9 de dez. de 2014

That Boy - One Shot~


Aquele garoto que até então passava despercebido por mim. O garoto que eu havia reparado apenas algumas vezes, porém não de verdade, e por causa de uma colega que queria "ficar" com ele. O garoto que quando ela me mostrou, eu só pensei "Ah, legal, ele tem um bom corpo"; porém eu ainda era distraída. Não tinha importância e provavelmente ainda não tem agora. 
O garoto que, tempos depois, pediu ajuda junto com um amigo para mim e uma amiga na biblioteca enquanto estudávamos; Naquele dia eu continuava distraída, tentava estudar algo pelo celular e usava fones de ouvido mesmo sem estar ouvindo música. Minha roupa? Acho que eu usava algum moletom ridículo na Minnie Mouse, cor de rosa e meio brega, com shorts, óculos e um par de tênis não tão limpos, e o cabelo preso. E eu ocupava duas cadeiras, com uma postura largada nas mesmas. Confortável, digamos. O que isso importa? Nada. Eu não ligo muito para minha aparência, nem me importo - na maioria das vezes - o que as pessoas acham dela. Apesar dos apesares, infelizmente não pudemos ajudá-los, mas mesmo assim aquele garoto nos agradeceu e fora muito educado desde o início da nossa até então, "interação".  Ele foi embora e nós continuamos a estudar. 
Alguns dias depois, a minha amiga e costumeira companheira de estudos resolveu ir para casa e eu fiquei para estudar sozinha na biblioteca. Sentei-me numa mesa bem no meio,  "me larguei" nas cadeiras, coloquei meu par de fones de ouvido em alguma música qualquer e peguei minhas apostilas para estudar novamente o mesmo assunto chato que eu estudara na semana passada para uma prova que acabara por ter adiada para aquela outra, mais precisamente no dia seguinte. Até aí , beleza. Eu estava concentrada nos estudos quando prevejo uma pessoa que até então ia passando.
Por causa da minha visão periférica, eu olhei e vi aquele garoto parado a pouco mais de um metro de mim, olhei e voltei os olhos para a apostila. Assim, no automático. Eu vi ele, não fez nenhuma diferença. Mas ele ficou parado por alguns segundos e eu sabia que esse poucos segundos ele estava me encarando. Talvez precisasse de ajuda de novo? Pensei. Talvez ele quisesse dar um "Oi". Mas não disse. Eu quase falei com ele, quase disse um "Oi", mas quando eu ia justamente fazer isso, quando eu ia levantar a cabeça, novamente minha visão periférica o captou voltando a andar e passando direto por mim. 
Que seja. Lembro-me de achar um pouco estranho, mas tudo bem, não é? Continuei largada, na mesma posição, estudando. Não vi mais o garoto depois disso. 
Mais alguns dias depois, eu andava com a minha amiga e avistamos um menino andando que segundo ela era um "gatinho".  Eu estava sem óculos nesse dia e, devo dizer, sou péssima para enxergar de longe, não só não enxergo de longe como também enxergo tudo embaçado. Ou seja, se alguém conhecido passar por mim, mesmo que esteja a, sei lá, dois metros de distância, talvez eu não reconheça. Mas isso não é interessante.
O negócio é que eu perguntei se era aquele garoto que nos pediu ajuda outro dia, e ela respondeu que não. Em seguida, soltou um "por falar naquele garoto...", e me contou que outro dia quando nós tínhamos ido procurar um professor em seu escritório, nós passamos por aquele garoto. Eu não lembro de o ter visto.  Mas segundo minha amiga, ele havia me olhado "dos pés a cabeça", e não era com medições ou de maneira maliciosa, mas sim com um sorriso. E ela falou"cara, ele te olhou não daquele jeito que, tipo, eu odeio, com medições e tal... ele te olhou sorrindo, e foi pra você e não pra mim. Que inveja." ela havia comentado e eu apenas ri da situação que até então era despercebida por mim. E me falou o nome dele.
"Justin."
"Justin?", perguntei. "Tem certeza?"
"Tenho, porque foi eu que descobri" - para a nossa colega, que estava interessada nele. Okay. Que seja. 
Então contei a ela do que havia acontecido na biblioteca outro dia, que ele pareceu que ia falar comigo e não falou. Enfim, depois veio a ironia à respeito da nossa colega que até uns dias queria ficar com ele e talvez ainda quisesse. A garota que me disse uma vez que queria que ele olhasse para ela ao menos uma vez, mas que ele não olhava.
Mas ele olhou para mim. Sem eu ter feito nada, ele me reparou. Beleza. Podemos ter comentado algumas maldades à respeito dessa ironia master. Por que essa colega/amiga andava há muito tempo nos irritando com besteiras e futilidades, sem contar que vivia falando que sempre consegue o que quer. Na boa, odeio gente assim, convencida. Mas adivinha, colega? Eu nem dei bola pra ele, nem sequer reparei nele e ele olhou pra mim, ele me reparou. Coisa que não aconteceu contigo, que vivia secando o garoto por aí pelo campus. Que irônico.
O melhor foi quando fui para uma monitoria com minhas amigas, e ele estava lá. Eu sabia que a turma dele iria ter monitoria naquele dia, porque tanto a dele quanto a minha tínhamos prova naquela semana. De qualquer forma, eu fiquei curiosa à respeito e cara, eu odeio quando fico curiosa. Mas naquele dia eu resolvi prestar um pouco de atenção nele.
E eu olhei para ele algumas vezes, discretamente, como se tivesse olhando em volta para qualquer um ali. E acabei que fiz isso mesmo, resolvi reparar nas pessoas. De qualquer jeito, isso não é interessante.
Em dado momento, eu senti que ele me observava, olhei em volta "distraída" e acabei encontrando seu olhar. Naquele momento ele acenou com a cabeça para mim, em um "Oi" silencioso. Acenei de volta e sorri sem mostrar os dentes, logo voltando a atenção para o que a monitora ao meu lado falava.
Saquei o celular e mandei uma mensagem para a minha amiga que estava em frente a mim, mas era meio que óbvio que eu não ia falar aquilo em voz alta, né?
"Ele falou comigo." Ela, quando leu, imediatamente me olhou com os olhos brilhando de curiosidade.
"Agora?", ela perguntou movendo os lábios em silêncio. E não tinha como ele ver, pois ela estava de costas para ele, e quis rir das expressões dela, mas não podia pois ele estava há alguns metros de mim e ainda podia me ver; Assim, controlei minha expressão e fingi não me importar nada, com uma expressão de como se estivesse falando algo sobre a matéria.
"Ele acenou pra mim", mandei por mensagem.
"E você fez o quê?", perguntou.
"Respondi", mandei e ela me olhou com aquele sorriso, voltando a atenção para a monitora e eu fiz o mesmo, em seguida.
Até que meu celular tocou. 
E não estava no silencioso. na verdade o toque era realmente, meio que escandaloso. Tentei abafar o som ao mesmo tempo que atendi a ligação, tentando passar despercebida. Era meu tio me perguntando algo. Não era nada importante, mas saí para falar com ele. Depois de alguns minutos quando estávamos nos despedindo eu estava caminhando de volta para a sala, e aquele garoto estava na porta; Eu ainda me despedia do meu tio, quando senti de repente um embrulho no estômago e o coração acelerado. De boa, eu odeio isso. Realmente. 
Eu não tinha motivos para isso, nem nada, mas aconteceu. Tive que passar pelo garoto e que bom que eu ainda estava no telefone. Enfim.
Acho que nem preciso contar direito, mas quando voltei minha amiga soltou várias piadinhas sobre para onde eu tinha ido. Até porque o tal garoto havia saído também, certo? Mas eu sabia que aquilo era mesmo para esfregar na cara da nossa colega que, naquele momento, se encontrava do meu lado. De certa forma, eu gostei disso. Ela bem que merecia. E isso fez com que despertasse a curiosidade de minhas outras amigas. Preciso comentar que fiquei meio constrangida, porém fingindo não me importar? Porque, licença, mas as piadinhas embora engraçadas se tornaram constantes vez ou outra. E não só naquele dia.
No dia seguinte, acabei por ir no escritório do professor e aquele garoto estava do lado de fora do prédio, talvez esperando pela prova ou os resultados dela. Não sei nem me importo. O negócio é que acabamos por nos cumprimentar novamente, sem palavras. Apenas com acenos e sorrisos. E eu acho que por um instante meu coração deu um solavanco. Mas isso não é interessante, e eu ainda odeio que isso aconteça.
No mesmo dia, eu e minha amiga saímos do nosso novo lar desde o mês passado, então conhecido como biblioteca, para lanchar e adivinhe só. Aquele garoto apareceu de novo.
Eu o vi, mas fingi que não. Eu estava sem óculos e vinha justamente falando pra minha amiga a respeito daquela história de não enxergar pessoas que passam mesmo perto de mim, e acho que deu para ele escutar. Minha amiga não o viu e eu continuei conversando com ela normalmente. Na verdade, eu acho que ele, o Justin, percebeu que eu olhei para ele, mas eu olhei de um jeito distraído. Do meu típico jeito de "tanto faz se é você ou outra pessoa. Eu não reparo em ninguém mesmo."  
Eu não ia falar novamente com ele, pois havia falado de manhã e apenas porque havia passado por ele, como também outro conhecido que também cumprimentei. O negócio é que eu vi pela visão periférica que ele olhava para mim de novo, e cara, eu não gosto que me olhem. 
Eu odeio que fiquem me olhando seja lá qual for o motivo. Não gosto e pronto. E ele olhou e olhou, por certo acreditando que eu não estava vendo aquilo. De qualquer forma, passei a me sentir incomodada por ser observada. 
Mas eu ao mesmo tempo gostava daquilo. O que tornava pior esse dilema. Pois é.
Se não me engano, na noite daquele dia quando estava no ônibus esperando para ir para casa, eu enviei algumas mensagens para uma outra amiga minha. Meio que rindo da situação. Mas ao mesmo tempo eu me perguntava o que, diabos, ele tinha visto em mim para ficar me reparando. Meu melhor amigo me disse que talvez tenha sido minha "beleza". Certo. Minha beleza. Ele disse isso porque ele me acha linda. E é legal quando ele diz isso. Toda garota deveria ter um melhor amigo que nem o meu. Sério.
Só que... se eu bem me lembro, das primeiras vezes que ele me reparou, e eu realmente não sei como isso começou. Se foi no dia em que ele pediu ajuda para mim e minha amiga ou se foi antes. Será que foi antes? De qualquer jeito, a minha beleza não estava, digamos, favorecida na maioria das vezes. Como eu disse, eu não estou nem aí para isso. 
Comentei isso com a minha amiga e ela soltou um "Aww, ele gostou de você como você é. Que fofo". 
Será? 
De qualquer jeito, continuo não me importando, ou tentando. Por que se eu sei que tem uma pessoa me observando, vou começar a querer mostrar a ela um lado "bom" de mim. Discretamente, mas sim. Seja homem ou mulher. 
Não vi mais o garoto depois disso. O semestre estava acabando e ele provavelmente já tinha ficado de férias antes de mim. Como isso acaba? Eu ainda vou descobrir. Mas o mais provável é que não resulte em nada, ou que resulte em, talvez, uma possível amizade. Por que é geralmente o que acontece entre mim e pessoas do sexo masculino. Por que eu, mesmo que um dia chegue a me interessar pela pessoa eu não vou confiar nela logo. E não estou dizendo que estou interessada, pelo contrário. Não estou. 
Mas estou curiosa em desvendar aquele garoto. 
Aquele garoto que é meio misterioso.
Aquele garoto que aparenta ter um jeito tímido, embora tenha uma aparência legal.
Aquele garoto que me observa e que eu passei a observar também.
Aquele tal de "Justin".

FIM
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n/a: Ally here~ Oe oe oe. Como estão? Tô postando uma OS (fluffy, altamente inocente) aqui depois de muuuuuito tempo, espero que tenham gostado. ^^ Tentarei aparecer mais. 

Ps. Sim, essa estória é real. ~ E não aconteceu mais nada depois disso. LOL

Xx Ally

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