29 de nov de 2014

Ultraviolence - 2º Capítulo - Shelby?


– Não. –seu tom era baixo, levantei minha cabeça para olha-lo, e ele continuava e manter seu olhar analisador em minha direção. – Foi apenas um mal entendido.
– E o que aconteceu com seu terno senhor?

– Não é da sua conta, eu já disse que foi um mal entendido. –Ele grunhiu, eu me segurei para não deixar meu queixo cair, seu olhar predominava-se fixo a mim, e agora Carson também o fazia.
– Trarei outra xícara de café. –Sussurrei quase sem voz sentindo-me no dever de dizer algo.
– Não será preciso. –Ele recolheu seu livro em cima da mesa e simplesmente deu-me as costas, suspirei de alivio ao vê-lo desfilar elegantemente naquele terraço para o mais longe de mim, e meu emprego, estava naquele momento aparentemente salvo.
– O que você fez garota? –Rosnou Carson, eu engoli em seco.
– O que importa é que ele não deu nem uma queixa do acontecimento, então você não precisa saber. –Recolhi a xícara e saí daquele lugar.
Dia seguinte – 13:23 p.m – Paris
“Não vejo a hora de estar com você, não paro de sonhar com nosso ultimo encontro”
Não o respondi, apenas sorri e enfiei o celular no bolso, precisava parar de conversar com ele e me concentrar nos estudos. Estive pensando, um relacionamento virtual é realmente algo verdadeiro? Não tenho coragem de perguntar se é um relacionamento, mas sei que é alguma coisa, todavia isso não vem fazendo parte dos meus verdadeiros problemas. Tenho mais com o que me importar do que com as duvidas sobre esse relacionamento não relacionamento. Mas na verdade o que atrapalhava mesmo meus estudos era o que aconteceria hoje, às quatro da tarde, não tinha a mínima ideia sobre o que aquele homem sendo a arrogância em pessoa faria, não sabia se ele iria, se ele pediria para outra pessoa atendê-lo ou se ele traria seu terno especialmente para que eu lavasse-o a sua frente, me parece que humilhar as pessoas é algo que o satisfaz, ou eu apenas resolvi ser atrapalhada em um momento ruim de seu dia.
– MERDA. –Ouvi o grito agudo de Sidney.
– O que é Sid? –A olhei, sua face avermelhada seu cabelo desgrenhado e seu olhar furioso não me assustavam, ela sempre acordava daquela forma.
– Que porra aconteceu com a luz?
– Não sei, tinha luz hoje cedo quando fui pra faculdade, deu até pra eu tomar banho quente.
– Tinha, do verbo passado. –Ela gritou-
– Acha que cortaram? –Indaguei
– Eles tinham que nos dar um prazo de três dias. –Ela caminhou pela sala, suspirei.-
– Eu vou tentar arranjar outro emprego. –comentei me levantando, recolhi todos os meus livros e enfie-os dentro da bolsa, Sid estudava e trabalhava muito, trabalhava de madrugada sendo garçonete em um bar, voltava sempre as seis da manhã, ás duas da tarde ela trabalhava meio período em um restaurante servindo mesas, e o tempo que lhe restava para estudar eram pouquíssimos, sua faculdade era a noite. Mesmo que nossas vidas estejam sendo tão corridas e mal organizadas, sabemos que é melhor do que viver no interior da Bulgária. Nada na vida vem com facilidades, e eu e Sidney sabemos disso. Guardo meus livros e olho no relógio do Elvis pendido a parede da cozinha. Respiro fundo, estava na hora de voltar ao trabalho, voltar a correria da vida e a humilhação do cotidiano.
– Eu pago a conta quando sair do restaurante. –Disse ela de repente, a olhei por cima do ombro.
– Ok. Tenho que ir
– Tudo bem, vou ver se tiro um tempo pra dar uma olhada nos livros.
Pego minha bolsa marrom que na verdade um dia foi marrom, hoje é apenas uma cor gasta que mal sei se é realmente uma cor. Pego a chave do cadeado de Shelby, minha bicicleta e saio do apartamento. As vezes prefiro passar meia hora pedalando do que dez minutos entalada como uma sardinha dentro de um metro, com aquelas pessoas suadas encobrindo o cheiro do trabalho com perfumes exagerados. Ao ver a porta do elevador se fechando aperto os passos em uma breve corrida e sou salva por José, do décimo segundo andar. José é um galego gentil, fala pausado, quase cantando, parece não morar aqui a muito tempo, nossos encontros paralelos são sempre em frente ao prédio, ou no elevador, onde ele sempre me salva de não perdê-lo. José é até bonito, tem braços largos, olhos verdes e cabelos vermelhos escuros, suas bochechas são preenchidas por poucas sardas quase inexistentes. José parece sempre distante, acho que mora sozinho, como mora exatamente em cima do meu apartamento sempre da para ouvir seus paços pesados, e sei que são apenas dele, mas é difícil de dizer quando ele coloca Vivaldi para tocar vez outra de modo quase ensurdecedor. Para o resto dos moradores pode até incomodar, mas não a mim, por mim ele poderia por todos os dias o CD de As quatro estações que eu não me importaria, Vivaldi sempre me acalmava, e mamãe dizia que era até estranho pois quando eu tinha meses de vida, só dormia com Summer.
– Esta fazendo muito frio hoje, não? –José pergunta de repente
– Sim, acha que o inverno já esta pra chegar? –O olho. Ele sorri, de uma maneira suave e ao mesmo tempo densa.
– Não sei. –Ele diz- Faz tempo que não a vejo, Lizzie. Pensei até que havia voltado pra Bulgária.
– Estou indo no horário certo agora. –Sorri sem humor.
– É uma pena. Gosto dos nossos segundos de conversa –Ele vira-se para frente quando as portas do elevador se abrem, e assim saímos do elevador seguindo até a saída. Não sabia o que dizer, era estranho, era constrangedor, as palavras fugiram da minha boca, tomaram um rumo para longe de mim, de forma que eu nunca mais pudesse tê-las outra vez.
– Espero que se atrase mais vezes. –Ele tomou seu rumo a esquerda, e eu caminhei a direita ao encontro de Shelby, em um suspiro já esperando o quão difícil seria meu dia, eu tirei o cadeado de Shelby, minha bicicleta azul bebe, era meu xodó, amava aquela bicicleta, e eu agradecia a deus andar de bicicleta ser algo comum em Paris. Coloquei o cadeado e a chave dentro da minha bolsa, e subi na bicicleta. Andei pelas ruas da bela Paris desfrutando daquela paisagem, sendo aquele, o único momento que eu sentia que valia a pena estar ali, as folhas secas de meio de outono ainda caiam pela calçada inundando-a e deixando aquela cidade cada vez mais bonita e atrativa. Não importava a quanto tempo eu estava ali, eu sempre acharia aquela cidade perfeita e sempre me admiraria com tamanha beleza. Distraída com a beleza das folhas mal percebi quando atravessava uma rua pouco trafegada, eu não sabia se estava na faixa, mas isso não impediu o motorista de reduzir a velocidade apenas buzinou furiosamente nem me dando chances de desviar, o impacto não fora lá um dos piores, tudo que ouvi sair de minha boca fora o grito instantâneo de desespero e medo, minhas coxas ralaram no chão e senti-me estremecer com a pancada na cabeça, no chão não fiquei mais de cinco segundos, o que me preocupava era Shelby que quando abri os olhos, vi mesmo com a vista embaçada que ela estava com a frente totalmente quebrada, quase formando um oito com o pneu e o guidão.
– Shelby. –Sussurro pondo a mão na testa, minha visão ainda estava turva, tudo balançava como se eu tivesse tomado um ácido daqueles. – Shelby. –Sussurro outra vez
– Garota? Você esta bem? Qual é o seu problema menina? –Um homem de terno preto aparentemente motorista daquele carro que não consegui identificar qual era esta de pé, com as mãos no quadril como se fosse uma mãe dando uma bronca. Tonta me sento no chão, sentindo a ardência na minha coxa. dia ruim para trabalhar de vestido, pensei.
– Desculpe. –Sussurro e tento me levantar, mas a tentativa é em vão.
– Hey, hey, você esta bem? –Pergunta outra vez
– Minha bicicleta. –Gaguejo
– Me desculpe. –Ele se abaixa em minha direção- Ela parece não ter concerto.
– O que? –Consigo então voltar a ver normalmente, olho na direção de Shelby e só não vou em sua direção por que meu corpo esta dolorido de mais. A porta do carro se abre, um andar digno de alguém da realeza vem em nossa direção. Logo após o barulho da porta sendo fechada
– O que esta acontecendo Dominik? Por que da demora? –A voz pergunta, e eu sinto já ter ouvido aquela voz graciosa e ríspida em algum lugar, levanto minha cabeça

Bom, gente não da pra responder aos comentários hoje, mas vamos lá? Que tal cinco comentários para o próximo? Oque acharam desse capítulo? Deem a opinião de vocês, saiam do escuro please precisamos saber oque acham. 

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