22 de jan de 2015

Por inteiro

" Oi, bobona, tudo bem? " Quando nós nos conhecemos eu não sei bem o que eu pensei ou senti, porque, olhe só, eu tinha apenas 3 anos de idade, não tenho culpa de não me recordar. Mas fora isso me lembro de muitas outras coisas, como naquela vez, no primeiro período, em que você pegou uma rosa do jardim da escola e a entregou para mim. Santo Deus! Só você sabe o quanto meu sorriso foi largo. E sincero. Ou na outra vez, na segunda série, quando você me convidou pra ir à sua casa para brincarmos de video game e eu, claro, perdi. Mas nem por isso fiquei triste, porque logo depois você veio me abraçar pois achava que eu estava com raiva. No começo eu não estava, confesso, mas depois fingi que sim e ainda fiz biquinho para você me abraçar mais um pouco. E a melhor de todas as vezes foi quando você disse que eu era a sua melhor amiga. Céus, como eu fiquei feliz por pensar que aquilo poderia evoluir para algo a mais. Mas eu estava redondamente enganada, não é? Caramba, olhe para mim, uma garota de 16 anos apaixonada pelo melhor amigo. Você não tem culpa, eu sei. E eu também não estou te culpando por isso, mas você não faz ideia do quão apertado meu coração ficou quando você veio me falar dela. E eu, obviamente, não pude fazer nada, a não ser fingir um sorriso. Depois disso vieram as lágrimas e eu me xinguei mentalmente por tê-las deixado cair. Ainda mais na sua frente. Então você veio todo fofo e dócil como sempre, perguntando: " Por que chora, Mel? " E foi aí que eu dei um sorriso realmente falso e falei: " Estou chorando de felicidade ". Depois desse dia eu não conseguia mais te olhar sem me sentir triste, porque eu sempre me lembrava dela, a garota do 3°ano, a sua namorada, a mais bonita de toda a escola. Chegou uma época em que eu me perguntava: " O que ela tem que eu não tenho?". A resposta vinha em segundos: ela era linda e simpática, uma garota perfeita, enquanto eu, bem... Eu era uma menina totalmente desengonçada, que vivia mergulhada nos livros e usava all star em vez de salto alto. Ah, também tinha as crises de humor, eu não conseguia estar feliz sempre e estava cansada de fingir que sim. Então eu simplesmente parei e tomei a decisão mais difícil de toda a minha vida: mudei de escola, me afastei de você e de todos os meus antigos amigos. Eu só queria recomeçar. Um ano se passou. Então, no mês passado, você me viu na rua e veio falar comigo. Esse foi um momento realmente embaraçoso. Você tinha mudado e eu também, seu cabelo havia crescido bastante, estava quase na altura dos olhos e você também estava um pouco mais alto, a diferença era óbvia, porém a característica mais marcante era o seu olhar. Talvez eu estivesse louca, mas juro que vi uma pontinha de felicidade nos seus olhos castanhos. E isso não te impediu de me pedir o meu novo número de telefone. Nós trocamos algumas mensagens e depois ligações. Eu sentia que tudo estava voltando aos eixos. Foi quando veio a notícia: " Eu e a Ju terminamos. ". Confesso que não pude conter a minha cara de surpresa misturada com felicidade, mesmo depois, quando você veio até a minha casa para assistirmos a filmes de terror os quais eu morria de medo e você me zoava por fechar os olhos em cada parte assustadora. " Boboca ", eu disse enquanto jogava um travesseiro em você. Foi neste momento que eu soube que não queria nunca mais me afastar de você. No mês seguinte nós já estávamos realmente próximos e você estava até pensando em se mudar pro meu colégio no ano que vem. Fiquei feliz com a ideia, claro. Você fora meu único e verdadeiro amor, mas, acima de tudo, continuava sendo o meu melhor amigo. Quando eu pensei que deixaria de te ver como algo a mais, veio a bomba: "Mô, quer namorar comigo?". Um buquê de flores e uma caixa de chocolates. Meu coração acelerou e minha boca ficou seca. Respiração ofegante e pupilas dilatando. Eu não podia acreditar, simplesmente não conseguia. Eu esperara por isso a vida inteira, não foi? Então por que a dúvida? " Não. ". Sentia que meu mundo ia desmoronar, mas sabia que estava fazendo a coisa certa. Às vezes, o que você quer não é o que você precisa. Mordi os lábios e respirei fundo. "Você não gosta de mim, Di, só pensa que sim, mas no fundo não gosta. E, por mais que eu goste de ti, não quero ser usada por você para esquecer a Julia. ". Sibilei. Você, que estava ajoelhado, se levantou e abaixou o olhar. " Acho que você tem razão. ". Você disse e eu assenti. Depois te puxei para um abraço apertado e você descansou o queixo no meu ombro. " Sabia que você é a melhor amiga do mundo? " Você murmurou. Após esse dia, eu soube que tinha feito a escolha certa. Eu não queria você se só poderia te ter por doses e não por inteiro. Eu sabia que um dia esse sentimento forte ia passar e eu só iria te ver como um amigo. Enquanto isso não acontecia, eu esperava. Esperava por mudanças, e claro, por um pouco de felicidade.
" Sim, bobão, e você? "

Um comentário:

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