA CURIOSIDADE, POSTA MAIS, MAIS, MAIS, TENTA POSTAR UM DIA SIM UM DIA NÃO PLEAAAASE!!!!!

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  87. ESSA HISTÓRIA FICOU 1 MERDA GRANDE FEDIDA

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  88. perfeitha
    continua por favor?!!

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  89. AAAAAAAAAAAAAAI SENHOR,QUERO MAAAIS >.<

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  90. continua,ta muito legal

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  91. Continua,ta muito boom ><

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  92. OMG, Continua Bieber anjo da guarda ~le dançinha~ uhuuuuuuuul !

    @LorenaBieberNx

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  93. Continuaaaaaaaaaaaaaaa
    TA PERFEITO MT PERFEITOOOO

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  94. Senhor, faça ela colocar logo a parte 4, conscientizando ela que não só eu, mas muitas outras leitoras desse ótimo blog vão ter um infarto de tanto esperar
    Haha, continua
    By: Gaby ;D

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  95. Esqueceu de nós é? continua por favoooor!
    ta muito lindo!

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  96. continua, huuum misterios,tipo magias adoreeeei

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  97. continuaaa
    guria ta querendo me mata é loka
    continua q isso ta perfeitoo
    adoro msiterios e suspenses
    bjs

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  98. HISTORIA DE MERDA,QUE PODRE ODIEI NÃO FAZ 1 PORRA DE 1 SENTIDO,TA UMA GRANDE MERDA ESSAS HISTÓRIA,PODRIDÃO DO CARALHO

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  99. Continua amore!
    Ta perfeito!
    @stephaniebackjb

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  100. aaawnque coisa mais LINDA to amando isso eh muito MAGICO...CONTINUAAA EU TO AMANDO
    EU QUERO UM ANJO DE GUARDA ASSIM
    XOXO S2

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  101. Oiie gente quem gosta da Lady Gaga Mal's ae mas vou divulgar mesmo assim :

    http://youtu.be/jT7ttYq7bMA

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  102. AAAAAAAAAAAAAAAAAAH, QUE MERDA NA MELHOR PARTE VC PARA, CONTINUE AGIRA U_U E O Only You tambem KK

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  103. aaaaah continua logo,estou super curiosa...esta perfeita!

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  104. Continuuuaaaaa,Estoouuuuuuuuuuuu amandooooooooooooooooo

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  105. ta muito lindo amore,continua

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  106. ã...é meio sem sentido mas é maneiro

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  107. Continuaaaaaaaaaaaaaaaaaa

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  108. taa tipo muuitto perfeeito *-*
    continuaa

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  109. Ta super perfeita sua ib amore. EU TO A-M-A-N-D-O. POR FAVOR CAP 5. LOGO PLEASE *-* By: NossoLindoBiebs

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  110. nossa está perfeitooo,continuaaaaa :)

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  111. continuanuanuanua ta mt bom vlw ?

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  112. Cooontinuaaa pleaseee flooô ta mt bauun '

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  113. U.U perfeita *-* continua love. [

    By: @belieberBRs2

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  114. [aaaa] eu estou amando.. Você demora demais. Mais quando você posta compensa tudo é simplesmente perfeito.. Tenho que te dar os parabens pq tem que ter mt imaginação para fazer algo tão legal quanto isso *_*

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  115. CONTINUA logo,vc demora muito para postar...*-*

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  116. OMB! EU NÃO ACREDITO Q VC AINDA NÃO POSTOU A PARTE 5!!!
    By: Gaby

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  117. porque vc não posta?

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  118. Vamos continuar please!!!!!!!!!!

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  119. continuaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa, parece supernatural to amando auhaahuhuauh

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  120. aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa CLAROOOOO que deve continuar ta ooooooooooooootimoooo
    XOXOXO

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  121. OMG! CONTINUA LOGOOOOO!!!!!! xx. @PLLCyrus

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  122. ficou perfeito porem muito pequeno mas tudo bem,CONTINUAAAA!!!!!S2

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  123. ta lindo, ta perfeitíssimo
    é, Justin você é um metido! KKKKK'
    Pode ir continuando a história!!
    By: Gaby

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  124. Continuaaaa, perfeito
    Bjsss divaa

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  125. AAAAAAAAAAAAI EU QUERO UM ANJO JUSTIN KKK

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  126. ai q lindo lenbra ate o livro fallen q eu li!!!
    eu realmente sou fã dessa saga....mas emfim ta lindo d+ continua....essa e uma das melhores q eu ja li....:)

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  127. Eu amei por favor continua!!!!!!

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  128. Amoo seus imagines!! *---*
    To até escrevendo uns... Lê e me dáh dicas?
    http://imaginesbeliebersdiferentes.blogspot.com/

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  129. AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAMMMMMMMMMMMEEEEEEEEEEEEEEEEEEIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
    CONTINUA

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  130. AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH CONTINUA LOGO TA MUITO BOOM

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  131. aaaaaaaaai q peerfect ! justin o anjo mais perfeiitoo do mundo *-*
    eu to adoorando essa historia ta peerfeita msm
    coontinua!

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  132. continuaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

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  133. OMB
    vamo povo, vamo erguer as mãos, pq sem o projeto paralelo, eu ñ sobrevivo ;)
    To amando e entendo a sua demora, mas como eu sou super viciada... fico impaciente haha'
    by: Gaby

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  134. Continua looooogoooo !!!!!!!!

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  135. lEITORA NOVA AMEI AMEI AMEI POSTA MAIS AMR
    ASS:MEGAN

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  136. Posta maisssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssss

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  137. nossa!!! muito boa
    posta mais porfavooor

    @biebs_meuvicio

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  138. Muiito Perfeiitoo! Contiinuaaaa
    ass: Iasminy

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  139. AMEII MT ESSA IB ELA É MT LOKA SE PUDER VISITAR E DUVULGAR O MEU BLOG DE FANFIC EU AGRADEÇO :) http://beliebersonho.blogspot.com/

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  140. AAAAAAAAAAAAAAAAAAAA CONTINUAAAAAAAAAAAA TA MTTTT MASSA
    PLEASEEEEEEEE CONTINUAAAAAAAAAA
    XOXO
    GOSSIPGIRL

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  141. @mysuperJBieber / Brazilian Belieber21 de fevereiro de 2012 05:17

    AWWWWWWWWWWW A-M-E-I!!!!!!!!!! *-*
    Plzzz continua logo babe!
    Beijos'

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  142. @mysuperJBieber / Brazilian Belieber22 de fevereiro de 2012 23:48

    Posta a parte 7, POR FAVOR!!!!!!!!! Beijos'

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  143. ARRIBA \ ☺☺☺ / MÃÃO PARA O ALTO NEGADA :3
    TA MÔ FODA VELHO, CONTINUA LOGO? EE FAZ UM CAPITULO BIG? * OLHINHOOS BRILHANDO * KKKKKKKKKKK U_U

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  144. continuaaaaaaaaaaaaaaaa sim! lóóógico ne??! kkkkkkk

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  145. Nossa isso esta perfeito d +++++++
    continuaa

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  146. aaaaaaaaaa continua lgoo da perfeitooo d +++++++++++ continuaaaaa

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  147. MEU DEUS, PRECISO DA CONTINUAÇÃO, CADE CADE CADE ? CONTINUAAAAAAAAAAAA to in love, na boa

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  148. cooooooooooooooontinua menina
    ass: meg

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  149. Wow!!
    Amei , maravilhoso!!
    Continua , beijos!!

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  150. Amore ta linda, continua logo!!!!!!!

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  151. continua logo please eu to aqui quase arrancando os meus cabelos

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  152. nOssa Neeega ta de maais viiu continuua pelo amor dos deuses de bieber.to poker face u.u contiinua tiian!

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  153. MEU SENHOR JESUS TA MUITO BOM ,CONTINUA LOGO SURTANDO AQUI
    BY: @Bieberseduzlove

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  154. Continua flor...mt PERFEITAAAAAAA

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  155. Perfeição *------* quero mais, e obvio que eu quero mais essa #Ib e divinamente divina.
    @Cerealcompinga

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