19 de dez de 2013

Sete Dias

Prólogo
Continuei acenando – torcendo para que minha mão não caísse – e com o sorriso falso congelado no rosto. Aliás, não era só o sorriso que estava congelado, mas todo o meu corpo. Não gosto de neve, não gosto principalmente de ficar na neve. Como agora.
O carro nem sequer se mexia e eu tinha que me esforçar para não estrangular meu irmão pentelho que ficava me mostrando a língua quando minha mãe não estava olhando. E quando ela não estava olhando para ele, ela estava olhando para mim e acenando. E eu tinha que direcionar o olhar mortal para meu irmão e acenar para minha mãe ao mesmo tempo.
Depois do que pareceram horas, o carro partiu e eu tive tempo apenas de ver a língua rosada do meu irmão.
Entrei em casa e tranquei a porta com duas voltas da chave exatamente como minha mãe disse. Ficar sozinha em casa tem muitas vantagens, como poder colocar música alta e comer o que quiser sem que alguém fale que eu vou engordar e outra que fale que eu já sou gorda (lê-se meu irmão).
Assim que coloquei Simple Plan no último volume, desci as escadas de meia branca e rumei à cozinha. Abri o armário e um bilhete caiu em meus pés.

Para Beatrice
- Não colocar música alta (a Dona Lurdes não gosta)
- Não andar de meias brancas no chão (encarde e não é você que lava a roupa)
- Não comer só bobeiras (engorda), tem comida congelada no congelador
- Nada de Max
- Nada de festas
- Não se esqueça que nós te amamos
Beijos,
Mamãe

Eu olhei para o bilhete que continha as mesmas informações que minha mãe fez questão de repetir umas mil vezes antes de sair de casa, rasguei-o e o joguei no lixo. Não era um pedaço de papel que me impediria de fazer o que eu quisesse.

Primeiro dia
Logo que acordei fritei ovos e bacon. Minha mãe me mataria só de saber que estou comendo fritura a essa hora da manhã. Aliás, ela me mataria só de saber que estou comendo fritura. É um saco ter mãe nutricionista.
 Devorei tudo em menos de cinco minutos. O sabor do ovo junto com o bacon crocante e cheio de gordura dá uma sensação indescritível. E boa.
 Depois fiquei vendo televisão na sala, e era ótimo não ter que assistir Dora, a aventureira. Ou aquela menina é muito burra ou ela não enxerga direito. Acontece que não há mais desenhos como os de antigamente.
 Um tempo depois a campainha tocou. Eu me levantei, abri a porta e toda a mágica de ficar sozinha acabou. Porque eu não estava mais sozinha. Ali, na minha frente, estava um Bieber. Ele estava com um agasalho cinza dos Lakers, calça jeans e um tênis. A neve caía no topo de sua cabeça e eu mesma quase chegava a estremecer.
 - A minha mãe não está. – disse já me preparando para fechar a porta.
 - Eu sei, McDonald. – ele disse e eu com certeza devo ter feito uma cara de panaca, porque ele revirou os olhos sem paciência e completou : - É por isso que estou aqui.
 Então eu fiquei encarando ele até que ele disse:
 - Está frio aqui fora.
 E antes de eu dizer algo como: “Deve ser porque está nevando. Você não percebeu?”, ele entrou em minha casa, bateu no topo da cabeça fazendo com que flocos de neve caísse no meu tapete e sentou-se na poltrona, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
 Eu me sentei no sofá maior, que é bem perto o telefone, já que qualquer movimento suspeito eu ligaria para a polícia. Mas por ser um Bieber eu já deveria ter ligado.
- Aqui está com cheiro de ovos e bacon... – ele disse farejando o ar. Farejar me lembra um cachorro, mas...   Esquece, há coisas mais importantes aqui. Um cachorro farejando o meu ar é aceitável, mas um garoto que eu mal conheço?
 Cruzei as pernas e limpei a garganta, o que o fez olhar para mim.
 - Bieber, o que você está fazendo aqui? – perguntei no tom que eu queria. Extremamente autoritário.
 - Sua mãe não te avisou?
 - Não... – respondi em um tom confuso, perdendo a autoridade que pensei que tinha.
 - Eu tenho que vir aqui todos os dias. Para ver se você está bem. Para ver se você está se hidratando, se está se alimentando, se precisa de alguma coisa. Por aí vai. – ele disse e voltou sua atenção para a televisão.
Eu me irritei. Não sei se por causa que ele nem esperou minha resposta ou se por causa do que minha mãe fez. Ela não me avisou. Eu estava me sentindo traída. Ela disse que estava confiando em mim, mas se ela estivesse mesmo ela mandaria um Bieber para me olhar? Justo um Bieber?
 E mais do que isso, eu estava me sentindo uma cachorrinha. Sabe daquelas que os donos saem para algum lugar e deixam a cachorrinha em casa para os vizinhos alimentarem e verem se está tudo bem?
 - Já almoçou? – ele perguntou.
 - Cara são dez horas. – respondi.
 - Que horas você almoça?
 - Uma hora.
 - Vou ter que ficar aqui até a hora do almoço? – ele perguntou mais para si mesmo do que para mim, porém eu escutei. Como assim até a hora do almoço?
 - Acho que sei me alimentar sozinha. – disse.
 - Acho que você deveria falar isso para a sua mãe. – ele disse e ficou me encarando.
 Também o encarei. Eu não sabia se ele queria me dizer alguma coisa através do olhar, mas por que ele ia querer uma coisa dessas? Eu nem o conheço.
 Mas eu vi. Vi confusão, vi dor e vi uma pontada de raiva.
 Ou eu não vi nada e apenas imaginei isso. É. Apenas minha imaginação.
 O celular dele tocou e ele o atendeu, não desviando o olhar de mim.
 - Tudo bem. – ele disse ao celular. – Eu já estou indo.
 Justin pigarreou e disse:
 - Eu tenho que ir agora.
 Eu me levantei me controlando para não sorrir e abri a porta para ele.
 Antes de sair ele me olhou e perguntou:
 - Talvez eu não volte tão cedo. Consegue se cuidar sozinha?
 O olhei incrédula. E ele estava esperando minha confirmação, que foi dada apenas com um balanço de cabeça.
 Vi sua silhueta desaparecer no meio da neve e fiquei um pouco intrigada com o que ele acabou de perguntar. Porque não parecia que ele estava tirando com a minha cara, parecia que ele estava preocupado mesmo. Mas é claro que não é isso.
 Não perdi muito tempo pensando nisso. Agora iria finalmente colocar o que planejei em ação.
 Sem Bieber.
 Apenas Max.

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Oi gente! Tudo bem com vocês?
Essa fic de Natal eu escrevi faz bastante tempo, e postei em um blog que nem tem mais atualizações :(. Mas tudo bem. Não sei se já disse isso, mas vou viajar e passar uma semana lá. Nesse tempo, eu queria deixar essa fic para vocês, uma capítulo a cada dia até o Natal. O que acham? Enfim, quero muito saber a opinião de vocês!  Amo essa época, e amo vê-la refletida em tudo. Até na minha escrita. 
-- Se tiver 7 comentários posto outro ainda hoje.
Beijos,
Audrey.

8 comentários:

  1. Continuaa!! Quero o primeiro cap logo!!

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  2. kkkkkkkkkk,so tem anonimo aqui? rsrsrsr continua logoo

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  3. quem é Max ??? é o namorado dela ??????????????

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  4. essa pessoa que perguntou se só tem anônimos aki , tenho uma leve impressão que os outros comentários é dela tbm só pelo dia e a hora do comentário todos em seguida kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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  5. OMG! Audrey, que perfeito! Amei, sério, continue logo.
    Beijão.

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