20 de set de 2014

Our Melody - Capítulo 1



“Sem a música, a vida seria um erro.”
- Desconhecido.

Portland, Oregon – 18h45 p.m.
Dias atuais.

Olívia respirou fundo. Estava cansada. Treinava cinco horas por dia e se sobrava tempo livre, treinava nesse meio tempo também.
Não que não gostasse, ela amava. Vivia para a música. Vivia pela música. Só que, às vezes, ela se cansava.
Colocou o violino em cima de sua cama, delicadamente. Cuidava dele como se fosse seu bichinho de estimação. Como se fosse sua vida. Seu instrumento era seu xodó. Ela o tratava bem porque gostava dele e bem... Por que se acontecesse algo com ele, seus pais não teriam dinheiro suficiente para consertar nem dar outro.
Seu violino na verdade foi um presente. Um presente de um professor do ensino fundamental. Eddie Roberts, ele se chamava. Um senhor encantador! Era professor de música e assim que conheceu Olívia, reconheceu seu talento na hora. A menina sabia tocar várias coisas, até cantava um pouco... Entretanto, tinha nascido para o violino. Era uma violonista nata. Estava no sangue.
Algumas pessoas aprendem com o tempo, outras nascem já com o talento. O caso de Olívia era o segundo.
Morava com sua pequena família composta por cinco pessoas. Sua mãe, Annie, uma mulher trabalhadora tanto quanto sonhadora. Tinha cinquenta e três anos, mas ainda era uma linda mulher. Seu pai, Michael, tinha a mesma idade que a sua esposa. Trabalhava todo o dia feito cachorro para sustentar seus filhos. Seus bem preciosos. Destiny era a filha mais velha. Tinha vinte e dois anos, morava com os pais, mas logo isso iria mudar. Afinal, ela estava noiva. Tyler era o filho do meio, tinha vinte anos, mas agia como se tivesse doze. Trabalhava em uma lojinha de gibis a noite e de dia fazia faculdade de direito. Odiava tudo aquilo, mas seus pais o obrigavam. E finalmente, Olívia. A filha caçula.  A princesinha da família.
Olívia, mais conhecida como Liv, tinha dezoito anos. Ainda morava com os pais, assim como seus irmãos. Ela ainda não tinha entrado na faculdade, mas com certeza isso estava em seus planos.
Liv sempre foi uma garota centrada. Seu boletim era impecável e ela podia ser o que quisesse na vida... Poderia escolher qualquer profissão, que se sairia bem.
Porém, estava bem claro o que ela queria estudar... O que ela queria se especializar.
Música.
Sua vida era em torno da música. Ela podia ser boa em química, matemática, história e outras matérias, mas o que ela amava de verdade, era a música.
Era um sentimento inexplicável. Quando ela ouvia a harmonia saindo dos instrumentos, a batida, a letra, o ritmo, a melodia...
Era como se tudo em sua vida fizesse sentido.
- Querida, Augustus está aqui! –Sua mãe gritou do andar de baixo. –
Olívia sentiu um grande sorriso se espalhar pelo seu rosto. Augustus Hayes, seu namorado. Seu lindo e perfeito namorado.
Gus, como ela o chamava, era lindo. O sonho de toda garota. Cabelos pretos um pouco longo, fazendo que toda hora ele jogasse para trás, olhos azuis como o céu e um sorriso de matar qualquer um! Aquele sorriso aberto, que dá gosto de apreciar. Sabia se vestir, era rico, mas não mimado; não era mal educado, odiava mentiras, a tratava como uma princesa e o melhor de tudo, ele amava música tanto quanto ela...
Bem, às vezes ela achava que ele não era real.
Por dois motivos. Primeiro: Como alguém poderia ser tão perfeito? E segundo: O que um garoto como aquele tinha visto algo em uma garota como aquela?
A família de Gus era muito, muito rica. Conhecida por toda cidade, por todos estados e por todo país. Ele era um menino de ouro e podia ter o que quisesse, podia ter a menina mais linda do mundo... Então por que ela?
Essa pergunta, por mais que quisesse, nunca sairia da sua mente.
- Estou descendo! –Gritou de volta. –
Antes de descer, foi até seu pequeno espelho que tinha em frente a sua cama e deu uma olhada em sua aparência. Seu cabelo era ondulado e ela tinha muito cabelo, então era difícil domá-lo. Ainda mais por ele ser longo. Por isso usava na maioria das vezes ele preso. Assim como o usava agora. Sua cara estava com creme contra espinhas e ela usava uma blusa patética do Mickey Mouse e por baixo um short pequeno elástico preto.
Não estava nada sexy. Tirou o creme rapidamente, soltou o cabelo, prendendo ele em seguida em uma bela trança de lado meio desleixada. Trocou a camisa para uma branca regata simples e deixou o mesmo short. Desceu saltitante as escadas estreitas de sua casa, feliz pela visita –repentina. – de seu namorado.
Lá estava ele na pequena sala de visitas, rindo e conversando com seu pai. Michael falava algo que fazia Gus gargalhar. Sorriu ao ver a cena. Seu pai e seu namorado sempre se deram bem. O que era bom, já que ela considerava os dois os homens que mais amava na vida. E Tyler também, claro.
Gus estava falando algo animadamente, mas parou assim que viu Olívia. Ele abriu um sorrisinho lindo, fazendo o coração de a garota pular dentro do peito. O pai olhou para a filha com os olhos transbordando afeto.
- Desculpe atrapalhar. –murmurou, baixinho. –
Liv era uma garota tímida. Extremamente educada e quieta. Era assim com todo mundo, até mesmo com sua família.
- Você nunca atrapalha, meu amor. –Disse seu namorado, indo em sua direção para abraçá-la. –
- Sobre o que estavam conversando? –Ela sorriu. –
Os dois homens se entreolharam.
- É melhor se sentar.
Ela os olhou, confusa, mas não questionou. Sentou-se na poltrona vaga e fitou os dois.
- E então?
Seu namorado tomou a iniciativa.
- Eu estava andando ontem na rua e... Bem, descobri algo que pode mudar nossas vidas. Para melhor, claro.
- E o que seria? –perguntou, curiosa. –
Ele trocou um olhar com o pai da garota. O mais velho suspirou e deu um passo em frente.
- Filha, você já ouviu falar sobre o Battle of tune?

Tulsa, Oklahoma – 20h12 p.m.
Dias atuais.

- Battle of tune? Isso é sério?
- E por que não seria? –Justin franziu o cenho. -
Brad balançou a cabeça, em negação. Já Mac deu apenas um suspiro. Por que ainda Justin insistia nesse assusto, mesmo sabendo que isso não levaria a nada?
- Não acho que seja uma boa ideia. –Respondeu Mac. –
- Boa ideia? É uma ideia maravilhosa, pessoal! Trent concorda comigo.
- Trent está dormindo. –Brad retruca, entediado. –
O garoto de olhos cor de mel olhou para seu amigo e baterista da atual banda que participava. Realmente, Trent não só estava dormindo, como estava babando. Suspirou fundo, pedindo mentalmente para que Deus o ajudasse.
- Bom, se ele estivesse acordado, com certeza concordaria comigo.
- Cara, esta ideia é péssima. Será que realmente não vê? –Brad se alterou. –
- Não, não é uma péssima ideia. Abram a mente, pessoal! Esta é uma oportunidade única! Um concurso anual de músicas, de todos os tipos, e o prêmio é um milhão de dólares!
Mac tombou um pouco a cabeça, como se estivesse pensando sobre o assunto. Como se estivesse dando uma segunda chance. Os olhos de Justin se iluminaram de esperança. Brad apenas deu um suspiro irritado, deixando claro que não mudaria de ideia. Já Trent continuava dormindo – e provavelmente ficaria assim por um bom tempo.
- Sério. –Insistiu. – Nós temos tudo a nosso favor para ganharmos!
Brad o olhou sério. Seus cabelos loiros caiam sobre seu olho e seus olhos azuis cobalto estavam o fuzilando. Levantou-se da mesa de supetão e explodiu.
- Será que não vê, Justin? Isso aqui –Apontou para todos eles. – não vai dar certo. Somos bons? Somos. Mas não somos os melhores. Essa droga é aonde?
- Nova Iorque. –murmurou. –
Ele sorriu, sem humor algum. – Nova Iorque , Justin. Lá é cheio de artistas e pessoas talentosas e você acha que somos melhores que alguma banda de lá? Meu Deus, somos apenas quatro idiotas com uma banda de rock no meio de muita música country nessa droga de fim de mundo de Oklahoma!
Justin suspirou, chateado. Era uma pena que seus amigos não reconhecessem o talento e potencial que tinham. Eles eram uma banda incrível. Ele sabia que fazia muito sucesso, apenas precisavam achar a gravadora certa. No entanto, com um milhão de dólares, podiam entrar na gravadora que quisessem. Podiam até abrir uma própria gravadora!
Ele entendia o lado dos amigos, afinal, eles foram rejeitados por mais de quatro gravadoras. Tinham perdido a esperança, exceto Justin.
Ele ainda levava fé.
- Pensem bem, podemos tentar e...
- Meus pais estão putos comigo, Bieber. –Brad gritou. – Eles cortaram minha grana e estão quase me colocando para morar na rua! Essa merda –se referiu a banda. – não está levando a nada. Só você não vê.
- Temos talento, não podemos jogar isso fora. –argumentou, agora já desesperado. -
- Bem, fale por si mesmo. Eu estou fora.
Pegou sua mochila e antes de sair da sala olhou para cada um de seus companheiros de banda, agora ex. Por último, fixou seus olhos em Justin.
- Tentamos, cara. Foi divertido. Entretanto, precisamos saber a hora de desistir. A banda já deu o que tinha que dar. Agora precisamos fazer algo que realmente nos de um futuro.
E saiu de lá, batendo a porta com força.
Trent, com a batida da porta, acordou. Olhou para os lados, assustado. E então limpou a baba que ainda escorria pelo seu queixo.
- Que merda aconteceu por aqui?
- Brad está fora. –Justin cuspiu, cheio de raiva. –
Como ele pode desistir assim? Sem mais nem menos? Eles eram uma banda. Tinham que tomar uma decisão todos juntos! E não por si mesmos. Era isso que Justin pensava.
- Fora? Como assim? –Questionou o baterista, confuso. –
- É, fora. –Rosnou. – Agora somos nós três, apenas.
Mac, que até estava quieto, olhou incrédulo para Justin.
- Nevermind sem um integrante da banda não é Nevermind.
O garoto dos olhos cor de mel apenas deu um suspiro longo. Queria discordar com Mac, mas ele tinha toda razão. A banda não seria a mesma com algum deles faltando.
Justin, do nada, se lembrou de como tudo começou. Eles começaram a banda no segundo colegial. Foi um sucesso, afinal, não tinha muitas bandas de rock em Tulsa, a maioria era música country. A ideia tinha sido de Justin. Ele era totalmente apaixonado por rock, desde pequeno. Os pais sempre apoiaram a ideia dele e deram o total apoio. Foi na detenção que conheceu Trent, Mac e Brad. Foi ali que se formou uma grande e linda amizade. Descobriu que os garotos curtiam o mesmo tipo de música que ele e não perdeu a oportunidade. Chegou e disse: vamos criar uma banda.
No começo, eles faziam isso por fazer. Não esperavam que nada acontecesse, aquilo para eles eram apenas... um passatempo. Escreviam músicas boas e que faziam bastante sucesso pela escola. Tocaram até no baile anual! Foi então que chegou o último ano e eles descobriram que era aquilo que eles queriam fazer para o resto da vida.
Queriam viver no mundo da música.
Sabiam sim, que era um mundo difícil. No entanto, estavam decididos. Era com aquilo que queriam fazer pelo resto da vida. Dito e feito. Uma pena que não estava dando certo...
Assim que terminaram o colegial, se concentraram na banda. Esqueceram o estudo, o foco deles era a música. Aquele tinha sido um dos anos mais difícil para todos. Trent estava com falta de dinheiro e precisava trabalhar em algum lugar. Seus pais nunca foram exemplares. Sempre bêbados e nunca dando atenção ao filho. Mac sempre tinha sido o mais responsável, o mais inteligente... Tinha um grande potencial. Seus pais simplesmente quase morreram de desgosto com a notícia. Não o expulsaram de casa, mas simplesmente falaram que se ele quisesse seguir esse caminho, seguiria por conta própria. Sem a ajuda dos pais. Mac ficou arrasado, mas aceitou a ideia. Brad... Os pais simplesmente surtaram. Brad era rico, sua família era uma das mais ricas da região, por isso quando contou o que queria ser, seus pais o deserdaram.
Justin...
Aquele ano tinha sido o pior de todos, afinal, seus pais tinham morrido. Sofreram um acidente de carro e faleceram. Ele já era maior de idade, por isso morava sozinho, mas foi o pior momento de sua vida. Tinha sido um ano conturbado. Fora que outros imprevistos apareceram...
Depois daquele ano difícil, passaram por cima de todos esses obstáculos, porém, vieram muitos mais, claro, e até que eles estavam indo bem, até que não aguentaram mais.
Foram rejeitados por quatro gravadoras e aquilo acabou com suas autoestimas.
Era triste e espantoso perceber que tudo aquilo, toda aquela jornada, estava acabando.
- Então esse é o fim, certo? Eu já esperava por isso. – Trent suspirou, se levantando. –
- O quê? Não! Esse não é o fim. Não pode ser.
- Olha, eu estava dormindo e não ouvi metade da conversa, mas sei que isso daqui não vai para frente. Quer saber de uma coisa? A banda já estava acabada antes de começar. Foi mal, cara.
Suspirou novamente, jogou seus cabelos longos castanhos para trás e deu um meio sorriso. Seus olhos verdes brilhavam, dizendo que ele não queria que tivesse acabado assim. Fechou a porta de leve, desaparecendo no campo de visão.
- Você também não vai sair, Mac? –Deu um sorriso desajeitado. –
- Cara... Você devia levar tudo o que eles disseram em consideração, sabe? Foi legal enquanto durou, mas...
- Acabou, é, eu sei. Eu percebi.
- Você é meu melhor amigo. Sabe disso, não sabe? Eu não queria que acabasse assim, Bieber. Não queria mesmo. Infelizmente, não deu certo. Agora precisamos seguir em frente, como Brad disse. Eu vou fazer faculdade de cinema na Califórnia.
- Desde quando?
- Tinha enviado minha matrícula há um tempo e bem, eu fui aceito. –Sorriu de lado. – Temos vinte anos, cara. Estamos ficando velhos. Se eu fosse você, também entraria em uma faculdade. Ainda dá tempo.
- É isso que eu quero fazer na minha vida, entende? Música. A música é minha vida. Sem ela, eu sou... ninguém.
- Não importa o que você escolher, eu sempre vou apoiar você. É para isso que os amigos servem, não é mesmo?
- É. –murmurou. – acho que sim.
- Preciso ir.
Foi até Justin e deu um tapa em suas costas, sorrindo. Ele estava feliz, percebeu Bieber. Pelo menos alguém estava, pensou.
- Te desejo toda a sorte do mundo, dude.
E então sorriu mais uma vez e saiu pela porta de vidro. Justin sentiu algo em seu peito fisgar. Era uma dor incômoda. Despedidas, ele nunca tinha sido bom em dizer adeus.
Sabia que a partir de agora tudo mudaria. Trent continuaria trabalhando no Burger king por sabe-se-lá-quanto-tempo. Mac iria para a Califórnia, cursar cinema. Brad, pensou ele, provavelmente faria faculdade de administração em algum lugar do mundo. 
Aquela tinha sido, provavelmente, a última reunião da banda. A última reunião entre eles, também.
Justin se sentou na grande mesa de seu apartamento, onde estavam reunidos e suspirou fundo. Tudo mudaria, é... Odiava mudanças.
Sentiria falta de seus amigos, sentiria falta da banda, sentiria falta de saber que seus amigos estariam ali ao seu lado, sentira falta das pegadinhas entre si, sentiria falta de tudo.
Perdido em pensamentos, percebeu depois de um tempo que seus olhos estavam focalizados em algo em cima da mesa. Percebeu que era um panfleto, mas não qualquer panfleto e sim um em especial.

Battle Of Tune.
A maior batalha musical do mundo.
Inscrições abertas até 12 de agosto.
Está esperando o que para se inscrever? Vai perder essa chance?

Vai perder essa chance? Justin repetiu a última frase em sua mente. A banda poderia ter odiado a ideia dele, mas algo dizia a Justin que a ideia era boa e que ele não deveria desistir. Ainda não.
Percebeu o que falava para ele não desistir era mais que uma intuição. Era seu coração falando.
Depois que percebeu isso, sua decisão era óbvia.
Não, ele não perderia aquela chance.



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Olá amores! Tudo bem? Finalmente cheguei com o primeiro capítulo, uhul! Foi meio pequeno, eu sei, mas mais para frente vou tentar fazer capítulos maiores. Estou meio deprê, pois fui mal na prova de matemática. Estou de recuperação novamente e tenho apenas esse bimestre para recuperar, senão... RECUPERAÇÃO FINAL. Eu tenho um ódio mortal por exatas, não sei vocês...
Enfim, falem para mim o que acharam! Estarei aqui esperando ansiosamente a opinião de vocês! hahaha 
Beijão

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