25 de jul de 2015

Right Place, Right Time

Estava andando pelo Central Park, meio desorientada. Thom havia acabado de terminar comigo, por telefone, ele já estava no aeroporto com sua amante quando me ligou. Não que fossemos casados, mas estávamos juntos a cinco anos. Morávamos no mesmo apartamento, dormíamos juntos, eu nunca havia reclamado de ele sair com os amigos para assistir ao futebol, tínhamos um relacionamento quase perfeito. Não, claro que não tínhamos se tivéssemos, ele não teria feito o que fez.
A neve estava por toda a parte, e tudo que eu queria era deitar no chão e ficar ali até anoitecer, mas antes que eu fizesse isso – pois sim , eu estava me preparando para fazer aquilo – um pug com pelagem amarelada começou a pular em minha perna. Ri fraco da cara que os pugs têm e me abaixei segurando-o nas mãos analisando seu rosto. Ele mexeu a cabeça de um lado para o outro como quem pergunta “Ei, o que está acontecendo?” ri do pensamento
- Não queira nem saber – o aproximei mais de meu corpo e deixei que se aconchegasse em meus braços – Onde está seu dono?
Claro, ele vai te responder Alice, pensei e balancei a cabeça. 
Percebi sua coleira e a segurei entre meus dedos. Havia um nome e um telefone do outro lado do pingente.
- Pepper Potts? – li o nome e ri. Reconheceria aquele nome em qualquer lugar – Seu dono deve gostar bastante de Iron Man – ela latiu. 
Sentei-me em um banco próximo e disquei o número que estava atrás da coleira. Coloquei a cadela dentro de meu casaco garantindo que ela estaria aquecida. Liguei. Estava prestes a desistir quando a voz grave e rouca de um homem atendeu
- Alô? – parecia confuso e arfava um pouco. Como se tivesse corrido muito.
- Hum... – hesitei um segundo – Oi. Meu nome é Alice, e... – ele me cortou bruscamente
- Desculpe, mas não posso falar agora. – Ele puxou uma grande quantidade de ar – Estou procurando... – dessa vez eu o interrompi
- Sua cadela? – por um longo tempo ele ficou em silêncio e então soltou todo o ar que tinha preso nos pulmões. 
- Sim, você a encontrou? – havia desespero em sua voz. Pepper latiu e eu sorri para ela fazendo carinho atrás de sua orelha.
- Sim, estou com ela no The Pond – ele riu e respirou aliviado
- Eu já estou indo – ele desligou e Pepper latiu parecendo se divertir com a situação toda
- Você deixou ele doidinho – novamente ela latiu e pulou um pouco. Encarei os prédios a minha frente e vi um avião passar. 
Será que Thomas está naquele avião? Me perguntei silenciosamente. Meus olhos começaram a arder e eu respirei fundo.
- Pare de frescura Alice – digo a mim mesma, pois sei que não iria adiantar chorar. Não em publico. 
Percebi um cara vindo em minha direção, escorregava e tropeçava na neve, tentava se equilibrar e corria engraçado. As pessoas o olhavam e riam, mas ele parecia não se importar. Parou de frente para mim encarando Pepper que se encolheu. A peguei em meus braços e me levantei. A estendi e ele a segurou, beijando-a e eu sorri com a cena.
- Desculpe por Pepper ter vindo te incomodar – ele arruma seus óculos e eu nego com a cabeça e encaro a cadelinha.
- Não foi incomodo algum, ela é um amor – ele sorri para mim e só então percebo como é bonito. Tinha olhos mel, cabelos loiros, um físico normal. Se ele estivesse passando por mim na quinta avenida ou em qualquer lugar com muitas pessoas provavelmente não o notaria por conta do modo comum de se vestir que o deixa simples, mas ali na minha frente ele era notavelmente bonito.
- Agradeço pelo fato de ela não ter te mordido nem nada assim – gargalhei e ele me acompanhou 
- Eu também agradeço por isso – observei por um momento, enquanto o garoto sacudia a cadela de maneira carinhosa. Era engraçado, de verdade, mas eu simplesmente não queria rir.
- Você quase me fez ter um troço Pepper Potts – ao ouvir o nome da cadela eu simplesmente explodi em risadas e percebi que talvez o estivesse envergonhando, pois ele ficou vermelho.
- Desculpe – tentei me controlar. Puxei uma grande porção de ar e percebi o garoto se sentir desconsertado. Parei de rir aos poucos e então parei totalmente, conseguindo agora falar – Desculpe, é só que eu achei que eu fosse a única pessoa que coloca o nome de personagens nos animais – dessa vez ele riu e colocou uma mão atrás do pescoço 
- Você não está sozinha no mundo – não consegui rir daquela vez, apenas sorri forçadamente.
Aquilo era bem irônico para alguém que havia acabado de terminar um relacionamento. Ouvi uma música sair do bolso do garoto e ele retirou o celular de lá, disse algumas coisas aleatórias e desligou.
- Eu tenho que ir – ele sorri para mim e estende a mão esperando que eu aperte-a – Obrigado por encontrar e devolver a Pepper – aperto sua mão e sorrio de volta para ele
- Foi um prazer conhecê-los – ficamos algum tempo balançando a mão um do outro 
- O prazer foi nosso – encarei nossas mãos e ele a soltou rápido – Não pense que eu não quero que vá embora – ele arregalou os olhos  - Não, não que eu queira que vá, é só que eu tenho que ir e... – irrompo em gargalhadas e ele fica vermelho como um tomate.
- Eu entendi – ele ri fraco respirando pesado
- Eu vou indo – aceno com a mão e ele faz o mesmo, se vira e começa a andar falando com Pepper. E então percebo que não sei seu nome. Corro até ele e o toco no ombro. Ele se vira e parece surpreso em me ver
- Eu não sei seu nome – ele ri e eu o acompanho, parece bobo, mas eu precisava saber
- É Justin Bieber – assinto
- Caso não se lembre meu nome é Alice... Alice Burton – ele sorri
- Vou me lembrar disso. – seu celular apita – Sinto muito Alice preciso realmente ir – ele parece desconcertado
- Tudo bem, desculpe – sorrio para ele e começo a caminhar de costas e ele também caminha, porem olhando para frente e mais apressado que eu. 
Virei-me e comecei a caminhar na direção contraria em direção ao meu apartamento. Quando chego ao prédio olho para cima e respiro pesado. Subo sem falar com Joseph o porteiro e assim que chego ao décimo andar vou em direção ao apartamento 39. Abro a porta e Barry – Barry Allen, meu gato - chega passando por meus pés. O pego no colo e lhe beijo na cabeça.
- Daqui a alguns dias vamos sair desse lugar Barry – ele mia calmo para mim. 
Não queria continuar naquele lugar, mas demoraria algum pouco tempo até que eu conseguisse arrumar meu antigo apartamento para que pudesse morar lá. Me sento no sofá e faço carinho no gato que ganhei de Thom no nosso segundo mês de namoro, afasto a lembrança antes que ela tenha tempo de tomar conta de meus pensamentos. Ligo para Caitlin e para a pizzaria, e sei que estou no fundo da fossa. Nada é mais típico em um fim de relacionamento do que ligar para uma amiga e desabafar com ela enquanto come uma pizza. Vou ao meu quarto e me livro de minhas roupas, entro debaixo do chuveiro e deixo que a água quente me aqueça, mas saio rapidamente, sem muita enrolação. Visto uma grande blusa de moletom e uma calça do mesmo tecido e assim que prendo meu cabelo em um coque mal feito a campainha toca, abro a porta e dou de cara com Caitlin e o cara da pizza parados juntos, dou um breve sorriso para ambos, Caitlin entra e o cara da pizza espera enquanto pego o dinheiro.
- Valeu Travis – ele sorri e me entrega a pizza
- De nada Alice – e sai, eu fecho a porta e me sento no sofá, Caitlin logo se junta a mim com uma garrafa de vinho e duas taças na mão.
- Então, para onde Thom foi? – mordo o lábio, sei que Caitlin vai surtar com a noticia. Foi ela quem nos apresentou e ela era uma espécie de Shipper do nosso relacionamento
- Ele terminou comigo Cait – a boca dela se abre e fecha algumas vezes antes de dizer alguma coisa
- Ta legal, pode parar. Onde estão as câmeras? Thom está me gravando nesse momento não é? – ela levanta procurando por ele e eu percebo meus olhos marejarem. Eu queria que fosse uma brincadeira.
- Caitlin, não estou brincando – me viro para ela que já esta quase no corredor. Ela me encara e então percebe que era sério.
- Ai meu Deus Ali – ela corre até mim e me abraça.
Então eu desmorono. Tudo que não fiz o dia todo faço naquele momento. Choro. Choro tudo que pode ser chorado, soluço, puxo grandes bocados de ar. Caitlin afaga meus cabelos e não diz nada. Existe algo que pode ser dito? Não. Ele se foi, se foi para a Inglaterra com a tal outra garota, e não vai voltar. Depois de um longo tempo chorando, Caitlin se senta no sofá ao meu lado, e enquanto comemos pizza e tomamos vinho, eu conto a ela o que ele me disse. Ao fim de tudo ela parece perplexa
- Como ele pôde fazer isso com você? Eu quero torcer o pescoço do Thomas – ela morde ferozmente sua pizza – Por que só me ligou agora? – nego com a cabeça, agradecendo mentalmente por ela não prosseguir fazendo perguntas sobre
- Estava no parque, encontrei um cadelinha e depois fiquei algum tempo conversando com o dono dela – ela para a pizza no meio do caminho até sua boca e me encara
- Mas já? – eu solto um riso fraco para ela e ela me acerta um leve tapa no braço – Qual nome dele? – bebo um pouco de meu vinho e dou de ombros
- Austin, Gustin, Jake, não me lembro – digo em tom indiferente, mas estou mentindo.
Justin Bieber. Seus olhos ainda me encaram brilhantes e amistosos. Um nerd extremamente bonito.
- Que pena. Ele poderia ser um bom passa tempo – a encaro nervosa. Odeio quando ela trata as pessoas de maneira fútil.
- Caitlin! – a repreendo – Pare de futilidades – ela simplesmente revira os olhos e se levanta
- Vamos sair – declara
- Não posso, amanhã tenho uma seção de fotos e não posso estar com olheiras – novamente ela revira os olhos, como sempre faz quando eu ajo como adulta. O que é realmente chato – Vá você e se divirta por nós, mas nem sonhe em voltar dirigindo – ela ri fraco, bagunça um pouco meu cabelo e beija o topo de minha cabeça
- Prometo – ela pega o casaco – eu amo você amiga – sorrio para ela
- Eu também Cait – ela manda um beijo no ar e sai. Respiro pesado, levanto-me  deixando tudo na sala e vou para meu quarto. Após fazer minha higiene me deito e Barry se deita comigo. Caio em um sono profundo.
Acordo escutando o celular tocar ao longe, encaro o relógio e já são 7:45, dali a quinze minutos eu devo estar no Central Park. Corro para a sala e pego meu celular. Uma mensagem de Henry diz que ele já esta me esperando.  Tomo um banho e me arrumo correndo.
Quando chego ao Central Park e encontro Henry ele me abraça fortemente e promete fazer a maquiagem mais bonita entre todas as meninas. Depois de alguns minutos ele termina e eu apenas aguardo minha seção individual. O frio é castigante, o fato de estar usando um casaco por cima do vestido não ajuda muito. Mexo no celular enquanto espero e uma mensagem de Cait com um link chega. Abro o link e então leio a matéria

Empresário Thomas Clarke chega a Londres, mas a namorada e modelo Alice Burton não chega com Thomas. Quando perguntado sobre a garota o gato responde: “Eu e Alice vivemos o que tínhamos para viver juntos, acabamos isso de maneira amigável, agora cada um segue seu caminho” concluiu ele. Alice foi vista hoje no Central Park para uma seção de fotos para a Vogue e não parecia mal

Mantenho a calma e me obrigo a não gritar 
O que é amigável para Thom? Me pergunto
Aquele Inglês maldito. Quero socar seu rosto até que minhas mãos doam. Cinco anos depois ele descobre que não quer manter nosso relacionamento? Cinco anos para esse inútil se ligar em me dizer “Hey, eu não estou feliz com o que temos. Eu não te amo mais” e ainda por telefone?  Ele não teve coragem de olhar na minha cara ou simplesmente foi mais cômodo para ele me ligar? 
Hanna aparece na entrada da tenda dizendo que todas as garotas já haviam terminado com o fotografo e que ele me esperava. Saio no frio cortante que me pega de supetão e sigo Hanna até a Bethesda Fountain onde vejo alguns equipamentos fotográficos. Tiro meu casaco e entrego a ela xingando mentalmente a pessoa que teve aquela idéia. Me posiciono no meio do local e arrumo o cabelo, quando o fotografo se vira para mim ele parece tão impressionado quanto eu. 
- Oi – digo e ele bate em um tripé que cai no chão e faz mais algumas coisas caírem. Me aproximo dele e o ajudo a recolher tudo – Me desculpe – lhe entrego algumas tampas de lentes e ele sorri para mim meio tímido
- Tudo bem, eu só não imaginei que te veria de novo tão cedo – sorrio para ele e o ajudei a terminar de recolher tudo
- Sinto muito por ter de estar me vendo – ele bate na própria testa com a câmera e faz uma careta me fazendo gargalhar
- Não é isso, eu só não achei que teria tanta sorte – sinto minhas bochechas queimarem – Hum... Vamos começar? – assinto e ele aponta para um dos arcos do pátio – Vá para lá por favor – caminho até o local e paro
- E agora? – cruzo meus braços tentando afastar o frio, mas é algo falho
- Faça pose de garota perfeita – sorrio e faço a pose. Por incrível que pareça me sinto envergonhada. Ele tira a foto e depois de uma segunda pose ele tira outra. 
Me apoio de costas na parede fria e ele me encara. Se aproxima e coloca a mão atrás da minha cabeça, eu prendo todo o meu ar e provavelmente tenho uma expressão apavorada. Ele solta meus cabelos deixando que os fios ondulados caiam sobre meus ombros, bagunça um pouco e sorri
- Melhor – solto todo o ar quando ele se afasta alguns passos. Ele aponta a câmera para mim e tira a foto antes mesmo que eu esteja preparada
- Ei – protesto e ele sorri
- Ficou ótima – ele me encara por longos segundos e então arruma os óculos – Que tal se você parasse de sorrir e deixasse que aquilo que você realmente sente saísse? – o encaro de sobrancelha arqueada e ele sorri fraco – deve ser difícil acabar um relacionamento assim do nada – me surpreendo com o fato de ele saber.
- Como você...? – ele me interrompe
- Internet – então me lembro da matéria. Amigável. A palavra ecoa em minha mente e eu imagino como ele deveria estar agora. Ou melhor, com quem. Ouço o clique da câmera e encaro Justin
- Tudo bem eu usar essa foto? – eu apenas assinto – Não ache que quero usar seu sofrimento para me promover, mas você parece mais bonita quando esta sendo sincera – nego sorrindo fraco e ele agradece.
Depois de mais algumas fotos – e algumas delas foram divertidas de fazer, já que ele me pediu para agir como rebelde depois – Eu volto a tenda e visto minhas roupas normais e quente. Estou na calçada esperando para atravessar a rua quando ouço alguém me chamar, me viro e vejo Justin se aproximando. Arrumo a bolsa no ombro e percebo como os ombros deles estão encolhidos.
- Hum... Oi – diz ele meio desengonçado – Eu queria saber se você gostaria de ir almoçar comigo – por algum motivo desconhecido me lembro de Thom
- Sinto muito Justin, mas não posso – me afasto alguns passos e ele assente com as mãos nos bolsos e sorrindo fraco. Ele começa a se afastar.
Qual seu problema Alice? penso Você acha que Thom vai voltar? Ele não vai. Não adianta esperar por ele, ser “pura” por ele, não adianta pensar nele. Ele não está pensando em você. Agora vá lá e aceite o convite de Justin
- Justin! – grito um pouco quando ele abre a porta do carro. Ele me encara bem confuso e eu caminho até ele, paro de frente para ele. Faça Alice – Escolha um restaurante e me surpreenda – ele sorri e eu atravesso o carro abrindo a porta do passageiro
- Espero que goste de comida Tailandesa – declara ele

[...]

- Eu tenho que admitir – declaro gargalhando – Eu queria te socar quando disse Tailandesa, por que eu não gosto, mas – dou ênfase ao “mas” – isso aqui é divino – ele gargalha
- Ponto para mim e para o Khao Pad – ele faz pose de vencedor e eu gargalho mais ainda. 
- Você é engraçado Justin – digo aleatoriamente e ele aguarda eu prosseguir – Você gesticula, joga as mãos de maneira despreocupada, derruba coisas, é bem desastrado... – ele me interrompe
- Sou o pai do desastre você quis dizer, não é? – gargalho mais uma vez. Depois de retomar o controle o encaro.
Como eu não o vi antes no mundo? Penso
Ele é engraçado, ri sempre, faz com que os outros riam e não me trata como a modelo da revista. Me trata como uma garota comum. É inevitável olhá-lo, ele transmite um tipo de energia boa, e deixa um rastro de alegria por onde passa. 
- O que foi? – ele pergunta e eu percebo que o encarei por tempo demais, pois ele está vermelho.
- Nada – sorrio fraco e tomo um gole da minha água. Meu celular vibra com uma mensagem de Caitlin que me pede para ir a agencia dela. Respiro fundo e encaro Justin – Preciso ir – mordo o lábio na tentativa de não transparecer decepção
- Tudo bem – ele levanta a mão chamando o garçom. Quando levo minha mão a bolsa ele me para – Não, eu convidei eu pago – tento protestar, mas ele leva as mãos as orelhas e nega com a cabeça. Pego meu casaco e minha bolsa e vou até Justin.
- Obrigada pelo almoço maravilhoso – ele se levanta e eu o abraço sentindo seu cheiro amadeirado
- Eu sei que você nem foi embora ainda, mas posso te chamar pra sair hoje a noite? – sorrio para ele
- Justin eu não sei... – o encaro
- Eu sei que você acabou de terminar com um cara, mas juro que nada vai acontecer – penso por algum tempo
Será que é certo? Não digo por Thom, mas eu acabei de terminar um relacionamento.
- Justin, é melhor não. Mas quem sabe outro dia. – ele sorri meio tímido
- Tudo bem. Eu tenho seu número, posso te ligar qualquer dia desses? – sorrio novamente 
- Claro. Pode me mandar mensagens também. Para conversarmos – ele sorri e coça a nuca.
- Claro – novamente meu celular vibra em meu bolso. Eu respiro fundo em frustração
- Eu preciso mesmo ir. Desculpe – lhe dou um beijo no rosto e ele cora bruscamente. – hum... sinto muito – sinto minhas bochechas quentes e sei que estou vermelha também
- Tudo bem. Até mais Srta. Burton – rio fraco
- Até mais Sr. Bieber – começo a me afastar de costas e me viro batendo em um garçom, por sorte ele não tinha nada nas mãos – Desculpe – o garçom sorri acenando como se tudo estivesse bem e continua a andar. 
Droga Alice, bancando a desastrada agora? Penso

[...]

No fim das contas Caitlin só queria me convencer a sair com ela para uma boate chamada Pink Elephant. Fui para casa e vesti algo, depois fiquei horas esperando Caitlin. E finalmente chegamos ao lugar. Tem boa música, porém alta ao extremo. Caitlin levou alguns amigos, o que me fez sentir irritada. Pedi um Martini e o virei sem hesitar. O gosto daquilo não era bom, mas também não era dos piores. Depois mais algumas bebidas sortidas, e do amigo de Caitlin falar muito sobre sua incrível vida. Eu resolvi dançar. O deixei falando sozinho e simplesmente segui para a pista de dança. Movimento meu corpo, mas é como se flutuasse. Sinto uma mão tocar meu ombro e assim que me viro vejo Justin. Ele diz algo, mas parece distante. Sacudo a cabeça e quase caio.
- Você precisa se sentar – ele diz próximo a minha orelha. Eu assinto e sigo para as escadas que levam a área VIP da boate. 
Quando chego lá em cima me jogo em um sofá e sinto tudo girar, meu estômago revira e então me lembro que nunca é bom beber sem comer nada. Enfio o rosto nas mãos quando percebo Justin me encarando.
Droga! Droga! Penso, enquanto me xingo de um zilhão de nomes feios. Sinto mãos retirarem as minhas mãos de meu rosto e encaro Justin que sorri para mim.
- Ei, fique tranqüila, todo mundo já exagerou um pouco na bebida – sinto meu estômago revirar mais uma vez
- Eu preciso ir ao banheiro, mas não faço idéia de como chegar lá – digo com a voz embargada e ele me ajuda a levantar. Seguimos até um corredor e encontramos a porta do feminino. Ele entra com as mãos em minha cintura, quando encontro um vaso sanitário me ajoelho e ele segura meus cabelos. Vomito. Jogo tudo para fora. Então termino, e continuo ali, ajoelhada. Começo a chorar e Justin se senta ao meu lado.
- Ei – ele coloca meus cabelos atrás da orelha – quer outra rodada? – ele pergunta e eu rio fraco.
- Já chega por hoje. – o encaro por um longo tempo e então encaro ao meu redor. – Justin – chamo olhando o lustre bem desenhado e rosa no teto.
- Sim – ele responde
- Você entrou no banheiro feminino – ele gargalha e eu o sigo
- Não é a primeira vez que entro no banheiro feminino, acredite – o encaro pasma e ele gargalha
- Meu Deus, você não é um nerd fofo – digo as palavras antes de conseguir segura-las
- Na maior parte do tempo sim, mas eu sou homem, e bom... Tenho meus momentos – gargalho. Tenho sérios problemas em tentar parar de olhá-lo, ele parece tão bonito ali. Sinto ele se aproximar de mim, sei o que vem a seguir. Me levanto bruscamente e saio dali. Saio da boate a toda, mas não chego tão longe quando ele me alcança. Ele segura meu braço e me vira. Sei que meus olhos estão borrados e molhados, mas não consigo evitar.
- Alice, o que houve? – ele passa a mão em meu rosto e eu o afasto
- Não – falo em tom mais alto que ele – Justin eu não estou preparada para tentar ficar com alguém. Foram cinco anos com um cara, e eu não posso fazer algo ruim pra você assim como fizeram pra mim, eu não – ele começa a rir e eu fico com cara de taxo para ele
- Eu não estava tentando te beijar, se é isso que estava pensando. Eu só estava tentando tirar seus cílios postiços que estavam caindo – sinto minhas bochechas queimarem. E enfio as mãos no rosto.
- Meu Deus, eu sou uma imbecil – ouço Justin rir e então ele afasta minhas mãos do rosto
- Relaxa – ele sorri de maneira reconfortante – Vamos eu te levo para casa – ele começa a caminhar e eu caminho ao seu lado
- Não precisa, você veio aqui se divertir hoje – ele nega com a cabeça
- Está tudo bem, meus amigos me largaram e foram atrás de garotas – sorrio
- Minha amiga fez a mesma coisa – ele ri. Seguimos para seu carro e então ele dá a partida. Em minutos chegamos ao meu apartamento. Ele desce do carro e eu faço o mesmo. Atravesso o carro e paro olhando para cima. Até quando aquele lugar vai me trazer lembranças? Me viro para Justin e sorrio fraco.
- Obrigada por me deixar aqui – ele sorri fraco de volta. Parece saber o que eu estou pensando sobre aquele lugar.
- Não foi nada – começo a me afastar e aceno. Ele acena de volta e entra no carro. Entro no saguão e Joseph me dirige um sorriso. Joseph sempre foi simpático e sempre foi um bom conselheiro. Me aproximo do balcão e me apoio ali.
- Você acha que ele vai voltar Jô? – pergunto com a voz meio embargada
- Não sei, Ali – ele da de ombros – Mas eu acho que você não deve esperar por ele. Se ele se foi, é por que não percebeu como você é especial. Então ele não te merece. – sorrio fraco para ele – Um dia você vai encontrar alguém que te mereça de verdade querida – ele segura minha mão e a acaricia um pouco
- Mary é uma mulher de sorte por te você, Jô – ele sorri. Eu beijo sua mão e começo a caminhar em direção ao elevador. 
- Vá nos visitar. Ela pode fazer aquela lasanha para você – me viro para ele e sorrio
- Irei – aceno e entro no elevador. Aperto o botão do décimo andar e as portas se fecham. Fecho os olhos por um momento e então uma lembrança de alguns anos me vem a mente

- As vezes eu penso na minha vida sem você – Thomas disse acariciando meus cabelos.
- E como é? – pergunto 
- Vazio, sem sentido. Não sei se saberia viver uma vida sem você – sorrio

Outra lembrança me invade, porém essa é mais recente.

Sabe Thom, eu acho que estou tão acostumada a viver com você, que não sei como viveria sem você – ele encara sua garrafa de cerveja
Não viva sua vida para mim, Ali. Um dia algo pode acontecer e ai você pode não me ter mais. E eu não quero que fique mal – o encaro meio confusa
- O que quer dizer? – pergunto já meio preocupada
- Nada especifico. Só que não sabemos o que nos aguarda amanhã – pela primeira vez ele me encara e percebe minha expressão – Desculpe, eu te assustei. Não foi nada, me desculpe – ele sorri e me beija.


- Ele já estava planejando isso a alguns meses – sinto meu rosto molhado e a porta se abre. Sigo para meu apartamento e quando entro Barry me recepciona carinhoso. O pego no colo e o abraço.
- Obrigada por estar aqui Barry – como se para me confortar ele mia, e depois ronrona. 

Acordo na manhã seguinte com a claridade invadindo meu quarto. Me levanto, faço minha higiene e depois sigo para a cozinha. Pego uma tigela de cereal e me sento no sofá. Ligo a TV e coloco em qualquer canal aleatório. Deixo no canal onde teria uma maratona da série Arrow.
Durante todo o dia fico na mesma. Meu celular toca, mas eu me recuso a atender. Choro com alguns episódios. Minha campainha toca algumas vezes, mas eu não atendo. Recebo mensagens e não as respondo. E quando percebo quatro dias se passaram. Quatro dias de seriados sem fim, de isolamento, quatro dias sem pensar em nada além dos personagens dos seriados. Me levanto de meu sofá e sigo para meu banheiro. Tomo um banho e me troco. Resolvo sair para comer algo que não fosse comida saudável. Assim que abro a porta dou de cara com Justin. Ele esta com a mão para cima como quem vai bater na porta.
- Oi – sorrio fraco
- Alice o que houve com você? – ele pergunta realmente preocupado.
- Como assim? – me faço de desentendida.
- Sua amiga Caitlin me ligou e perguntou se eu sabia algo de você – ergo uma sobrancelha
- Por que ela ligou para você? 
- Por que ela me viu saindo da boate com você aquele dia, e ouviu você dizer meu nome. Me procurou no Google e me ligou. Ela queria saber o que havia acontecido com você depois daquele dia. – ele respira fundo – Ela disse que te ligou, mandou mensagens, veio até aqui e você não atendeu. – reviro os olhos por um segundo e atravesso a porta a trancando. Sigo para o elevador e aperto o botão freneticamente. Justin para ao meu lado e está me encarando.
- Alice, você deixou muita gente preocupada – ele declara.
- Não sei pra que tanta preocupação. Eu sou maior de idade, faço o que quiser da minha vida. Não tenho que dar satisfações a ninguém – digo quase gritando e em um tom cortante. O elevador se abre e eu entro, Justin está meio pasmo, mas entra no elevador.
- Alice as pessoas se importam com você e se preocupam quando você...
- Eu não pedi nada disso. Não pedi nada pra ninguém – grito. Justin está entre o medo e a raiva
- Tudo bem então – ele responde ríspido e chateado. Um longo silencio se segue até que as portas se abrem na garagem. Saio e vou em direção ao meu carro, sem dizer nada a Justin. Entro no carro e dirijo para o Mc Donald’s. Estaciono o carro e entro na lanchonete. Peço um Big Quarteirão com bacon e queijo extra, junto com batatas grandes e um Milk shake de morango. Como tudo em menos de quinze minutos e depois saio. Dirijo sem rumo por cerca de uma hora. Até que decido ir a agencia de Cait. Quando passo por sua secretaria ela me encara como se pensasse “Nunca te vi tão deplorável”. Entro na sala de Cait e ela solta um suspiro de alivio.
- Você é louca de sumir assim Alice? – ela pergunta já meio estressada, mas com certeza aliviada
- Não sumi. Estava no meu apartamento, só resolvi tirar um tempo para colocar minhas series em dia sem interrupções. – sorrio fraco e os ombros dela caem. Ela ri um pouco e depois massageia as têmporas.
- O que eu faço com você Alice? – ela começa a gargalhar e eu a acompanho.
- Desculpe – digo parando de rir aos poucos – Eu não devia ter feito isso, mas eu acabei pensando em passar algum tempo trancada naquele apartamento para colocar minhas idéias no lugar – ela apenas me encara. Sei o que ela quer dizer (mas não vai por que sabe que sua pena é a ultima coisa que preciso) “Ah Ali, é tão ruim ver você nesse estado. Venha, vamos arranjar algo animador para fazer antes que você entre em um estado de lastima” ou quase isso. Ficamos um longo tempo conversando sobre varias coisas até que decido voltar para casa. 
- Tente não se trancar lá. Saia um pouco – assinto e vou em direção a porta. Paro antes de abri-la e me viro nos calcanhares.
- Cait, soube que você investigou o Justin – ela ri e levanta as mãos
- Eu precisava saber se o cara era um possível assassino – solto uma risada fraco e balanço a cabeça 
- Não importa. Você tem o endereço dele? – ela sorri e digita algo no celular
- Te mandei por mensagem. Divirta-se – ela diz em tom maliciosa e eu lhe mostro a língua
- Não é nada disso – digo e ela ri
- Uhum. Acredito – reviro os olhos e abro a porta
- Não sei nem por que ainda sou sua amiga – digo já atravessando a porta
- Por que eu sou incrível e fabulosa – ela grita e eu gargalho já fechando a porta. 
Volto para casa, tomo outro banho e visto algo e saio. Quando chego ao endereço de Justin o porteiro anuncia que eu estou lá e ele deixa que eu suba. Quando chega ao seu apartamento ele demora cerca de cinco minutos para abria a porta. Ele oi de maneira comum e eu estralo os dedos
- Me desculpe – digo antes de tudo – Pelo que eu fiz hoje mais cedo, quero dizer – tenho certeza que estou com cara de cachorro arrependido.
- Tudo bem Alice – ele sorri e eu sorrio junto – Entre – ele abre espaço para que eu entre e assim eu faço.
- Onde está Pepper Potts? – pergunto olhando ao redor 
- Bem... – ele parece hesitar – Ela está passando os últimos dias com Cara. Minha ex – o encaro e assinto
- Entendo – olho a minha volta e em sua estante vejo algumas fotos de Pepper e de uma mulher de olhos azuis claros. É muito bonita. Alguns bonecos de heróis da Marvel e da DC se encontram ali também.
- Então a que devo sua visita? Ou veio aqui só para me pedir desculpas e perguntar de Pepper? – dou uma risada e ele faz o mesmo
- Não – coloco as mãos nos bolsos e encaro o chão – na verdade fiquei sabendo que O Homem Formiga está em cartaz no cinema e bom... – faço uma breve pausa e ele prende o riso – Quero saber se você gostaria de ir assistir comigo – ele ri fraco
- Alice Burton me chamando pra um encontro – arregalo os olhos
- NÃO... Quero dizer, sim, mas não. – ele gargalha, mas parece confuso – Eu estou te chamando para sair, mas não é um encontro, não que eu não queira... MAS é só sair, sabe? Amigos... Ou – ele coloca a mão tapando minha boca enquanto para de rir
- Eu entendi – ele me solta – Espere aqui. Só vou me trocar – assinto e ele se vai pelo corredor.
Droga Alice, tinha que se enrolar toda? Penso
Me sento no sofá e encaro o local. É um apartamento bem aconchegante e arrumado. Consigo ver a cozinha não tão grande, mas bem bonita e organizada. Paro meus olhos em sua mesinha de centro a minha frente onde um notebook repousa aberto em uma foto minha. Pego o aparelho e passo as fotos que ficaram realmente boas. Continuo a olhar sua fotos, chego a uma seleção de fotos de um homem com duas crianças e um cachorro. Acabou sendo uma sessão de fotos muito espontânea, as crianças riam naturalmente e o homem também. Depois de algumas fotos Justin aparece junto com eles. As crianças o abraçam e em uma seqüência de fotos o jogam no chão. Ouço os passos leves de Justin virem pelo corredor, mas não largo o notebook. Ele para atrás de mim e ri frco.
- Desculpe, mas eu não resisti – confesso me entregando
- Tudo bem – ele se apóia no encosto do sofá e se apóia ali olhando as fotos por cima de meus ombros
- São meu irmãos e meu pai. Fui visitá-los e acabei fazendo essas fotos – sorrio percebendo a semelhança entre ele e as crianças
- Incrível – digo ainda olhando uma das fotos.
- Deixe-me te mostrar uma coisa – passo o notebook para ele e ele mexe em algumas coisas. Depois o vira para mim. Eu estou na tela. Ele passa algumas fotos, as fotos em que ele me pediu para parecer uma rebelde, algumas fotos de quando eu estava indo embora. E então a foto que ele tirou sem que eu estivesse olhando. A foto onde estava pensando em Thomas. Percebo que ele realmente conseguiu captar a tristeza naquela foto. Ele sorri fraco para mim
- Como você consegue? Quero dizer, registrar tantas emoções em uma única foto? – pergunto um pouco impressionada
- Não sei, mas geralmente o mérito nem é meu e sim da modelo – sorrio e sinto minhas bochechas corarem. Por um instante apenas nos encaramos. Como posso ter me aproximado tão rápido dele? Como posso ter vindo a casa dele pedir desculpas e chamá-lo para sair em tão pouco tempo que o conheço? E como esses olhos dourados me deixam tão hipnotizada?
- Hum... Vamos? –pergunto me levantando e tentando não parecer uma idiota
- Vamos – ele fecha o notebook e me segue.

Quando o filme acaba tudo que conseguimos fazer é comentar o filme e rir da garotinha que caiu bem na nossa frente na hora de sair da sala. Depois do cinema nos passeamos, comemos e voltamos a passear. O tempo parecia não passar ao lado dele.
- Tudo bem, me conte: O que houve entre você e Cara? – pergunto comendo um pouco de suas batatas
- Bem... Um belo dia eu cheguei em casa de uma viagem ao Canadá e fui a casa dela. Quando cheguei lá ela e meu amigo estavam juntos fazendo panquecas. E bem depois de vê-la dentro da camisa dele e ele só de toalha no meio da casa, acho que tudo estava esclarecido – ele não parece chateado ao contar isso, muito pelo contrario, parece leve.
- Eu sint...
- Não sinta. Sinceramente sinto como se um peso tivesse sido tirado de mim. – ele sorri – Eu sempre achei que não tínhamos  muito em comum. Afinal, ela nem gostava de Heróis – dou risada – Foi quase uma guerra para que o nome de Pepper fosse realmente esse – ele joga a embalagem das batatas no lixo – Eu acho que no fim das contas nós sempre ficamos um com o outro pelo prazer e por que não tínhamos nada melhor pra fazer – eu gargalho e ele me acompanha. Depois disso veio o silencio entre nós. Ele parecia querer perguntar algo
- Pergunte Justin – ele ri fraco
- Por que você e Thomas terminaram? – ele é cauteloso, mas naquele momento eu me sinto tão leve que não vejo problema algum com a pergunta
- Cinco anos de um relacionamento aparentemente perfeito, e ai um dia ele me liga e diz que não me mais – ele parece envergonhado por perguntar o que perguntou. Caminhamos em silencio até que vejo o Empire State.
- Sabe algo que nunca fiz? – pergunto sorrindo
- O que? – ele ri fraco parecendo bem interessado
- Nunca subi até o Empire State – ele sorri e me puxa pela mão 
- Que tipo de Nova Iorquina é você? – gargalho. Entramos no prédio e ele paga nossas entradas. Não está tão cheio como dizem que é. Subimos até o último andar e a vista faz o ar fugir de meus pulmões. Era inacreditável. Caminhamos até um daqueles binóculos e eu coloco uma moeda ali. Olho através dele e vejo a enseada, a ponte do brooklyn, o rio east e uma infinidade de prédios. Percebo o céu fazendo seu curso para se esconder no horizonte.
- É lindo – sussurro
- Sim – responde Justin, o encaro e ele está olhando para frente. A luz do sol bate em seus olhos os deixando ainda mais claros e dourados. Ele me encara e sorri fraco. Sinto meu estômago revirar e olho para meus pés.
- Gosta de comida japonesa? – ele pergunta eu sorrio fraco
- Você gosta de Iron Man? – pergunto irônica
- A gente podia ir a um restaurante ou sei lá – ele coça a nuca
- Pode ser na minha casa? – pergunto sabendo que ele faria essa proposta se não estivesse tão envergonhado. Ele assente e eu solto uma risada fraca de sua vermelhidão.
Quando chegamos a meu apartamento Barry logo chega para reconhecer o convidado. Pego-o no colo e afundo minha cara em seu pelo macio
- Este é Barry Allen – Justin ri
- Será que você gosta de The Flash? – gargalho e ele pega Barry. Tiro o casaco e ligo para o restaurante. Vou até a cozinha e abro a geladeira.
- Vinho ou cerveja? – ele parece intrigado
- Querendo me embebedar Srta. Burton? – gargalho e pego o vinho.
- Não vai ficar bêbado com vinho doce vai? – digo em tom de desafio e ele ri. Pego duas taças e sirvo o vinho. Nos sentamos no chão da sala de estar. Ele observa minha coleção de dvds e toys de heróis.
- Aonde você arrumou o arqueiro? – ele pega o boneco e o admira
- Existem vantagens em ser “famosa”. Eu conheci o Stephen Amell na Comic Coon e ele me deu o toy – faço uma pausa – autografado – digo de vagar e Justin me encara pasmo. Ele vira até encontrar a autógrafo.
- Ah qual é, sabia que deveria ter escutado minha mãe e virado cantor – ele murmura rindo
- Minha mãe também sugeriu isso, para mim – ele deixa o boneco e se senta novamente ao meu lado
- Pelo menos você não desviou tanto assim do caminho – sorrio fraco. Encaro seus olhos e o imagino como um cantor famoso. Era tão bonito que a maior parte de suas fãs iria vê-lo por conta de sua beleza, extraordinária. Toquei sua tatuagem atrás da orelha que era uma nota musical.
- Você gosta? Eu digo, da música? – ele sorri e meu Deus. Eu preciso parar de me impressionar com esse sorriso.
- Sim, bastante até, mas ainda prefiro fotografia – percebo que ainda estou tocando sua tatuagem e tiro minha mão dali. Me levanto e vou até meu quarto, pego meu violão no canto do quarto e volto a sala. Estendo o violão para Justin.
- Cante para mim – digo um pouco baixo. Como um pedido secreto que só nós deveríamos saber. Ele o segura e toca algumas notas. Depois começa uma canção.
- Loving can hurt 
Loving can hurt sometimes 
But it's the only thing that I know 
And when it gets hard 
You know it can get hard sometimes
It is the only thing that makes us feel alive 
We keep this love in a photograph
We made these memories for ourselves 
Where our eyes are never closing
Hearts were never broken 
And time's forever frozen still 
So you can keep me inside the pocket 
Of your ripped jeans 
Holding me close until our eyes meet
You won't ever be alone 
Wait for me to come home 
Loving can heal 
Loving can mend your soul 
And it's the only thing that I know 
I swear it will get easier 
Remember that with every piece of you 
And it's the only thing we take with us when we die

Em algum ponto da música meus olhos marejaram e eu não conseguia para de encará-lo. Ele largou o violão ao lado do sofá e rapidamente me beijou. Um beijo intenso. Por um longo tempo eu não resisti a isso, mas então um sentimento de que aquilo era errado me dominou. Me levantei abruptamente do sofá e parei encostada no balcão da cozinha.
- Justin, eu não...
- Me diga qualquer coisa, menos que você não pode. Por que sim, você pode Alice - ele não estava sendo rude, muito pelo contrário, estava sendo gentil
- Justin eu sinto muito, mas eu não estou preparada pra isso - ele sorriu fraco e se levantou
- Eu vou te deixar sozinha para pensar, tudo bem? - só lhe lanço um aceno de cabeça e ele se aproxima - te vejo amanhã - ele beija o topo da minha cabeça e sai. Quando ele fecha a porta eu me sento no balcão e fico encarando a parede branca. Pensando em meu dia com ele, como parecia tudo mais leve ao lado dele. Quando percebo já são 23:46.
- Thomas não vai voltar Alice - digo a mim mesma - E você não pode simplesmente brincar com Justin. Então se decida - Penso em Justin e em toda sua paciência. Penso na sensação de arrepio toda vez que ele chega. Penso em seus olhos e em seu sorriso. Amar pode curar. Amar pode curar. Me levanto e pego um casaco. Corro. Corro pelas ruas como se minha vida dependesse disso. O frio congela meu nariz, mas não importa. Quando chego ao prédio dele o porteiro me diz que ele foi para o estúdio. Ele me passa o endereço e eu corro para lá. Não é tão longe, apenas quatro quarteirões dali. Quando chego ao local descubro que é um prédio com dois andares. O de cima, sendo a cobertura é parte aberto parte fechado. Quando chego em frente a porta de madeira a abro em silêncio. Justin não me ouve. Ele está encarando uma parede de fotos. Minhas fotos. O estúdio está cheio de fotos penduradas em varais, espalhadas por uma grande mesa no centro da sala, tem uma pequena sala separada onde imagino que ele revela as fotos. Caminho até estar a um metro dele. Ele encara as fotos do Central Park.
- Justin - sussurro e ele se vira parecendo surpreso em me ver
- Ali, como descobriu que eu estava aqui - agarro minhas mãos nas costas
- Eu fui até seu prédio e o porteiro me deu o endereço - ele assente
- Bem... O que faz aqui? - ele parece curioso
- Eu... Bem... Eu não sei exatamente o que te dizer, não pensei nisso na verdade. Só corri para cá sem pensar muito no que estava fazendo - ele sorri
- E agora o que pretende fazer? - eu o encaro, acabo com o espaço entre nós e o beijo, ele sorri e segura meu rosto com as mãos. Quando o ar me falta eu o encaro
- Me desculpe por agir como uma idiota - ele coloca meus cabelos atrás das orelhas e sorri
- Tudo bem, valeu a pena esperar - ele segura minha cintura e eu passo meus braços ao redor de seu pescoço - Agora, venha cá por que você precisa de uma blusa de frio menina, está completamente congelada - ele me puxa até um pequeno armário e pega uma blusa de moletom cinza e gigante pra mim. Eu a visto e sinto o cheiro dele na blusa
- Ela tem seu cheiro - digo e ele ri
- Mas eu a lavei, achei que todo o perfume tivesse...
- Não - o interrompo - Não o perfume que você usa, seu cheiro mesmo - ele ergue uma sobrancelha - cada pessoa tem seu próprio cheiro, e o seu é agradável - ele se aproxima de meu pescoço e me cheira
- O seu também - eu gargalho e ele me abraça - prometa não fugir de novo - eu me afasto um pouco, me coloco na ponta dos pés e o beijo por um instante 
- Eu prometo Sr. Bieber - sussurro e ele sorri. Depois de passarmos um longo tempo abraçados Justin se oferece para fazer um cappuccino para nós. Ele vai para uma cozinha em um local que até então eu não havia percebido que existia no local. Fico caminhando por todo o lugar observando suas fotografias. Encontro um painel com algumas fotos, elas não são de Justin. É um cara tirando várias selfies em vários lugares diferentes no mundo. Sinto o cheiro de café logo atrás de mim e Justin para ao meu lado.
- Eu quero fazer isso - ele diz parecendo ler meus pensamentos - Viajar pelo mundo, e fotografar muitas coisas, e tirar uma foto igual em cada lugar que eu visitar - ele me entrega a xícara e um minuto de silêncio se segue até que ele pergunte - Vamos comigo? - eu o encaro procurando algum tipo de brincadeira em sua expressão, mas não encontro
- Ta falando sério? - ele assente e toma do seu Cappuccino - Vamos, quando? Amanhã? - ele ri
- Calma aí garota, temos que planejar isso primeiro - sorrio e dou de ombros
- Por mim iríamos amanhã, mas tudo bem, podemos planejar isso - o olho de soslaio e ele está sorrindo
- Viajar ao redor do mundo é um sonho que eu tenho a algum tempo - declara ele meio aéreo
- É meu sonho desde os 10 anos - declaro. Ele deixa sua xícara em cima da mesa e pega um tubo ao lado do painel e duas canetas piloto.
- Vem comigo - ele segue para fora. Não havia percebido uma grande mesa de madeira ali quando cheguei, Justin se sentou no banco de um lado da mesa e eu me sentei de frente para ele. Ele abriu o tubo e tirou um mapa mundi de lá.
- Que lugar seria legal visitar primeiro? - ele me entrega uma da canetas e eu circulo o Peru.
- Machu Picchu - declaro e ele sorri
- Achei que diria Paris ou Milão - ergo uma sobrancelha
- Por que achou isso? - pergunto tomando da minha xícara
- Por que você é modelo e tal, e eu achei que escolheria por serem lugares populares entre as modelos e desfiles de moda e blá blá blá - gargalho por conta da careta que ele faz
- São lugares bonitos para se visitar, mas não são minhas primeiras opções - ele sorri de canto e todo o ar se vai de meus pulmões
- Que bom que não são - ele se inclina para frente na mesa e me da um selinho
- Qual seu lugar favorito para visitar no mundo? - ele se senta normalmente e circula a Grécia
- Atenas - dessa vez eu me inclino e o beijo
- Com certeza vamos nos dar muito bem Sr. Bieber - ele segura minha nuca
- Assim espero Srta. Burton - E então ele me beija intensamente. E assim passamos toda a madrugada, escolhendo destinos e trocando beijos

2 semanas depois

Acordei com a luz cinzenta invadindo o quarto. Era inverno, então eu realmente não esperava alguma luz do sol. Me estiquei na cama e percebi alguém caminhando pelo quarto. Abri meus olhos e vi Justin com uma câmera de fotografias instantâneas, eu me sentei e ele veio até mim me dando um breve beijo. O puxo pelo braço e ele cai deitado na cama, me deito ao seu lado e afundo meu rosto em seu pescoço. Ele tira uma foto.
- Bom dia - eu sussurro e deposito um beijo em sua bochecha
- Bom dia - ele sorri. Eu me levanto e vou para o banheiro. Escovo meus dentes e quando chego ao quarto Justin não está lá. No corredor um pequeno ser saltitante pula em mim. Pego Pepper no colo e a aperto
- Bom dia Pepper - ela late e se sacode - Onde está Barry? - ao ouvir o nome do gato ela se agita, solto-a no chão e ela corre pelo corredor. Quando chego a sala Justin esta com uma xícara de café encarando a janela. O abraço pela cintura e ele se assusta um pouco.
- Sempre faz isso? - pergunto e ele viro o pescoço para o lado
- O que? - encaro a janela e percebo como é bonito aqui
- Ficar mostrando seu corpo pela janela - eu brinco. Ele está sem camisa e fica com um certo tom de escritor quando ficar assim, olhando através da janela com uma xícara nas mãos.
- Na verdade duvido que alguém esteja vendo - ele responde
- Eu estou - ele se vira e me da um beijo breve. Seus olhos analisam meu corpo e depois ele sorri
- Você deveria passar a usar minhas blusas, fica bem interessante assim - eu solto uma risada leve e sinto um monte de pêlos passando entre meus pés. Me abaixo e pego Barry no colo.
- Preciso ir para casa, pegar uma roupa e ir para o trabalho - ele bebe um pouco mais de seu café
- Eu só vou tomar um banho e te deixo lá. Preciso ir para o estúdio. Espere aqui tudo bem? - assinto e ele me da um selinho. Depois que ele entra no banho vou até o quarto e visto minhas roupas. Passo algum tempo brincando com Pepper e Barry  e então Justin aparece e nós vamos. Escutamos música e cantamos o que é bem engraçado. 
- Está entregue - ele me beija
- Sim estou - eu o beijo
- Eu acho que precisamos ir - ele me beija
- Eu também acho - eu o beijo e sorrio
- Tudo bem, já chega, ou nós sabemos onde isso vai acabar - gargalho e abro a porta.
- Te vejo mais tarde - saio do carro e entro no prédio. Subo até o oitavo andar e entro no apartamento. Quando largo a bolsa no sofá me assusto ao ver Thomas vir do corredor. Não é uma ilusão, ele está ali. Em um terno preto, com as mãos nos bolsos, gravata e o cabelo um pouco bagunçado. Ele está na minha frente, no meu apartamento. 
- Saia daqui - eu digo instintivamente dando um passo para trás
- Alice precisamos conversar - ele caminha em minha direção
- Não, tudo que você precisava dizer você já disse - ele para em minha frente e percebo que estou encurralada entre ele e a parede.
- Alice, eu sei que o que eu fiz foi errado, mas eu estou arrependido. Eu sinto sua falta - ele toca meu rosto e eu bato em sua mão
- Eu não sinto a sua - ele parece surpreso com o que eu conto a ele
- Ali, eu sei que está magoada, mas eu prometo que nunca mais vou embora - ele novamente se aproxima e eu o empurro
- Saia daqui, eu não quero mais nem uma palavra com você - ele não se move - Saia! Agora! - ele se move em direção a porta, mas para dois metros um metro e meio antes da porta.
- Eu passei a noite te esperando, onde você esteve? - reviro os olhos
- Não te interessa, agora saia - ele não sai. Ele vem em minha direção e quando eu levanto meus braços para bater nele ele os segura e me beija. Eu resisto, o empurrando o quanto eu consigo, mas ele é mais forte. Ouço a porta se abrir
- Ali você esqueceu... - e assim a frase morre. Thom me solta e Justin está na porta nos encarando com meu celular na mão. - Seu celular no meu carro - ele completa colocando o celular na mesinha ao lado da porta e saiu. Me solto de Thomas e corro até Justin.
- Justin - ele aperta o botão do elevador freneticamente - Justin - eu chamo novamente
- Alice eu já sabia que você voltaria para ele no momento que ele aparecesse - meus olhos estão marejados
- Não! Você entendeu tudo errado - a porta do elevador se abre e ele entra, eu entro junto - Justin eu não voltaria com ele nem em um milhão de anos - ele ri fraco
- Percebi isso lá na sua sala de estar - o encaro meio perplexa
- Justin da pra parar e acreditar em mim? - ele ri fraco
- Alice, não faça ceninha. Todos sabíamos que você estava comendo na mão desse cara. Se ele estralasse os dedos você voltaria - o encaro - Não se esqueça que Barry está na minha casa, vá buscá-lo - as portas do elevador se abrem - Seja feliz com ele Alice - ele ri debochado e se vai. Subo novamente e quando entro em meu apartamento Thomas está no meu sofá. Pego um vaso pequeno que está ao meu lado e jogo nele. Acerto sua cabeça, mas não o machuco tanto.
- Se eu ver essa sua cara novamente, eu juro por tudo que há de mais sagrado que eu te jogo na frente de um carro - ele parece assustado - VAI EMBORA DAQUI AGORA! - eu grito e ele passa pela porta - Thomas - ele se vira com um sorriso vitorioso nos lábios. Reuno minha força em uma das mãos e bato fortemente em seu rosto - Imbecil - ele se vira e vai embora. Bato a porta com força e dou um soco na parede. Sinto a dor se espalhar por toda a minha mão e xingo alto. Olho para minha mão e ela já está inchada. Reviro os olhos e pego minha identidade e a chave do carro na bolsa. Sigo para o hospital onde não demoro para ser atendida. Um médico que deve ter entre trinta e quarenta anos é quem me atende. Ele encara minha mão parecendo pasmo
- Como você fez isso Srta. Burton? - ele mexe um pouco em minha mão e eu seguro um grito de dor
- Eu... Soquei minha parede - ele parece impressionado
- Você não parece o tipo que sai por ai socando paredes - solto um riso fraco enquanto ele coloca meu braço em cima de uma chapa para fazer um raio X
- Eu não faço isso frequentemente, essa foi a primeira vez para dizer a verdade - ele arruma algumas coisas no aparelho 
- Deixe-me adivinhar - ele me encara - Terminou com o namorado? - eu sorrio fraco
- Não exatamente meu namorado, nós estávamos juntos, eu realmente gosto dele, mas ai meu ex apareceu e estragou tudo. Ele me beijou e Justin viu, ficou chateado e foi embora. E ai eu bati no meu ex e soquei a parede - respirei fundo e comecei a chorar - Doutor você conserta corações também? - o médico ri e eu consigo rir um pouco
- Não, mas eu sei pelo que você está passando. Eu e minha esposa passamos por muita coisa juntos, terminamos inúmeras vezes, mas sempre voltávamos. Quando você gosta realmente de alguém, não existe nada que possa realmente manter vocês longe um do outro - sorrio e ele me devolve o sorriso parecendo satisfeito
- Doutor... O que eu posso fazer? - ele pensa por um segundo e de repente parece ter a ideia do ano
- Faça algo especial para ele e peça desculpas. Diga o que sinta - uma ideia maluca invade minha mente e eu sorrio travessa. O médico diz que eu não quebrei nada, mas que é bom manter meu braço enfaixado só por precaução. Ele o enfaixa e me libera depois de prescrever um remédio para a dor. Saio de lá ja ligando para Cait que atende no segundo toque.
- Cait levante já dai, preciso da sua ajuda, quinze minutos no Starbucks perto da agência - ela só responde um ok e eu desligo

1 semana depois

Cait liga para Justin e diz que precisa dele para um ensaio para a Teen Vogue. Ele diz que estaria ali em dez minutos. Tudo já estava arrumado e todos esperavam. Um monte de modelos estavam na minha frente me escondendo. Ouvi a voz dele ecoar pelo lugar e então senti as borboletas no meu estômago.
- Bem, vamos começar - ele anuncia
- Justin - uma das modelos o chama - Preciso que veja algo antes - ela caminha até ele e por cima do ombro de uma garota eu vejo ela entregar o notebook para ele. Ele se senta e aperta o Play

Justin POV

- Hey Bieber - vejo Alice na tela do computador e começo a fechá-lo - Eu sei que você quer desligar esse computador, mas por favor não faça isso - eu paro e encaro a imagem dela - Eu sei o que você viu, mas eu juro que aquilo não tinha nada a ver. Thomas me beijou e eu tentei afastá-lo - reviro os olhos - Eu sei que é difícil de acreditar, mas é a verdade. Eu poderia te dar mil explicações, mas só vou te contar uma história. - ela respira fundo - A algum tempo atrás, em uma cidade chamada Nova York existia uma garota, ela estava quebrada e extremamente machucada. Ela foi passear no Central Park e encontrou uma cadelinha, o dono dela estava louco atrás dela. Então quando a garota foi entregar a cadelinha para o garoto, ela pensou em como aqueles olhos eram fascinantes. Depois de um dia eles trabalharam juntos e ele convidou a garota para um almoço. Ela descobriu que ele era um fotógrafo genial, e ela ficava tão desajeitada ao lado dele. Os dias foram passando e ele se viam mais, ela teve um crise de quatro dias assistindo séries, foi grosseira com ele e depois de receber um conselho foi até à casa dele chamá-lo para sair. E foi um dia incrível, eles até foram até o Empire State juntos, lugar que ele jamais visitará. Naquela noite ele a beijou e ela o mandou ir embora por que ainda achava que outro cara iria voltar, depois de receber mais um conselho ela foi até a casa dele e o beijou. Eles tiveram duas semanas maravilhosas juntos, mas então o outro cara apareceu. E bem, aconteceram algumas coisas e tudo deu errado. Mas sabe o que essa garota pensou durante as duas semanas em que eles estiveram juntos? - ela faz uma pausa longa - Ela pensava "Por que eu não o conheci antes? Ele é simplesmente incrível". Sabe por que ele é incrível? Por que ele é um nerd, não tão nerd assim, e ele não tenta ser outra pessoa. Ele é desengonçado, tem uma cadelinha muito amável chamada Pepper Potts só por que ele adora Iron Man, ele adora todos os heróis na verdade, menos o SuperMan, ele ama séries, é um ótimo cantor, mas é um fotógrafo maravilhoso. Mas o que o torna mais incrível é que ele esteve disposto a estar comigo mesmo sabendo que eu sou uma doida varrida, que dança na rua de madrugada, que grita, sabendo que eu misturo milk shake com batata frita e come tudo junto. Você aceitou remendar meu coração e fazê-lo novo. Por isso eu tenho uma pergunta para te fazer Sr. Bieber - o vídeo para. Eu olho para frente e todas as modelos seguram uma placa formando um "Me perdoa Sr. Bieber" e Alice estava lá segurando uma placa com uma "?". Naquele momento meu coração se quebrou em mil pedaços. Eu poderia perdoá-la, mas não ficar com ela de novo.
- Ali - sussurro. Acho que uma expressão de desapontamento tomou conta de meu rosto por que ela parece preocupada
- Tudo bem, não precisa me perdoar - ela encolhe os ombros
- Não Ali, eu te perdoo, mas precisamos conversar - ela parece ficar feliz novamente. Ela caminha até mim e agradece as modelos pela ajuda. Elas se retiram e então nós estamos sozinhos.
- Pode falar Justin - ela está radiante e naquele momento eu me sinto estúpido pelo que vou fazer
- Ali nós não podemos ficar juntos - o sorriso em seus lábios se quebra lentamente
-  Como assim? Por que? - ela parece estar tentando se agarrar a alguma esperança de aquilo ser uma brincadeira, mas não é.
- Cara e eu voltamos - seus olhos brilham marejados, mas mesmo assim ela sorri
- Isso é ótimo - ela cruza os braços e morde a bochecha por dentro, o que já havia percebido que ela fazia sempre que estava chateada. 
- Ali...
- Justin, eu preciso ir, tudo bem? - ela pega o notebook e começa a se afastar - Mas fico feliz por você - ela se vira e corre com certa dificuldade por conta do salto alto. Me sento ali e a vejo sumir. Eu não queria magoá-la, mas eu estive feliz por estar com Cara ultimamente e nós reatamos. Ver Alice daquele jeito era horrível, mas nós ficamos juntos duas semanas e ela poderia voltar com Thomas. Ela o amava. Certo?

Alice POV

- Ei Frank - minha voz está completamente embargada, mas o barman vem até mim com aqueles olhos azuis deslumbrantes e um sorriso sedutor.
- Ei, acho que alguém bebeu além da conta - ele se apoia no balcão e eu me inclino para ele
- Docinho, não seja mal. Vamos lá, me dê outra cerveja - sussurro para ele
- Eu até te daria, mas se eu te der outra cerveja você não sai daqui de pé - reviro os olhos. Por algum motivo eu o puxo pela gola da camisa e o beijo. Quando me afasto dele ele tem um sorriso barato no rosto
- Você é muito chato - digo - Mas é muito gato e beija bem. Ta afim de ir pra um lugar mais reservado? - ele ri
- Isso aqui fecha em 20 minutos, se estiver a fim de esperar - mordo o lábio inferior
- Tudo bem - no mesmo instante meu celular toca e eu o atendo sem olhar o visor - Pois não
- Alice onde você está? - a voz de Cait pergunta do outro lado
- Em um bar chamado Stop of beer e estou esperando meu amigo barman super gato terminar o turno dele para irmos pra casa juntos - eu começo a rir e Caitlin respira fundo do outro lado
- Você bebeu Alice? - eu gargalho
- Talvez um pouco - ela parece frustrada
- Estou indo te buscar
- Okay, mas venha daqui uma hora, tenho um compromisso nesse meio tempo - desligo o telefone e o barman ri fraco
- Você é engraçada - ele declara
- E você é muito gato - ele me puxa pela nuca e me beija.
Depois de cinco minutos Caitlin está ali exigindo que eu entre no carro sem discussões.
- Desculpe docinho, mas não daria certo de qualquer forma - digo rindo e Caitlin me arrasta para fora. Quando chegamos em minha casa eu conto a ela toda a história daquele dia e ela me abraça.
- Oh minha amiga - é só o que ela diz. Depois de vinte minutos ela vai embora me fazendo prometer que não tentaria nada com estranhos e nem beberia novamente. Eu prometo, por que sinceramente, amanhã de manhã eu me arrependeria da minha decisão.
Acordo na manhã seguinte com a luz do sol entrando na sala de estar. Agradeço por não sofrer de ressaca. Me levanto e tomo um café.
- Mais um dia que vai começar Alice, uhul - digo sem ânimo algum. 
Depois de um longo banho de imersão e me vestir de maneira descente eu saio para a agência. Ao chegar lá muitos rostos se viram para mim. Eu apenas ignoro. Sigo até a sala de Brad e ele me olha por cima dos óculos.
- Me diga que tem algo ai para eu fazer - me sento no sofá e pego um bombom no pote.
- Eu te disse que poderia ficar em casa hoje - reviro os olhos
- Brad meu amor, tempo é dinheiro e eu pretendo ficar bilionária - ele é quem revira os olhos dessa vez.
- Bem, eu preciso que alguém vá para uma sessão de fotos na Times Square já que uma das modelos principais quebrou o pé e não vai poder ir - eu sorrio
- Estou dentro - me levanto e sigo para a porta. 
- Já vá vestida - assinto e sigo para a sala dos figurinos. Depois de me vestir pego o carro e vou para a Times. Uma pequena área está fechada para as fotos. Sigo até eles e  todos me encaram. Fofocas voam nesse meio. Todos estão prontos. Nós nos posicionamos e o fotógrafo manda todos ficarem sérios. Eu penso no que Justin faria se fosse o fotógrafo e solto um pequeno sorriso, mas é o suficiente para o fotógrafo fechar a cara. Eu continuo séria. Não é uma sessão muito longa, mas três modelos tem que ficar para uma sessão reservada, e eu estou entre elas. Como sempre eu sou a última, então me sento em um cantinho no chão e fico mexendo no celular. Minutos depois uma pessoa para a minha frente. Vejo Henry me encarar e sorrir fraquinho. Me levanto e o abraço. Ele afaga meus cabelos e eu me sinto protegida.
- Sabe o que funciona pra mim quando estou mal? - ele pergunta aleatoriamente
- O que? - ele me afasta de si e abre um largo sorriso
- Mudar o visual e é isso que eu vou fazer em você meu amor. Esse cabelo longo já encheu. Vamos cortar e talvez clareá-lo um pouco. - eu gargalho. Existem coisas que somente Henry Sant Cloud consegue fazer, uma delas é mudar seu humor com uma visita a seu salão.

3 meses depois

Assim que o carro parou em frente ao evento e a minha porta se abriu flashs dispararam de todos os lugares. Nesses últimos meses minha vida deu uma guinada, a Colcci me queria para seus desfiles que começariam em breve. Para me persuadir eles haviam me convidado para a festa de "estreia" dos desfiles. Seria um primeiro desfile com algumas modelos que já trabalhavam para a Colcci a algum tempo e depois uma festa para que muita gente enchesse a cara. Eles me enviaram um vestido maravilhoso para a ocasião e eu me sentia incrível nele. Caminhei até um banner para tirar algumas fotos e depois entrei no local onde Gregory, um representante da Colcci, me aguardava sorridente e de braços abertos. O abracei brevemente e ele me fez dar uma pequena volta.
- Alice você está maravilhosa - sorri fraco tirando os cabelos da frente do rosto
- Você está maravilhoso, Gregory - ele deu de ombros e depois riu. Ele estendeu o braço para que eu o encaixasse ali. Assim o fiz e ele me encaminhou por várias pessoas, me apresentando com um prodígio que logo faria parte da família Colcci. Falamos com tantas pessoas, e Gregory contava tantos segredos sobre elas que eu cheguei a ficar tonta. Logo o desfile começou e as luzes ficaram mais baixas. Uma música bem animada começou e então as modelos entraram.

[...]

Quando o desfile terminou eu precisava beber algo, mas Gregory me apresentou a algumas pessoas antes de "me deixar caminhar com minhas próprias pernas". Quando ele me liberou fui direto ao bar, me sentei e esperei que o barman viesse, o que não demorou muito, e eu pedi uma água. Estava levando a sério a promessa que fiz a Cait de não me meter em encrencas, então evitava o álcool ao máximo. Assim que um copo decorado me foi entregue e eu me levantei. Me virei quase derrubando tudo em um cara que estava ali
- Desculpe, eu só não vi onde estava indo - levantei o olhar e o chão foi tirado de baixo dos meus pés.
- Alice - ele exclamou com um sorriso exuberante no rosto. Eu me senti corar por algum motivo e sorri para ele.
- Oi Justin - por longos segundos só ficamos parados sorrindo um para o outro. Seus olhos eram tão incríveis quanto eu me lembrava, seu sorriso era maravilhoso da mesma forma e eu não conseguia parar de olhá-lo.
Ah meu Deus esse homem não pode ser real penso
- Você está linda - aquilo faz minhas pernas virarem gelatina
- Você também está - solto sem pensar muito, mas quando ele ri eu coro. Eu não posso agir como uma pré adolescente que está apaixonada por um cara inalcançável
- Você está bem? - ele coloca as mãos nos bolsos e eu nunca me senti tão atraída por um homem de terno
- Sim, a vida está sendo legal comigo ultimamente - ele sorri balançando a cabeça
- Sim, eu realmente vi em "algumas" - ele faz aspas com as mãos - revistas e sites por ai - eu me sinto meio tonta por conta de seu olhar sobre mim
- E você como está? Ainda sendo um ótimo fotógrafo? - ele ergue os ombros meio tímido
- Eu estou bem, se continuo sendo um ótimo fotógrafo eu não sei, mas continuo fotografando - ele faz uma pausa - porém não fotógrafo mais pessoas, agora fotógrafo lugares do mundo - eu fico estática. Ele realmente começou seu sonho. Várias coisas se misturam dentro de mim: felicidade, orgulho, tristeza e felicidade novamente. Ele começou a viajar o mundo. Sem mim. Provavelmente com Cara.
- Isso é incrível Justin - eu dou alguns pulinhos sem perceber - quero ver todas as fotos - ele ri da minha empolgação
- Claro - ele ainda ri. Ele devia estar muito feliz junto com Cara, mas algo em mim torcia pra eles não estarem juntos. Eu queria muito perguntar, mas não iria. - Está feliz em ser a nova cara da Colcci? - eu ponderei aquilo. Eu estava animada pra fazer todos aqueles desfiles e tudo o mais, mas não era exatamente felicidade.
- Sim - menti. Ele ergueu uma sobrancelha. Antes que pudesse dizer algo Gregory chegou como um furacão dizendo que precisava me apresentar alguém e saiu me puxando. Eu me virei para Justin
- Foi bom te ver de novo, Ali - ele acenou e eu o vi desaparecer na multidão antes que pudesse responder.
- Foi bom te ver também, Justin - sussurrei. Gregory me levou até uma roda de estilistas e a conversa fervia, mas eu não estava ali. Estava com Justin.
Você está linda.
Muitas pessoas me disseram aquilo naquela noite, mas nenhuma delas fizeram eu me sentir realmente linda só por dizer aquelas palavras.
Depois de todas as conversas e elogios a mim, as pessoas se foram. Eu fiquei ali parada encarando o nada tomando minha água. Eu não havia esquecido aquele cara, nem por um segundo. Estava apaixonada por ele, mas ele tinha Cara. Respirei fundo e mordi a parte de dentro da bochecha para conter as lágrimas que encheram meus olhos. Quando meus olhos secaram alguém tocou meu ombro. Me virei e ele estava lá, sorrindo tímido.
- Posso voltar a falar com a super modelo ou mais alguém vai vir te levar? - eu ri e ele fez o mesmo
- Desculpe, Gregory sempre fica meio eufórico em festas assim - ele ri. Eu gosto de ouvir sua risada - Mas então senhor mochileiro das galáxias - nós gargalhamos - O que te trouxe de volta a NYC? - por um momento ele travou e apenas encarou um ponto fixo
- Um amigo disse que haveria isso aqui hoje, e que seria uma boa oportunidade para mim, como fotógrafo e tudo mais, mas a verdade é que eu me acostumei a liberdade que o mundo me deu - algo em seu tom de voz estava estranho, mas não questionei
- E quanto tempo você pretende ficar por aqui? - sim, eu estava desesperada pra saber quanto tempo eu tinha para vê-lo.
- Só mais um dia. Parto depois de amanhã as 4:30 da madrugada - decepção se formou dentro de mim, mas não deixei que transparecesse.
- E para onde pretende ir?
- Chile. Parece um bom lugar para ir e passar alguns dias - aquilo estava remoendo dentro de mim
- Sim - Alice não faça - Você e Cara devem estar bem animados com toda essa coisa de viajar o mundo - ele para por um segundo depois sorri fraco
- Na verdade não. Nós terminamos. - ele faz uma pausa - Quando eu propus que viajássemos ela disse que isso era coisa de hippie e que ela não podia largar o emprego dela para seguir um sonho bobo. E ai eu simplesmente disse que estava tudo acabado e sai do apartamento dela - ele ri fraco - Nós realmente não somos um para o outro. Ela é muito pé no chão. - ele encolhe os ombros - É uma pena que eu tenha percebido isso tarde demais - ele encara meus olhos de maneira intensa. Eu sei a o que ele está se referindo. Por sorte (ou azar) Gregory chega novamente.
- Eu preciso ir - digo
- Sim, claro - ele sorri - Posso... Hum... Te dar um abraço? - eu sorrio e o abraço. Ele passa seu braços ao meu redor e eu sinto seu cheiro. O cheiro Justin. Como eu sempre gostei. Sinto que vou chorar e me afasto dele
- Tchau Justin - digo já caminhando com Gregory.
- Tchau Ali - caminho mais alguns passos para depois olhar para trás e ver que ele havia ido embora. Novamente as pessoas conversam e eu fico pensando nele. Sinto Gregory passar a mão pelo meu braço esquerdo fazendo carinho ali. Ele me olha como se dissesse "Eu sinto muito". Eu também sentia.

[...]

Já estava na agência a horas, decidindo algumas coisa para a Colcci. Já eram sete da noite quando entrei no táxi e fui para casa. Paguei o taxista e atravessei a rua para ver Justin sentado nos degraus do meu prédio. Estava frio, mas ele não parecia não se importar. Quando alcancei a calçada ele me encarou e se levantou
- Justin o que faz aqui? - pergunto
- Estava te esperando - ele tenta esquentar as mãos
- Por que? - ele me encara eu sinto o mundo se esvair
- Alice eu não te disse a verdade ontem, quando me perguntou por que eu havia voltado, quer dizer não completamente, o que te disse a verdade sobre aquilo, mas não foi só por isso. Esse meu amigo, Mike, me disse aquilo, mas me disse que você estaria lá. E eu voltei por que queria te ver. Eu queria poder te ver e sentir você do meu lado e saber que você ainda é a Ali - ele fez uma pausa - Eu cometi um grande erro três meses atrás. Eu achei que estava fazendo o certo ao voltar com Cara e deixar você voltar para o Thomas, mas a verdade é que eu fiz a maior merda da minha vida. Quando Cara disse aquilo sobre a viagem tudo o que eu pensei foi "A Ali aceitou no mesmo instante" e depois eu pensei em como eu queria que você fosse comigo, mas eu não podia bater na sua porta e pedir que fosse comigo depois do que eu te fiz. E então eu fui sozinho achando que viajar seria uma ótima ideia e que eu esqueceria você e te deixaria viver sua vida, mas a verdade é que nenhum lugar no mundo faz sentido sem você comigo. Não importa quão longe eu vá. - ele parou e eu sabia que já estava chorando - Ali você quer ir comigo, viajar o mundo? - eu chorei de maneira incontrolável
- Justin, eu acabei de fechar um contrato com a Colcci. Eu não posso - comecei a caminhar em direção ao prédio - Desculpe - e sai correndo e o deixando para trás. Assim que entrei no meu apartamento me sentei no sofá e chorei. Depois de muito chorar fui para o banheiro e entrei na banheira. Enquanto ela enchia eu pensava na vida.
Mas a verdade é que nenhum lugar no mundo faz sentido sem você comigo. Não importa quão longe eu vá

- Justin - sussurro


Justin POV


Estava sentado na sala de espera no aeroporto. Pensando em como eu havia falhado com Alice. Eu falhei com ela meses atrás e não tinha o direito de aparecer agora e pedir que ela fosse comigo. Não tinha o direito de estar triste, mas estava. Meu voo foi chamado e eu segui para a área de embarque. Antes de entrar no corredor em direção ao avião olhei para trás esperando ver Alice ali, mas ela não estava lá. Eu tinha que me acostumar com isso. Nós não iríamos ficar juntos.












Desembarquei em Santiago e logo encontrei minha bagagem. Caminhei pelo aeroporto procurando a saída. O que estava bem difícil
- Justin! - alguém gritou e eu me virei. Uma garota de cabelos curtos e claros nas pontas estava ali sorrindo. Ela correu até mim e abraçou o cara ao meu lado.
- Alex, é tão bom te ver de novo - o garoto disse a ela. Eu balancei a cabeça e ri fraco
- Isso só acontece em filmes - disse baixinho pra mim mesmo
- É, que tipo de pessoa faz isso na vida real? - uma voz disse atrás de mim. Me virei e vi Alice ali, sorridente.
- Alice? - pergunto ainda meio pasmo
- Em carne, osso e bagagem - ela aponta a mochila gigante aos seus pés
- O que faz aqui? - pergunto tentando não rir como um idiota
- Bem, um certo cara foi até minha asa ontem e disse que nenhum lugar do mundo fazia sentido sem eu estar com ele. E a verdade é: nenhum lugar no mundo faz sentido sem você comigo - ela sorri e um enorme sorriso se forma em meu rosto
- Mas seu contrato com a Colcci...
- Nenhum contrato com ninguém ganha de uma viagem ao redor do mundo com você
- Você é inacreditável garota - ela da de ombros
- Inacreditável é que você ainda não tenha me beijado - eu sorrio e me aproximo dela a beijando com demasiada urgência. Algumas pessoas ao nosso redor aplaudem e ela sorri.

[...]

Alice POV

"Cait,
A vida não poderia estar melhor (ou talvez sim, caso você estivesse aqui pra zoarmos juntas). Todos os lugares que visitamos são maravilhosos e as pessoas tem sido bem legais. Mas eu sei que sua vida não está nada ruim também. Fiquei feliz em passar meu lugar na Colcci para você, mas acho que deveria ter me contado antes que queria viver nas passarelas, eu te apoiaria tanto quanto apoio agora. Não acredito que passou tanto tempo me incentivando e no fim das contas você ama mais essa vida de modelo do que eu amava. Mas não importa. Espero que goste de Milão e da correria toda. A propósito eu e Justin iremos ao seu primeiro desfile lá.
Ele tem sido incrível, e nós fazemos cada brincadeira idiota em público, eu estou me sentindo tão livre e feliz que pareço outra pessoa. Ao lado dele não existem problemas e eu me sinto tão abençoada.
Em pensar em como eu estava triste e acabada quando o conheci naquele dia no Central Park. Engraçado como tudo aconteceu. Imagine se Pepper Potts não tivesse fugido. Nós estávamos no lugar certo e na hora certa.
Agora eu preciso ir, Justin quer fazer algumas fotos agora que o sol está nascendo.
Espero que você encontre alguém que te faça sentir o que Justin me faz sentir. Isso é se já não encontrou, não é mesmo Henry?
Te vejo em Milão"

Terminei de digitar o e-mail e o enviei a ela. Me levantei da grama e corri até Justin. Ele me deu um selinho e ergueu a câmera
- Diga olá Machu Picchu - ele disse colocando a língua de fora
- Olá Machu Picchu - disse e fiz o mesmo que ele.
E assim víamos o sol nascendo em meio as ruínas Incas
- Agora o mundo é nosso - eu sussurro
- E nós somos um do outro - ele sussurra de volta e eu sorrio o abraçando e sentindo seu cheiro. Ele passa suas mãos em volta de mim e eu não pretendo soltá-lo nunca mais

13 de jun de 2015

PROM?

- Justin! - o grito enquanto ele corre colina acima. Ambos rimos da situação, mas ainda assim quero bater nele por me assustar com aquele papo da aranha estar no meu ombro.
- Me pegue se conseguir Cecíl - seu sorriso é radiante e faz o mundo girar melhor. Corro mais rápido e sinto minhas pernas doerem, mas ignoro a dor e até o alcançar. Quando o alcanço pulo em suas costas e ele me derruba no chão. Sinto todo meu corpo travar quando ele começa a me fazer cócegas, porém gargalho e ele faz o mesmo e isso é maravilhoso de se ouvir. Quando as cócegas cessam meu corpo relaxa. Quando encaro seus olhos ele estão tão dourados que penso estar olhando para ouro.
- Cecí, eu preciso te dizer algo - ele segura minha mão e calmamente eu me sento na grama.
- Pode dizer Justin - ele se aproxima um pouco de mim
- Cecilia eu... I can do it like a brother Do it like a dude - a voz sai de sua boca, mas não é a voz de Justin e sim da Jessie J.

Abro meus olhos e ainda estou em meu quarto. Meu celular toca ao som de Do it like a Dude, o que me indica que é Justin me ligando. Atendo sem mais delongas  e ele parece chorar do outro lado.
- Justin?! - me sento bruscamente na cama, preocupada. - O que aconteceu? Por que está chorando? - ele funga do outro lado e eu sei que nada esta bem.
- Nós terminamos - ele diz entrecortadamente - Acabou. Depois de dois anos e quatro meses acabou. E no dia do baile Cecí. No dia do baile de formatura. - olho meu criado mudo e lá esta o convite do baile. Ao seu lado meu relógio indica 5:45 da manhã.
- Quando isso aconteceu? - me levanto e vou ao banheiro lavar meu rosto.
- Agora a pouco. Ela me ligou e disse que estava terminando comigo. - bufo e bati na pedra fria de mármore da pia
- Não acredito que ela terminou assim - coloco meu celular no viva voz e amarro meus cabelos frustrada.
- Cecília o que eu faço agora? - ele pergunta meio dramático do outro lado.
- Saia de baixo desse cobertor do homem aranha, tome um banho, se vista de maneira belíssima que daqui a trinta minutos eu passo na sua casa... E não discuta comigo - ele ri fraco e eu sorrio - Trinta minutos - desligo o telefone e tomo um banho rápido. Me visto com tênis, jeans, uma camiseta cinza e uma jaqueta college por cima. Pego as chaves do carro e acelero para a casa de Justin . Paro o carro na frente da casa e corro para as escadas de entrada. A porta esta aberta então eu subo e entro no quarto. Justin está vestido de maneira deplorável, apenas as calças e tênis estão bons. Ele usa uma camisa social vermelha que usou três anos atrás, e um moletom surrado cinza.
- Jus qual é. Eu disse belíssimo - vou até o guarda roupa e pego uma blusa de basquete azul que cobre a bunda dele e uma jaqueta de couro preta - Toma veste - ele me encara com os olhos vermelhos 
- Não quero – bufo
- Justin Drew Bieber, você tem cinco segundos para levantar e se vestir e eu não estou brincando - ele bufa e se levanta. Tira o moletom e desabotoa a camisa. Quando ele retira a mesma eu percebo o quão definido é seu abdômen.
- Você é muito chata - me afasto dele e vou até o pote de balas na mesinha. Meu Deus como ele é bonito. Ele havia se vestido. Vou até ele e arrumo seu cabelo que facilmente se alinha.
- Agora está bonito. Vamos - sigo para fora e ele me segue. Pego duas maçãs e entrego uma para ele. - Finja estar feliz - mordo minha maçã e ele revira os olhos.
- Não sei fazer isso - lhe dou um tapa de leve no braço 
- Você finge bem pros seus amigos populares - ele me deu um tapa na cabeça e eu me desequilibrei caindo. Ele gargalhou e eu desisti de brigar com ele. - Idiota - me levantei e segui para a porta. Entrei no carro e ele entrou também.
- Não quero ver a Tiffany - resmunga ele
- A gente vai se vingar - ele arregalou os olhos - Calma, não vou fazer nada demais. 
- O que pretende fazer? - ele pergunta 
- Ela começou a namorar com você pela popularidade, e terminou por que todos a adorariam por terminar com o capitão do time de basquete no dia do baile. Agora nós vamos mostrar pra ela que você ta legal e que já tinha outra pessoa com você. - ele riu
- E quem seria essa pessoa? - mordi o lábio
- Eu - ele me encarou e parecia pasmo
- Você vai fazer isso por mim?
- Vou, afinal você é meu melhor amigo - "E tem vantagens" penso e sorrio
- Valeu Cecíl - ele beija minha bochecha e eu coro um pouco.
Paro o carro no estacionamento da escola e nós descemos do carro. Andamos lado a lado até entrarmos na escola. Então Justin me abraça pela cintura e eu me assusto.
- O que você está fazendo? - ele afunda o rosto em meu pescoço
- Só tornando tudo mais real - ele cheirou meu pescoço e eu ri. - Você mudou de perfume - comenta ele me soltando da cintura e passando seu braço sobre meus ombros.
- Anda notando meu cheiro Bieber? - dou risada e ele ri fraco
- Sempre notei - o encaro por dois segundos e depois encaro o além novamente.Todo mundo na escola sabia que eu gostava do Bieber desde a sétima série, mas ele parecia não perceber isso. No primeiro ano do colegial quando ele e Tiffany começaram a namorar, eu comecei a negar que gostava dele, e até tentei ser amiga da garota, mas nós vivemos em mundos diferentes. Desde então eu apoio ele nesse relacionamento e em todas as outras coisas na vida dele. Sempre estive ao lado dele, e ajudá-lo agora não seria algo tão ruim para mim.
- Cecí? - ele me tira de meus devaneios e eu o encaro. Percebo que estou sorrindo e paro imediatamente
- Sim - respondo meio constrangida
- Em quem estava pensando? - arregalo os olhos e sorrio fraco
- Como assim em quem? - ele da aquele sorriso de canto maravilhoso que só ele tem
- Você tava com aquela cara de quando ta pensando em alguém que gosta - gargalho meio forçadamente - E agora ta tentando disfarçar que ta nervosa - bato em seu peito e ele ri
- Não é ninguém - ele me olha de canto e eu empurro seu rosto com a mão 
- Cecília me conte quem é esse cara - bufo e ele gargalha. Olho para frente e Tiffany está vindo com suas serviçais 
- Rápido me abrace e sorria - ele assim fez e eu fiz o mesmo. O encarei e acariciei seu rosto de maneira carinhosa. Percebi um bando de pessoas parar a nossa frente e nós paramos. Encarei Tiffany e quis pular em seu pescoço.
- Oi Justin - aquela voz irritante ecoou e Justin segurou minha mão.
- O que quer? - ele perguntou
- Só quero me desculpar por terminar com você no dia do baile - ela soltou um sorrisinho cínico
- Não tem problema - o tom de Justin foi indiferente.
- Não? - ela pareceu surpresa
- Não. - ele apertou minha mão e sorriu para mim
- Eu já pretendia levar outra pessoa ao baile - ela arqueou uma sobrancelha - E antes que pergunte quem eu lhe respondo: A Cecília - o encarei de olhos arregalados
- Eu? - ele me encarou de maneira cúmplice como sempre fazíamos - Sim, eu. Aliás, o pedido foi lindo Justin. - o abracei e ele me envolveu em seus braços.
- Hum... Cecília no baile com você? - ela riu fraco junto com suas seguidoras - Okay. Espero ver vocês lá então - e ela saiu rindo. Quando ela virou no corredor eu me separei de Justin
- Que merda você fez? Você sabe que eu não vou ao baile - ele passou as mãos nos cabelos e me encarou com olhos de criança pidona
- Por favor, Cecíl - pensei na primeira desculpa que me veio à cabeça
- Não tenho um vestido - ele revira os olhos
- A gente compra hoje - penso em outra desculpa
- Não tenho grana - ele me segura pelos ombros
- Eu pago tudo que você precisar pro baile. Vamos por favor - reviro os olhos sem mais desculpas e sem ter como lutar contra aqueles olhos
- Ta. Eu vou - ele festeja me abraçando e me girando no ar - Justin! - grito enquanto gargalho.

[...]

Na hora do almoço eu e Justin saímos da escola no meu carro e vamos ao shopping para comprar tudo. Ele me leva a uma loja de vestidos de festa e assim que entramos uma mulher chega com um sorriso enorme
- Posso ajudar? - encaro Justin e ele parece estar controlando bem a situação.
- Ela quer um vestido para um baile de formatura - ele aponta para mim e sorri.
- Okay. Alguma preferência? - ela me encara
- Que não seja bufante, muito menos ridículo e não seja grudado - sorrio e ela solta uma risadinha.
- Okay. Que tal você e seu namorado se sentarem perto do provador ali?- ela aponta para um provador, um sofá e um espelho gigante de frente para os dois outros itens. - Enquanto eu pego alguns para você provar - assinto e sigo Justin. Nos sentamos no sofá e ele parece tranqüilo.
- Prometo que não vou demorar pra escolher - ele me encara e sorri bagunçando meu cabelo
- Pode demorar não me importo - ele se deita em meu colo e eu faço carinho em seu cabelo com as unhas
- Não fique assim - ele me olha e ri fraquinho
- Assim como? - ele faz carinho no meu joelho
- Baixo astral - ele ri, mas sem o mínimo de vontade
- Vai ficar tudo bem - sem pensar muito me curvo e lhe dou um beijo no rosto. Ele parece um pouco surpreso (já que não faço isso normalmente) e cora um pouco-
 Sim, vai - ele sorri e a moça chega com um monte de vestidos. Respiro fundo e depois solto o ar com força
- E lá vamos nós

[...]

Já estava cansada de colocar e tirar tantos vestidos. Estava para sair do provador e desistir de toda aquela idéia quando alguém bateu do outro lado da porta
- Cansei de vestir todos esses vestidos. Chega - gritei fechando o zíper da calça 
- Tenta esse, por favor - a voz de Justin pediu do outro lado. Bufei abrindo a porta. Justin arregalou os olhos e depois desviou o olhar. Então percebi que estava só de sutiã. - Hum... Eu encontrei esse ali e achei legal. - puxei o vestido de sua mão e fechei a porta com minhas bochechas queimando. Tirei a calça e coloquei o vestido.
Era bem bonito até. Era tomara que caia dourado e justo até a silhueta e depois era solto e tinha balanço em um tom marsala e ia até um pouco acima do joelho. Abri a porta do provador e fiquei de frente para o espelho. Era muito bonito. Virei-me para Justin e ele parecia impressionado
- E então? - ele levantou e caminhou até mim, me fez girar um pouco e depois assobiou
- Ta linda - fiquei vermelha e ele riu fraco.
- É esse? - assinto e vou para o provador

[...]

Acabei comprando um scarpin preto básico e discuti com Justin sobre ir ao cabeleireiro e venci. Então resolvemos ir ao Mc Donald's. Pedimos nossos lanches de sempre, o do Justin um quarteirão com coca e batatas e o meu um Mc lanche feliz com batata grande e milk shake de morango. Quando peguei meu Jake dentro da caixinha meus olhos brilharam e Justin riu.
- Que criança - ele gargalha e eu enfio algumas batatas na boca dele.
- Blá blá blá - bufo e como uma batata. Ele bagunça um pouco meu cabelo e eu rio
- Você é uma idiota - lhe dou alguns tapas fracos e ele gargalha
- Trouxa - mordo meu lanche e Justin ri mais.
 - O que foi? - pergunto depois de engolir
- Você bate como uma garotinha - jogo uma batata nele que acerta sua boca
- Eu sou uma garotinha, qual a sua desculpa? - ele fechou a cara e eu gargalhei. Ele se aproximou e começou a fazer cocegas. Ele sempre fazia isso (as vezes ele me empurrava) já que não podia me bater. 
- Quem é uma garotinha?
- Você - ele continua
- Quem? - o ar começa a me faltar pelo tempo gargalhando e eu me rendo
- Eu, eu, eu. Agora para - ele me solta. Eu enxugo algumas lagrimas que começaram a se formar e ele ainda esta rindo. Tento lhe dar um tapa de leve no rosto, mas ele segura minha mão e me puxo para mais próximo de si. Fico gelada e imóvel. Ele aproxima seu rosto do meu pescoço e puxa o ar. Eu me arrepio e ele ri fraco.
- Você definitivamente mudou de perfume - ele se afasta um pouco, mas ainda esta bem próximo de mim - E desde quando tem arrepios? - ele sorri de canto
- Desde sempre - declaro e me impressiono em como minha voz sai firme, mas percebo minha mão tremendo e Justin também percebe e ri.
- Por que esta nervosa? - ele me provoca, mas o porquê disso eu não sei.
- Não estou nervosa, idiota - reviro os olhos e puxo meu braço 
- Não? - ele se aproxima mais. Eu tento ir para trás, mas a parede esta ali. Ele sorri de canto
 - Não - ele coloca mão em meu rosto e eu resolvo fazer algo idiota. - Justin, para de brincadeira idiota - começo a rir e ele faz o mesmo
- Quase te peguei - gargalho e ele me acompanha se afastando
- Não - ele faz a cara de vencedor
- Você até tremeu - busquei uma desculpa
- Tremi por que a Tiffany estava do outro lado - ele se virou rapidamente e não havia ninguém lá. Assim como não havia ninguém ali cinco minutos atrás.
- Obrigado - ele agradece e eu apenas sorrio desacreditada de como ele acreditou
- Vamos, temos um baile de formatura para ir - me levanto e ele faz o mesmo 

[...]

Quando termino de passar meu batom a campainha toca e logo escuto Justin e meu pai conversarem. Minha mãe adentra o quarto sorrindo e para surpresa com a "mudança de estilo".
- Querida, você está linda - sorrio para ela. - Justin chegou - assinto. Sinto meu corpo gelar e minhas mãos começarem a tremer. Minha mãe se aproxima e me abraça, como se eu estivesse indo embora de casa. - Eu sei que gosta dele Cecília - meus olhos se arregalam e ela se afasta de mim.
- Como...? -ela ergue uma sobrancelha antes que eu consiga terminar minha pergunta
- Eu sou sua mãe Cecília, e também, qualquer pessoa consegue ver em seus olhos. - abaixo um pouco a cabeça e ela segura meu queixo - Eu sei que esta fazendo isso só para ajudá-lo, mas acho que deveria tentar contar isso pra ele hoje. - ela sorri do modo acolhedor que só ela consegue.
- Vou tentar - ela sorri e se retira do quarto. Arrumo um pouco mais o cabelo e saio. Quando chego ao alto da escada Justin olha para cima e parece surpreso. Termino de descer os degraus e ele se aproxima de mim.
- Você esta muito bonita Cecíl – sorrio
- Você também Bieber - ele da o braço para que eu entrelace no dele e seguimos para a porta
- Tchau, não vamos te esperar - diz meu pai e eu gargalho. Vamos até o carro dele e entramos. Ligo o radio e uma música agitada começa. Justin entra e da a partida. Vamos até o local do baile cantando e rindo. Quando Justin para o carro ele me encara.
- Vamos - tento abrir a porta, mas a mesma esta trancada.
- O que houve? - pergunto o encarando. Ele me analisa e sorri de canto. - O que foi? Tem algo errado? - me encaro e ele ri fraquinho.
- Não – responde sem parar de me encarar
- Então o que foi? – pergunto sustentando seu olhar sobre mim
- Hoje, quando estava em casa me arrumando Ryan apareceu por lá. – reviro os olhos. Ryan é do time e vive sendo ridículo.
- E? – pergunto em desdém
- Eu contei a ele que viria no baile com você – espero que ele continue e ele respira fundo – E ele me disse algo que não sai da minha mente
- O que? –pergunto agora um pouco mais tensa
- Ele me disse que você gosta de mim e qualquer pessoa pode ver isso – arregalo os olhos, minha primeira reação para disfarçar é rir. E eu gargalho
- Como é? – continuo gargalhando – Justin você não pode acreditar nas asneiras que o Ryan diz – o encaro e nada de diferente parece acontecer. Ele não parece decepcionado com minha resposta e isso me chateia. Isso é um sinal de que ele não sente o mesmo por mim.
- Eu sei. Foi só uma idéia maluca que ficou na minha cabeça – ele ri e para de me encarar – Vamos nessa então – assinto e ele destrava a porta. Saio do carro e ele se junta a mim. Ele passa sua mão em volta de minha cintura. Quando chegamos a porta uma mulher pergunta se pode tirar uma foto nossa e Justin diz que sim. Ele para ao meu lado e eu sorrio, quando a mulher conta diz que vai tirar a foto Justin lambe minha bochecha e eu rio. A mulher gargalha e vem nos mostrar a foto. Acaba ficando bem engraçada. Depois de limpar minha bochecha entramos no local da festa e logo de cara vemos Tiffany beijando um cara loiro que eu suponho ser Troy. Justin aperta minha mão e eu me viro para ele.
- Fique calmo. Venha comigo. Vamos falar com seus amigos populares – o puxo pela mão e sigo para uma grande mesa cheia de pessoas populares. Logo percebo olhares de Christian em cima de mim. De todos naquela mesa, ele era o que mais me irritava. Sempre fazendo piadinhas sobre mim e as vezes dizendo coisas sórdidas, mas hoje ele me encara. O olhar de quando ele quer uma garota. Justin me abraça pela cintura e os caras na mesa nos encaram.
- Hey Biebs – Chaz diz e se levanta vindo até nós – E... Uou... Cecília. Você está gata – elogia e eu sorrio. Charles sempre foi o mais aceitável dali
- Valeu Charles – lhe dou um beijo no rosto e ele sorri.
- Eu não ganho um beijo também? – a voz irritante de Christian soa atrás de Chaz e eu reviro os olhos.
- Jamais Christian – declaro e todos riem. Nos sentamos e todos conversam sobre coisas populares das quais eu não faço idéia. Muito tempo se passa e eu agradecia por ter levado meu celular. Quando levanto os olhos percebo Tiffany vindo em nossa direção e me aproximo do ouvido de Justin, tentado parecer casual e fazendo parecer que estou tentando chamá-lo para algo provocante.
- Não olhe agora, mas Tiffany esta vindo para cá. Quer vê-la com raiva? Então finja que estou te dizendo algo provocante – lhe dou um beijo leve no lóbulo e sorri de canto. Não me afasto tanto. Ele vira e nossos rostos estão bem próximos um do outros. Ele morde levemente o lábio inferior e coloca a mão em minha perna. Viro-me para frente e vejo Tifanny parada atrás de Chris
- Não é que vocês vieram mesmo – ela ri em deboche – Mas Justin amorzinho, você não me engana. Só veio com ela por que eu te deixei no dia do baile – Justin aperta um pouco minha perna e eu coloco minha mão sobre a sua e ele relaxa
- Tiffany, sinto muito, mas eu não vivo minha vida para você – ela ri
- Justinzinho – reviro os olhos – Você chorou por que terminamos – todos na mesa seguram o riso e Tiffany encara Justin com olhar de vitoria. – Admite que veio com ela só pra não ficar por baixo – Quando Justin pensou em abrir a boca eu o parei.
- Justin, bem que você disse que a voz dela faz os ouvidos sangrarem. Por isso estava chorando hoje cedo, completamente compreensível – declaro e todos na mesa riem.
- O que você...? – ela começa, mas eu a interrompo
- Vamos dançar Jus? – pergunto para Justin e ele assente. Levanto-me e Justin faz o mesmo. Seguimos para a pista de dança, Justin pede que eu espere e vai até o DJ e logo a musica fica lenta. Ele vem até mim e estende a mão eu dou risada e a seguro fazendo uma pequena reverencia de princesa. Nos aproximamos e começamos a dançar lentamente.
- Lembra que quando éramos crianças dizíamos que estaríamos juntos no baile de formatura e dançaríamos uma musica lenta juntos? – dou uma risada fraca e ele faz o mesmo
- Eu vestia os vestidos de festa da minha mãe e você usa um terno do seu pai. Íamos para o quintal e dançávamos até termos outra idéia de brincadeira. – ele riu
- Nossos pais sempre diziam que íamos namorar um dia – ele me gira, como quando éramos mais novos.
- Sim, sempre diziam – sei que Justin esta meio triste por falar nos pais. Eles faleceram quando tínhamos 14 anos. Um acidente de carro. Justin ficou semanas na UTI em coma. Quando acordou eu lhe dei a noticia sobre seus pais. Lembro que durante aquelas semanas eu sempre ia da escola para o hospital e do hospital para a escola. Quando ele teve alta, os avos dele já estavam morando por lá. Quando Justin fez 16 anos eles voltaram para sua cidade e Justin passou a morar sozinho. Sempre ia à minha casa e meus pais o adoravam. Nunca precisou trabalhar, já que os pais lhe deixaram uma herança e tanto, mas sempre éramos monitores em um acampamento para crianças no verão.
- Obrigado – ele diz me tirando de meus devaneios
- Tudo bem, o baile é até suportável – ele ri
- Não por isso. Por tudo. Por ser minha melhor amiga, por estar comigo em momentos difíceis, por me apoiar, por me deixar pegar sua família emprestada – ri – Por sempre segurar minha mão quando eu tive medo. Obrigado Cecíl – sorrio para ele
- Obrigada também Justin. Por me deixar fazer parte dessa doideira de vida que é a sua, por ser meu melhor amigo sempre, por entrar pra minha família, por ir para os acampamentos de verão comigo, por me trazer ao baile – ele ri e eu faço o mesmo. O abraço subitamente e ele me envolve em seus braços.
- Justin eu gosto de você – digo repentinamente e ele me afasta me encarando pasmo.
- Você... - ele começa e é interrompido
- E AI GALERINHA – o DJ grita e eu me assusto – Chegou a hora de anunciar o rei e a rainha do baile – todo mundo grita e Justin pede pra que eu espere. O cara tem dois envelopes na mão e depois de enrolar bastante abre o primeiro que é o do rei do baile. O que não é novidade pra ninguém
- JUSTIN – todos gritam e batem palmas e ele segue para o palco. Ele recebe uma coroa e sorri para todos. Eu sempre achei que uma coroa combinaria com ele. E estava certa. Ele ficou la enquanto o cara abria o outro envelope com o nome da rainha do baile. Dessa vez ele fez mais suspense, mas nem tanto
- TIFFANY – todos gritam novamente e batem palmas e Tiffany segue para o palco. Recebe sua coroa e suas flores que entrega para uma garota segurar. O DJ avisa que haverá a dança do rei e da rainha. Justin é um pouco resistente a segurar a mão dela, mas acaba segurando e eles seguem para a pista de dança. As pessoas se afastam conforme eles vão chegando e eu faço o mesmo. A musica começa e eles dançam. Parecem realmente um casal. Quando a musica para as pessoas gritam para que eles se beijem. Tiffany beija Justin que não se nega a nada. Ele desce a mão pelas costas dela e segura sua bunda. Encaro a situação perplexa e percebo algumas amigas de Tiffany rirem de mim. Afasto-me e sigo para a saída. Tiro os sapatos e corro para casa. Quando chego lá entro correndo e peço a minha mãe que caso Justin pergunte de mim, ela diga que eu não cheguei em casa. Ela concorda e eu corro para meu quarto. Jogo-me na cama e durmo. 

Quando acordo o sol ainda não havia nascido. Levanto-me e vou até minha mesinha estudos. Abro meu notebook e entro no meu e-mail. Respondo a um e-mail e vou até meu closet. Pego minha mala e a jogo em cima da cama com algumas roupas. Dobro todas e guardo na mala. Entro no banheiro me livrando do vestido e tomo um banho longo e quente. Entro novamente em meu closet visto um moletom GG e um short. Penduro o vestido em um cabide e o encaro por um minuto
- Você poderia ser usado por alguém que fosse ter uma boa lembrança de quando usou você – solto todo o ar pela boca e saio do closet. Quando entro no quarto ele está lá. Parado perto da janela encarando minha mala. O encaro e sorrio
- Aonde vai? – seu tom já me diz tudo. Se ele pudesse desfaria aquela mala agora mesmo
- Justin... Eu ia te contar, mas não tive tempo. – ele deu alguns passos e se sentou na cama
- Bom... Agora temos tempo – ele cruza os braços. Ele ainda está com seu smooking, mas sua camisa branca esta com manchas de batom (da mesma cor do que Tiffany usava) e seu cabelo esta desarrumado.
- Justin, eu fui aceita no MIT – ele arregala os olhos e levanta num salto
- Você vai para Massachusetts? – assinto e ele volta a se sentar meio pasmo – Você nem me disse que tinha se inscrito – aberto as mãos dentro do bolso do moletom.
- Eu não achei que fosse passar – mordo o lábio. Ele me encara como se dissesse “Really bitch?
- Você sabia que ia passar. Nunca conheci ninguém tão inteligente quanto você – aperto mais as mãos – Quando você vai? – ele pergunta passando as mãos pelos cabelos
- Assim que o dia amanhecer – ele se levanta e vem até mim.
- COMO É? - ele esta de frente para mim. E como sempre foi, eu tenho que olhar um pouco para cima para falar. – Mas as aulas estão longe de começar – argumenta
- Eu sei, mas eu preciso resolver coisas da minha matricula, minha casa lá, emprego, coisas assim – ele parece não acreditar. Eu não olho em seus olhos por que sei que ele descobrira.
A verdade é: Eu nem me inscrevi para o MIT. O diretor da escola encaminhou meu histórico para o diretor do MIT e eles me ligaram. Eu tinha até hoje para decidir se iria. E eu decidi. Eu iria para o MIT. Iria morar em Massachusetts.
- Cecília você não pode estar falando sério – me afasto dele e vou até a mesinha. Abro a gaveta e pego a passagem aérea. Entrego para ele. Ele lê toda a passagem e depois me encara – Cecíl... – ele diz um pouco baixo
- Justin... Vão ser ótimos anos, eu vou fazer engenharia nuclear, vou ter aulas maravilhosas, vou fazer o que gosto de fazer e... – ele me interrompe
- Você acredita no que está dizendo? – ele pergunta de maneira direta.
- Claro que acredito Justin. – solto um riso fraco e ele balança a cabeça negando
- Não acredita. Você está mentindo para si mesma, e tentando mentir para mim também – ele me segura pelo ombro e eu sinto meu corpo arrepiar.
- Justin é isso que eu quero fazer e... – ele me interrompe novamente
- Por que você vai para lá?
- É obvio que...
- Não. Não quero saber isso. Quero saber o real motivo pelo qual você vai – ele encara meus olhos de maneira profunda e eu tento não desviar. O que, obviamente, falha
- Eu vou para lá por que eu sempre quis ir para o MIT Justin. A vida não é um eterno colegial. Uma hora a gente precisa crescer – ele levanta meu queixo e me faz encará-lo
- Eu te magoei não foi? Te magoei quando beijei a Tiffany no baile – me nego a ter uma expressão de pânico no rosto
- Não Justin. Eu só te contei aquilo por que precisava te contar antes de ir. Eu não esperava que seu sentimento fosse recíproco. Eu sabia que não era – respiro tentando não chorar – Você não me magoou Justin – ele balança a cabeça negativamente
- Então por que foi embora e pediu pra sua mãe me dizer que não estava aqui? – aperto minhas mãos ainda no bolso do moletom
- Eu fui embora por que surtei. Qual é, é estranho contar para o seu melhor amigo que gosta dele. E eu não estava em casa. Passei naquela sorveteria para comprar um sorvete grande. Quando cheguei minha mãe já estava dormindo – caminhei até a janela e me sentei nela. – Eu sinto muito se deixei uma impressão errada, mas eu não sabia o que fazer – ele se virou para mim, mas não vem ate mim. Mantemos silencio por um longo tempo e eu sei no que ele está pensando: Que eu devo estar mentindo. E estava, mas ele não precisava saber
- Fico feliz que tenham voltado – digo um pouco mais baixo do que pretendo, mas forço um sorriso e faço com que pareça sincero.
- Obrigado, eu acho – ele responde meio sem jeito. Ele tira um papel do bolso e caminha até mim. – Eu queria que ficasse com isso – ele me estende o papel e percebo que é uma foto. A foto que tiramos quando chegamos ao baile. Sorrio olhando a foto
- Sem photoshop, sem mentiras, sem atuações, somente dois idiotas sendo amigos idiotas – digo e ele ri. Continuo encarando a foto. Depois de algum tempo levanto e caminho até ele. O abraço e choro. Não por ele ter beijado Tiffany, mas de saudades. Uma saudade que sei que vou sentir quando for para Massachusetts.
- Vou sentir sua falta JB – ele me abraça com força
- Vou sentir sua falta Cecíl – só ele me chamava de Cecíl e só eu o chamava de JB. Ficamos assim por algum tempo até que me afasto e vou até o closet. Pego uma caixa e volto ao quarto me sentando na cama. – Os tesouros de Cecíl – era assim que ele chamava aquela caixa. Já que eu guardava coisas importantes ali.
- Acho que tem algo aqui que te pertence – ele parece intrigado e se senta ao meu lado. Retiro de lá uma pedra azul. Quando fomos juntos ao caribe, éramos crianças e eu encontrei aquela pedra. Justin ficou maravilhado com ela, e eu disse que um dia eu a daria a ele.
- A pedra – ele diz rindo um pouco – Não acredito que ainda tem isso – eu a seguro entre os dedos e encaro-a
- Eu disse que te daria um dia. – a coloco em sua mão e ele parece surpreendido
- Cecí... – eu nego com a cabeça
- Quero que tenha algo para se lembrar de mim – ele me encara
- Eu vou te visitar em Massachusetts, não é um adeus – eu sorrio fraco
- Justin, nós sabemos que você vai começar sua faculdade de música. A faculdade rouba muito tempo. Eu quase nunca vou estar disponível, você também não. Vamos aceitar os fatos: Não vamos nos ver por um bom tempo – ele baixa a cabeça e fecha mão que esta com a pedra.
- Obrigado Cecí – ele diz baixinho
- Não me agradeça Justin – ele me encara e eu sorrio para ele. Ele sorri e eu brevemente me arrependo da decisão, mas passa. É hora de seguir em frente.

[...]

Três meses depois

A aula de Design e Projetos de Sistemas Nucleares acabou e eu me sentia maravilhada com aquilo. Era simplesmente fascinante.
- Cecília – alguém me chama e quando me viro vejo Tyler.
- Oi Tyler – digo e ele sorri meio tímido
- Eu gostaria de saber se você quer ir comigo a uma festa – aperto minhas mãos e olho para meus pés
- Eu sinto muito Tyler, mas eu tenho um trabalho para terminar e não posso. Tchau – saio andando antes que ele se pronuncie. Eu preferi não me aproximar dos caras dali por um tempo. Ainda estava mal por causa do que ocorreu com Justin e queria dar um tempo.
Não via Justin desde aquele dia no meu quarto. Não lhe contei o horário do meu vôo. Passamos a nos falar por mensagens algumas vezes por dia, mas já fazia algumas semanas que não conversávamos. Fiquei sabendo por Chaz que ele e Tiffany iam muito bem, então resolvi não atrapalhar isso.
Avistei Cassie vindo em minha direção animada. Cassie era minha amiga e nós dividíamos um apartamento, não muito longe do campus. A conheci no dia que fui a secretaria fazer minha matricula. Conhecidentemente ela estava fazendo a dela também, mas ela cursava arquitetura. Naquele dia, depois de um almoço e um passeio pela cidade resolvemos morar juntas. Ela vinha do Canadá, Toronto. Tinha cabelo enrolados e os olhos pretos mais escuros que já vi na vida. Era amável e adorava romances.
- Nós vamos sair hoje. E isso não é um pedido – reviro os olhos e bufo
- Cassie – digo meio manhosa – hoje eu não...
- Calada, nós vamos e não tem discussão – solto um risinho fraco e ela ri vitoriosa – Vamos – ela me puxa pelo braço e me arrasta pelo campus.
Quando chegamos ao apartamento eu tomo um banho rápido e me arrumo. Cassie disse que era uma festa de algum amigo dela. Não entendi bem ao certo. Fico na sala encarando uma parede branca. Deixo minha mente viajar e meus olhos acabam me levando a foto. Ela está na estante em um porta-retratos. Caminho até a foto e a seguro nas mãos. Justin esta lambendo meu rosto e eu estou gargalhando de olhos fechados.
- Sinto sua falta JB – sussurro baixinho e abraço a foto por alguns segundos. A deixo em cima da estante quando ouço Cassie vir pelo corredor. Viro-me para ela e ela parece impressionada.
- Cecília, você está linda – ela sorri e faz sinal para que eu gire e assim eu faço enquanto dou risada
- Você também está Cassie – ela agradece com uma pequena reverencia e pega as chaves do carro.
- Vamos – assinto. Saímos de casa e trancamos tudo.
Quando chegamos ao lugar da festa já eram 22:00. Agradeço mentalmente por não termos aula no outro dia. Era uma espécie de salão de festas. Quando entramos tinha uma decoração bem legal. Alguns balões, luzes piscando, uma mesa com bebidas, outra mesa com alguns doces e comidas, um DJ e um palco. Não sabia que música estava tocando, mas era bem animada. Logo encontramos uma mesa e nos sentamos. Algumas pessoas conhecidas da faculdade estavam ali, e Cassie conversava com elas de maneira simpática. Eu não podia dizer o mesmo de mim. Estava cansada e só queria dormir. Festas ultimamente me deixavam desanimada. Levanto-me e vou beber algo. Encontro uma daquelas travessas cheias de ponche vermelho e encho um copo de plástico laranja com ele. Tem gosto de cereja. Volto para a mesa, mas Cassie nem o resto das pessoas estão ali. Começo a andar pelo local e não os acho. Quando me viro pensando em ir embora um cara me segura pelos ombros.
- Você é Cecília? – ele pergunta e eu me afasto um pouco
- Sim – respondo meio receosa. Ele sorri
- Preciso que venha comigo – ele estende a mão. Eu me nego no começo, mas depois não vejo mal algum. Ele me puxa até um lugar próximo ao palco onde só existe uma cadeira. – Espere aqui – antes que eu possa perguntar o que esta acontecendo ele sai correndo. Eu me sento e fico esperando algo acontecer, mas por um longo tempo nada acontece. E então as luzes se apagam. Eu agarro a cadeira, mas não ouso me levantar. A musica Flashlight da Jessie J começa a tocar uma luz se acende. Uma imagem aparece no pano branco do palco. Sou eu quando era criança junto com Justin. Meu corpo treme. Outras imagens minhas com ele passam e então um vídeo começa e a musica fica mais baixa, como se fosse de fundo.

“- O que estão fazendo? – a voz de Pattie ecoa. Me lembro daquele dia. Ela havia comprado a câmera recentemente eu e Justin tínhamos 7 anos
- Mamãe, mamãe – Justin corre para a mãe e para sorridente
- O que foi querido? – ela pergunta carinhosa como Pattie sempre fora
- Ela aceitou, ela aceitou – responde Justin sorridente e saltitante. Eu sorrio ao me lembrar do que vem a seguir
- Ela aceitou o que? – Pattie ri com a confusão do pequeno
- Cecíl aceitou meu pedido. Quando formos grandes ela vai ao baile de formatura comigo – ele salta e a música começa a aumentar novamente.”

Mais fotos começam a passar como se passassem em ordem cronológica. Uma foto de nossa primeira tatuagem passa. Fizemos aos 16 anos, depois que Justin acordou do coma. Não contamos a ninguém que faríamos. Era uma ancora no começo da curva do braço. Minha mãe quase nos matou, mas entendeu nossos motivos depois. Instintivamente toquei a tatuagem e sorri. Mais um zilhão de fotos passaram e então a ultima elas foi a do dia do baile da escola e nesse mesmo momento a música acabou. Um holofote parou no palco e nada aconteceu por um momento e então um barulho como se alguém batesse no microfone soou.
- Você aceitou meu pedido aquele dia – a voz de Justin ecoou por todo o lugar – mas no dia do baile de verdade eu te decepcionei. Não levei você como minha parceira de verdade. Fingimos tudo para deixar outra garota com ciúmes. – ele riu fraco. Onde ele estava? – Depois que consegui isso, você foi embora. Você veio para Massachusetts. E cara, eu não imaginei que fosse possível alguém ficar como eu fiquei. – a luz foi para o canto do palco e então Justin apareceu ali. Andando para o centro do palco. Ele parou no centro e uma luz fraca veio em minha direção. Ele me encarou e sorriu.
- Você sempre foi minha melhor amiga, nós sempre cuidamos um do outro, sempre fomos confidentes um do outro. – ele fez uma pausa, molhando os lábios como sempre fazia – Sabe, quando meus pais morreram, eu estava na escuridão. Eu não saberia seguir, eu não saberia me levantar se você não estivesse lá. Você sempre foi minha lanterna nos momentos escuros. Você sempre me guiou. Você sempre esteve lá. E eu fui tão burro, tão cego em não perceber que você estava lá, não só como minha amiga, mas como alguém que gostava de mim, mas eu fui mais cego e burro por não perceber lago muito importante: Eu também gostava de você. Caramba, eu gostava tanto de você que quando aquele Andrew quebrou seu coração eu fui atrás dele e dei uma surra nele – eu solto uma risada fraca. Ele coloca uma das mãos no bolso da calça social.
- Sabe Cecíl – ele olhou para as pessoas no lugar – Só eu posso chamá-la de Cecíl – todos gargalham e ele volta sua atenção para mim – Sabe Cecíl... Eu sempre te olhei de um jeito diferente, mas eu nunca pensei que fosse como alguém que eu gostasse. – ele ri fraco – Naquele dia quando você me disse que gostava de mim, meu coração chegou na boca e voltou para o peito, mas então eu agi como um idiota. Eu achei que não fosse bom para você. E durante toda a minha caminhada até aquele palco para receber a coroa de rei do baile eu pensei nisso. Quando beijei Tiffany eu queria que você deixasse de gostar de mim por que eu não queria estragar tudo. Eu fui a sua casa e sua mãe me disse que você não estava lá eu subi até sua janela e você estava dormindo. Eu fiquei lá esperando você acordar. Quando te perguntei sobre pedir pra sua mãe mentir pra mim e você me contou a história da sorveteria ao invés de dizer a verdade eu soube que havia quebrado seu coração. E eu me senti como Andrew e quis quebrar minha cara. Continuei com Tiffany por uma semana depois daquilo, mas não havia uma noite que eu não ia até sua janela e me sentava lá e esperava que você aparecesse. E então eu percebi algo que sua mãe já sabia – ele ri e eu também – Eu gostava de você. E eu não te tirava da cabeça. Eu fui para a faculdade e todas as vezes que eu entrava na aula eu pensava “A Cecíl sempre adorou piano, principalmente quando eu tocava para ela” quando eu ia para a aula de violão eu pensava “A Cecíl adora o barulho que os dedos fazem ao deslizar pelas cordas do violão”. Em uma aula eu enchi uma folha do meu caderno com seu nome. Eu não me concentrava em nada. E então um dia passando por um grupo de estudantes de poesia um deles disse ao outro que quando uma garota maravilhosa diz que gosta de você e você começa a sentir algo estranho dentro de você desde então isso não quer dizer que você passou a gostar dela também. Isso quer dizer que você sempre gostou dela também. – seco o canto do meu olho quando uma pequena lagrima se forma ali.
- Eu fui um idiota com você. Você me deu seu coração de tantas formas diferentes e muitas vezes eu quebrei seu frágil coração, mesmo sem saber. Eu quero que me perdoe por isso minha pequena Cecíl. – ele desce do palco e a luz o segue. Ele caminha até mim e para em minha frente. Eu o encaro e percebo algumas olheiras.
- Eu não sabia o que fazer, mas então eu me lembrei daquele vídeo onde eu te pedi pra ir ao baile comigo e você aceitou. Porém o baile já havia passado. E então eu descobri o número de Cassie e ela me ajudou a criar um novo baile aqui. E eu tenho uma pergunta pra te fazer Cecília Snow – ele se ajoelha e alguém trás um buque de tulipas e o entrega a ele. – Tulipas por que você acha rosas clichês – dou risada assim como todos no local – Cecíl você quer ir ao baile comigo? – ele estende o buque e eu percebo a expectativa de todos
- Você veio até Massachusetts só para me levar ao baile e acha que vou dizer não? – ele ri e eu pego o buque. Ele se levanta e alguém chega perto de mim. Percebo que é Cassie
- Pode deixar o buque comigo – entrego a ela e Justin estende a mão para mim.
- Você aceita dançar comigo madame? – dou uma risada e seguro sua mão
- Claro que sim gentil cavalheiro – ele ri e entrega o microfone a um garoto. A música Flashlight começa novamente. E começamos a dançar. Ele me gira algumas vezes durante a dança o que me lembra nossa infância. Quando a música acaba ele faz sinal para que eu espere e vai até o garoto do microfone.
- Bom... Eu não vim de Atlanta até Massachusetts para lhe trazer ao baile – ele admite e eu fico imóvel – Eu percebi que você, Cecília Snow, foi algo maravilhoso que sempre aconteceu na minha vida. E eu não posso simplesmente ser um idiota que sai por aquela porta depois de te levar ao baile. – ele respira fundo – Você me deu seu coração muitas vez, como eu já disse, e todas essas vezes eu não conseguia ver. Agora que consigo ver claramente, eu gostaria de saber se você está disposta a me dar seu coração novamente. Eu prometo que vou cuidar dele com todo o meu coração. – ele vem em minha direção e novamente se ajoelha. Segura minha mão de maneira suave e lagrimas já se formam em meus olhos – Cecíl você quer ser minha parceira nessa eterna dança que é a vida? Quer ser sempre minha melhora amiga? Minha confidente? Enfim... Cecíl você quer ser minha namorada? – as pessoas parecem não respirar para ouvir o que tenho a dizer.
- Sim JB. Sim. Sim. Sim – eu digo alto e ele se levanta. Sem muito enrolar ele me beija. Um beijo cheio de urgência e paixão. As pessoas gritam a nossa volta, mas nada importa. Somos nós dois. Um do outro. Quando o ar acaba ele se afasta um pouco encostando nossas testas. Nossas respirações estão descompassadas Ambos sorrimos como idiotas. Um garoto chega com uma caixinha preta e entrega a Justin. Ele abre e lá tem duas alianças de compromisso. Ambas têm um ancora gravada do lado de fora. Justin pega uma delas e coloca no meu dedo. Eu pego a outra e coloco em seu dedo. Ele me levanta e me gira no ar com um abraço. Eu gargalho. Ele me coloca novamente no chão e me beija. Dessa vez um beijo mais calmo, porém com a mesma paixão.
- Eu esperei por isso durante os últimos três meses, na verdade acho que esperei por isso a vida toda, só não percebi – ele diz depois de nos afastarmos
- É recíproco – declaro e ele sorri. Começam a tocar uma musica e as pessoas resolvem dançar. Eu e Justin ficamos encostados no palco. Uma de suas mãos em minha cintura e minha cabeça apoiada em seu ombro.
- Como vamos fazer em relação a distancia? – pergunto subitamente e Justin ri. Ele me puxa pela mão e começa a dançar comigo
- Bom... O MIT tem faculdade de música e bem... eu fui aceito – ele diz de maneira indiferente, mas depois sorri. Eu o abraço forte e ele gargalha. Ficamos dançando abraçados por um longo tempo.
- Eu te amo Cecíl – ele diz e eu sorrio sem me afastar
- Eu também te amo JB – digo ainda colada a ele. Aquela sensação era maravilhosa
- You’re my flashlight – ele canta baixinho e eu sorrio.

Por toda a minha vida eu esperei por ele. Como ele mesmo disse “Eu era sua lanterna nos momentos escuros”. Estar ali naquele momento com Justin, sabendo que moraríamos um perto do outro e que tínhamos uma vida inteira pela frente, e que provavelmente passaríamos ela juntos era lago realizador. Viver sem saber o que realmente é sentir o amor é como viver no escuro. Quando você encontra esse amor e se dispõe a senti-lo a deixar que ele tome conta de você é como encontrar uma lanterna no meio da escuridão.

Naquele momento eu agradeço por ter encontrado minha lanterna no meio da escuridão.

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Oi oi Brigadeiros. Bom está ai mais uma Oneshot.
Era pra eu ter postado ontem, mas não rolou então postei hoje.
Espero que tenham gostado, por que eu gostei de escrever. E sim eu estava escutando a música Flashlight quando escrevi o final de PROM? hahaha

Meus brigadeiros fico muito agradecida pelos comentários e pelas views em Miles Away. Obrigada pelo carinho de vocês  = )

Eu não tenho mais o que dizer por aqui. 

Então Tchau, um beijo e um queijo. E até a próxima, Bigadeiros <3 span="">