19 de dez de 2014

4.Ultraviolence - Os desejos de Lizzie


– O que?
– Sente-se. –Ele fez-se de como se eu não tivesse perguntado-o exatamente nada, assim como a algumas horas atrás. Eu continuo inerte.

– Desculpe senhor, preciso voltar ao trabalho.
– Sente-se. Agora. –Ele em fim levanta os olhos em minha direção, hesito, olho seus olhos sérios e não faço nada por um instante, apenas o olho, me perguntando qual era sua intenção com tudo aquilo, ele poderia até ter me atropelado de propósito, não? Não duvidava mais de nada, aquele homem era de longe um louco, mas um louco que me tirava o fôlego, um louco que me fazia ter pensamentos impuros e sonhos fodidamente eróticos. Respiro fundo outra vez quando vejo sua suave sombra celha se erguer. Me sinto tão intimidada e obrigada a me sentar que após um longo suspiro, e uma rápida olhadela para dentro da cafeteria me sento, de frente para ele, deixando a bandeja a mesa.
– É linda não? –Ele pergunta após um instante calado.
– O que?
– A vista.
– Há. –desvio o olhar- Sim, é linda.
– Você não achou que não pagaria por ontem? Achou?
– Você é algum tipo de pervertido? –Sussurro voltando meus olhos em busca dos dele, ele ri, de forma calma, e com os indicadores da mão direita, toca levemente os lábios rosados. Ele tinha dedos longos, delicadamente tortos, e visivelmente esguios. Por um instante me sinto em transe, acompanho cada movimento de seus dedos, imaginando-os que estragos poderiam fazer. Foco, foco, foco uma voz ecoa em minha cabeça me tirando aquele deslumbre.
– Você é doce -Ele diz levianamente- Só te fiz uma pergunta.
– Não responderei nada. –Grunhi
– Bom, seria uma pena, eu sempre gostei de sentir seu perfume quando vinha me atender, e não sei se o perfume da próxima será tão bom quanto o seu. –O olhei incrédula, aquilo era uma cantada? Ou uma assustadora ameaça de me tirar o emprego?
– Você esta ameaçando tirar meu emprego se eu não falar com você? –Indaguei quase sem acreditar. Um sorriso parcialmente sínico pede permissão para aparecer no canto de seus lábios, sabia que daquele sorriso viria uma resposta irônica.
– Não foi uma ameaça. –Ele afirma- Foi um fato.
– Desculpe, mas não vou ser ameaçada por você. –Sussurro e tento me levantar, todavia uma tentativa falha pois ele levanta brevemente a mão em um sinal para que eu continue sentada.
– Você tem muito que aprender –Ele diz- agora sente-se e tome um café comigo.
– Não. –Contradigo- Não é uma forma agradável de fazer alguém tomar um café com você, você não pode simplesmente obrigar alguém a se juntar a você, eu sei que estou no meu trabalho e que posso ser despedida, mas eu não fiz nada para que me despeçam hoje, e você não pode me obrigar a sentar com você.
– Eu posso tudo. –Ele sorri sem humor, eu respiro fundo. – Bom, ou você responde minhas perguntas e age como uma boa garota, ou não trabalha mais aqui.
– Você não pode...
– Claro que posso Elizabeth. –Ele me interrompe, me forço a não arregalar os olhos, é impossível não sentir a corrente de medo se arrastar por toda minha espinha, é impossível não sentir meu estômago se contrair em uma queimação de nervosismo eminente. Por um lado eu deveria estar um bocadinho animada, porque o rapaz a quem tanto admirei estava a minha frente e eu me juntava a ele a mesa, - mesmo contra minha vontade-. Mas por outro lado aquilo me parecia loucura, ele era um maluco perseguidor, primeiro simplesmente me humilha, depois age como um louco pervertido, e ainda me atropela e mal presta ajuda, -se bem que eu recusei qualquer tipo de ajuda-.
– C-o-omo sabe meu nome? –Gaguejo encontrando um rastro de voz.
– Facebook ainda existe. –Seu sorriso sexy e inevitavelmente irônico continua presente. Sinto-me mais aliviada por não ser a resposta que eu esperava de um bilionário que poderia simplesmente contratar um detetive para descobrir coisas sobre mim. Uma atitude normal, pensei.
– Me desculpe deixa-la tão assustada. Estou a tempos tentando encontrar um jeito de falar com você.
– Comigo? –Engulo em seco- Eu sou só a garota do café.
– Eu me chamo Justin... Bieber. –Ele estende sua mão para mim, hesito outra vez, olho para aquela mão por nonos segundos sem entender de toda aquela situação, eu deveria levantar, e começar a tomar mais cuidado com os fregueses. Mas não o fiz, peguei sua mão sentindo seu toque, seu calor, sua mão era quente e áspera, por um instante tornei a imaginar como ele poderia ser sem toda essa roupa, e como poderia ser seu toque, sentir sua mão na minha era como senti-la percorrendo com leveza todo meu corpo, era como senti-la explorar cada parte dele de forma branda. Sentir aquela inevitável corrente elétrica me deixou quase extasiada, sua colônia também fez o dever, de naquele momento, me deixar tonta, com uma doida vontade de tirar sua roupa.
– Lizzie. –Sussurro, e quase ruborizo com meus pensamentos tão pervertidos quanto o perseguidor a minha frente.
– Eu sei. –Ele diz soltando minha mão, eu encolho os ombros, pensando o quanto estava distraída com seu toque a ponto de dizer meu nome outra vez.
– Posso me retirar? Eu preciso muito voltar ao trabalho senhor Bieber.
– Não. –Ele faz uma breve pausa, desta vez, seu olhar era impassível ao meu nervosismo- Amanhã, meu motorista passará aqui as sete, ele te levará em casa para que você possa se arrumar e depois a levará ao meu encontro.
– Você esta me coagindo a sair com você? –Indaguei, entretanto por algum motivo eu não me senti tão surpresa.
– Sim, e eu espero que entre no carro se não quiser perder seu emprego. –Um sorriso sínico percorre delicadamente seus lábios carnudos, eu suspiro e me levanto. Ótimo, era o que faltava eu ser obrigada a sair com um completo estranho perseguidor para não perder essa merda de emprego.
10:23 P.M – Paris
Tomo um ultimo gole de martini, e suspiro. Nada naquela noite me fazia ter vontade de ficar em casa, José não ouvia Vivaldi, Sid implorava por silencio, e minha cabeça implorava por um barulho e uma boa foda com um completo estranho, –que me fizesse esquecer o maluco da cafeteria por alguns minutos-. Dessa forma eu não me pegaria pensando na loucura que estou sendo coagida a fazer no dia seguinte. O que me faz pensar que não é totalmente uma loucura, porque se eu bebo e transo com um estranho, eu posso sair com um possível perseguidor pervertido, porque esse estranho com quem posso transar, pode ser um pervertido e eu não iria saber disso nunca. E transar com estranhos é algo que secretamente apetece-me como nunca, tenho um certo gosto em experimentar cada tipo de transa, vai de transas com estranhos a transas com estrangeiros, pode parecer algum tipo louco de prazer, mas desde que transei com um holandês a três anos eu tenho mantido o gosto em experimentar pessoas de outras nacionalidades, em uma busca não formulada da minha nomeada geografia do prazer. Mas não é só a geografia do prazer que busco, há inúmeros caminhos para serem explorados, chegando ao meu foco o sadomasoquismo. Isso pode ser citado como perversão, mas pra mim, é minha válvula de escape, ser dominada, ser comandada em quatro paredes é totalmente prazeroso quando se tem um parceiro que acompanha seu ritmo. Lembro-me da ultima vez que tentei algo com Ivo, meu ex namorado. Foi a experiência mais frustrante que alguém poderia ter com tal fetiche
– Por que você quer que eu te dê palmadas Liz? –Ele pergunta quase incrédulo- Não quero deixar marcas em você, sabe que fica vermelha com tudo.
– Você não esta cansado de fazer amor?
– Do que esta falando Liz?
– Eu quero foder Ivo, eu não quero fazer amor, quero foder de verdade, duro, com força, do tipo de quatro, de lado, de conchinha, o famoso 69, em cima da pia, em cima da mesa da cozinha, quero que puxe meu cabelo e que me acorde de madrugada porque esta de pau duro para que eu possa dar um jeito, eu quero foder no seu carro, e no nosso local de trabalho, eu quero que me bata pra eu poder saber que não somos um casal de quarenta anos com quatro filhos e seis gatos pela casa, um pra cada um.
Usar tais palavras deixou Ivo totalmente encabulado, e talvez, até um bocadinho perturbado, não consegui exatamente nada. Ivo era o tipo de rapaz que qualquer mãe sonharia para estar com sua filha, respeitoso, bondoso e cuidadoso, eu estaria com ele se ele não tivesse tais qualidades também na cama, e convenhamos, ninguém quer um homem "respeitoso" na cama.
Depois daquela noite eu persisti mais três vezes naquilo, com o passar do tempo, por causa do sexo, acabei me cansando dele e de toda sua bondosidade e respeito deixei para que ele fosse respeitoso com a minha mãe, ela adorava o modo como ele era gentil e bondoso com ela. E deixa-lo lá na Bulgária com a ela foi a melhor coisa que um dia eu poderia ter feito em vida.
Olho em meu relógio e percebo que aquela noite eu não conseguiria nada, o bar estava vazio, só havia apenas três mulheres no balcão, meados cinco homens espalhados pelo bar. Tocava algo retro com Joy Division, o que não me fazia ter vontade de ficar sentada esperando por algum estranho boa pinta, com braços fortes e odor de homem que manda bem na cama.
Pago meu martini e saio do bar, ao atravessar à calçada e passar em frente à Notre-Dame, sou conduzida pelos acordes de uma melodia familiar. Os sons de um violino perfurando o rumor noturno e abafado de todos os trabalhadores chegaram até mim, os acordes ficavam mais altos a cada passo, seguidos de um súbito reconhecimento, dou conta de que alguém ao longe tocava a segunda parte de As Quatro Estações de Vivaldi, embora só a parte do violino principal, sem o som do resto da orquestra em contraponto à melodia principal. Mas o tom era tão intenso que não precisava do apoio da orquestra. Acelerei o passo com a música penetrando em meus ouvidos atentos. Olho em volta a procura de onde aquele maravilhoso som vinha, e em meio a uma pequena multidão havia um homem tocando o instrumento, caminho ao encontro da pequena multidão. De trás só consigo ver o topo avermelhado dos cabelos do homem, tento me espremer para entrar naquele meio, precisava ver quem era, precisava doar algo a aquele violinista incrível, ele tocava todas as notas sem erro algum, por um instante me senti hipnotizada com aquele som.
– Com licença. –Sussurro para uma moça e ela me da espaço, consigo então ficar bem a frente do homem que tocava e deliciava-me os tímpanos. Mal passava por minha cabeça que José pudesse ter tal talento, que José pudesse se quer ter pegado em um violino um dia, quanto mais tocar de forma tão impecável. O olho de forma abobada. Os olhos de José estavam fechados e ele se balançava gentilmente de um pé para o outro enquanto se mesclava com a melodia como se estivesse com a mesma sensação que eu ao ouvi-la. Tiro dez euros do bolso e mesmo sabendo que não posso gasta-lo coloco sem hesitar no estojo gasto do violino de José. Fico ali por mais um tempo, enquanto algumas pessoas desistiam e voltavam ao fluxo da correria da cidade, eu continuei ali por cinco minutos, admirada. Ouvindo-o tocar com completa atenção, enquanto ele produzia as intricadas de músicas de Vivaldi com gosto. Ao final de “inverno” já não havia quase ninguém ali. Todos tinham de correr, mas eu, fiquei, precisava parabeniza-lo.
A música terminou, e no lugar da melodia se ouviu o barulho do metrô e das buzinas de carros. Eu bati leves palmas vendo seus olhos abertos. Ele sorriu ao me ver, sorriu largo, me fazendo perceber que ele tinha um doce sorriso, dentes alinhados e brancos. Seus olhos verdes brilhavam com a luz que pairava em seu rosto fino.
– Você é muito bom. –Digo sem dispensar o largo sorriso
– Obrigado, não é todo dia que tenho uma plateia dessas. –Ele diz simples, pega os trocados que estavam dentro do estojo do violino e enfia-os no bolso, mesmo sem saber se ele iria pra casa eu o esperei, esperei que ele me convidasse para algum lugar e esperei que ele só me guiasse até o nosso prédio.
– É um solo incrível. –Continuo dizendo, ele olha-me pondo o estojo por cima do ombro após guardar o violino, como se fosse uma mochila ou bolsa.
– Obrigado. Esta indo pra casa? –Ele pergunta
– Sim, vim tomar algo. –Respondo simples- Sid mata qualquer um de tédio.
– Por causa dela fui obrigado a parar de ouvir musica alta. –Ele ri levemente- O sindico me proibiu essa tarde. Disse que incomodava os vizinhos.
– Nunca me incomodou.
– Gosta de musica clássica? –Ele pergunta enquanto atravessávamos a rua, a caminho do metrô. Eu poderia pegar um táxi mas até encontrar um vazio, ficaríamos mofando, e era apenas uma parada, logo já estaríamos em casa.
– É como um calmante.
– Para mim também, terei que ouvir mais baixo agora. – Ele sorri, e naquele instante, por algum motivo José não parecia ser o cara que eu precisava levar pra cama hoje.
Oi pessoas, tudo bem? Me desculpem não ter continuado ok? Eu deveria ter continuado antes, pois já tinha os comentários que pedi, pois incrivelmente os comentários do blog simplesmente sumiram. Mas em fim, é isso. Espero que gostem do capítulo e eu continuo apenas com mais de 6 comentários 

8 comentários:

  1. Não tah dando pra enxergar nada e eu não vou conseguir ler se a letra estiver da mesma cor que o plano de fundo.... Posta de novo esse capítulo só que com a cor da letra diferente e que dê pra ENXERGAR o que tah escrito
    Ludy

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    2. Tem certeza? Por que aqui esta aparecendo, o fundo é branco e a letra esta preta, o que quer dizer que tem como contraste as cores diferentes.
      E por favor, sem querer responder com arrogância, mas peça com mais educação da próxima vez.

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    3. É que para quem lê pelo telefone o fundo fica verde escuro e a letra quase um preto :)


      *XOXO* Manu

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